O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, afirmou na sabatina O GLOBO, CBN e Valor que o fim da escala 6x1 é uma medida "perigosíssima" e "populista" alimentada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para justificar o argumento, o presidenciável citou a crise que setores como o varejo já enfrentam.
— Imagina isso num cenário em que estão prometendo que as pessoas vão trabalhar menos e ganhar mais.
É um problema dramático, vindo de uma medida populista de um presidente que está tentando recuperar a discussão sobre trabalho — disse.
— O efeito da escala 6x1 vai ser aumento da informalidade e diminuição da arrecadação de valores que vão para a previdência e, no fim do dia, aumento do rombo fiscal.
Na visão de Santos, o país precisa de uma nova legislação trabalhista que substitua o predomínio da CLT e do modelo de microempreendedor individual (MEI).
Ele defende uma jornada de trabalho de 44 horas semanais.
— Precisamos de um regime trabalhista que encare o problema de aumento da base, com base maior e tributação menor.
E que gere segurança jurídica para contratar e demitir — apontou o presidenciável, que se mostrou simpático ao fim da Justiça do Trabalho.
— Acho que ela tem que caminhar para a obsolescência e substituição, é um caminho natural.
Nenhum país desenvolvido no mundo trabalha com uma Justiça trabalhista como a que temos.
Segurança
Renan Santos é um dos candidatos que citam El Salvador na hora de falar de segurança.
Ele promete a construção de dez presídios de segurança máxima com capacidade de 30 a 40 mil pessoas cada.
O investimento seria de R$ 6 bilhões, o que foi questionado pelos entrevistados com base no custo demandado pelas unidades que já existem.
Além de El Salvador, Santos mencionou um presídio do tipo que está sendo construído no Equador “com valores muito menores” do que os brasileiros.
Em relação ao modelo em si das unidades defendidas por ele, vaticinou uma “massa carcerária muito grande” a ser absorvida para substituir os "cadeiões" estaduais.
— São presídios maiores que mantêm padrão de isolamento muito mais rígido que os “cadeiões”.
A cadeia que existe hoje é muito passível de ser controlada pelo tráfico.
A infraestrutura é precária.
Vamos ter presídios com uma infraestrutura muito melhor.
Vai ter alto volume de presos, mas com o nível de segurança dos de segurança máxima — apontou.
A fim de justificar a política permanente de "estado de exceção" para o combate ao crime, o candidato alegou que hoje já não há direitos em territórios ocupados pelo crime.
— Ninguém que mora em região tomada pelo tráfico tem direito de ir e vir, os direitos são mitigados.
Existe uma ficção de Direito.
Se você pegar um Uber, vai tomar paulada.
Não estou retirando um direito que já existe, as pessoas vivem num regime opressivo liderado pelos criminosos — apontou.
— O que vamos fazer é uma política de ocupação e de destruição da liderança do crime organizado, e, aí sim, a política de desfavelização, que é levar o Estado e dar, além de deveres, direitos a essas pessoas.
Assim como vem dizendo ao longo da campanha, Santos confirmou que não cumpriria decisões judiciais que ele próprio considere “ilegais”, apesar de afirmar que não quer entrar em "conflitos idiotas" com o Judiciário ou "mandar um tanque atropelar o Xandão", em referência ao ministro Alexandre de Moraes.
Foi perguntado, por exemplo, sobre a ADPF das Favelas, que impôs maior controle às operações policiais no Rio, e disse que não a obedeceria.
— Não vou entrar em conflitos idiotas.
O que estou dizendo é que exijo ser respeitado.
No crime organizado, se estou tocando dentro da lei operações que são importantes para a população brasileira, exijo ser respeitado.
Não vou ficar que nem um doido desrespeitando decisões judiciais, não sou essa pessoa.
Série de sabatinas
A série de entrevistas com os candidatos à Presidência em 2026 foi aberta por Romeu Zema (Novo), na terça-feira.
Na quarta, foi a vez de Ronaldo Caiado (PSD).
Na sexta-feira, Augusto Cury (Avante) será o entrevistado, também às 10h30 e por uma hora e meia.
PRESIDÊNCIA: Com qual candidato a presidente você mais se identifica?
GOVERNO RJ: Com qual candidato você mais se identifica? Faça o teste
Esquerda, direita ou centro? Teste indica sua posição política
O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) também foram convidados para as sabatinas, mas não confirmaram presença até o momento.
Foram chamados os candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest divulgada na semana passada, o primeiro levantamento contratado pela TV Globo e pelo GLOBO nesta corrida eleitoral.
As entrevistas são realizadas no estúdio localizado na redação do GLOBO, no Rio, que também recebeu as sabatinas com presidenciáveis na eleição de 2022.
Neste ano, a bancada de entrevistadores é formada pelos jornalistas Lauro Jardim e Malu Gaspar, colunistas do GLOBO; Milton Jung, âncora da CBN; e Maria Cristina Fernandes, colunista do Valor.
A cobertura das sabatinas inclui reportagens nos sites dos veículos e a publicação de cortes com os principais trechos nas redes sociais do jornal.
As sabatinas do GLOBO, Valor e CBN com candidatos à Presidência dão sequência à cobertura eleitoral dos jornais e da rádio.
Nesta semana, também foram entrevistados os dois candidatos mais bem colocados na disputa pelo governo de São Paulo: o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que concorre à reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad (PT).
Os encontros foram realizados nos estúdios da CBN, na capital paulista.
Na sequência, estão previstas sabatinas com candidatos ao governo de Minas Gerais entre os dias 31 de agosto e 4 de setembro.
A programação prevê ainda, em setembro, debates entre candidatos ao Senado em estados como Rio de Janeiro e São Paulo.
