EY vai distribuir até US$ 100 mi em bônus a funcionários que fizerem a IA dar resultado - QTU Questões do Universo

EY vai distribuir até US$ 100 mi em bônus a funcionários que fizerem a IA dar resultado

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A divisão americana da Ernst & Young (EY) reservou US$ 100 milhões neste ano fiscal para premiar funcionários que demonstrem adaptabilidade, inovação e capacidade de julgamento, habilidades que a consultoria considera essenciais para transformar a adoção de inteligência artificial em resultados concretos.
A iniciativa integra uma reformulação da estratégia de desenvolvimento de profissionais da empresa, segundo reportagem da Quartz.
O programa prevê desde recompensas pontuais de até US$ 500 até bônus de US$ 10 mil a US$ 25 mil para profissionais ou equipes responsáveis por contribuições consideradas especialmente relevantes.
O teto individual é cinco vezes maior do que o permitido no programa anterior.
Funcionários de qualquer nível hierárquico poderão indicar colegas para receber os prêmios, e não há limite para o valor total que uma mesma pessoa poderá acumular ao longo do programa.
“O que reconhecemos sinaliza aquilo que valorizamos”, afirmou Ginnie Carlier, diretora de talentos e cultura da EY Americas.
Além das competências humanas, o programa também recompensa funcionários pela experimentação e pelo uso de inteligência artificial no trabalho.
A lógica da empresa é que ferramentas cada vez mais capazes aumentam, e não diminuem, a importância de características humanas para determinar como a tecnologia será aplicada.
Julgamento e adaptabilidade ganham peso com a IA
A iniciativa faz parte de uma revisão mais ampla de como a EY prepara seus profissionais para trabalhar com inteligência artificial, de estagiários a executivos seniores.
Segundo Carlier, a transformação exigida pela tecnologia não pode ser resolvida apenas com cursos pontuais.
“Isso não é um problema que possa ser resolvido com um curso ou um único programa.
Será necessária uma mudança radical e sustentável”, afirmou.
A consultoria anunciou recentemente um programa de formação que pode acrescentar até 12 meses de treinamento após o estágio tradicional de oito semanas.
A companhia afirma ainda que 95% de seus sócios já participaram presencialmente de sessões dedicadas a discutir como a IA pode alterar modelos de negócios e fluxos de trabalho.
O movimento não está restrito à EY.
Outras grandes consultorias também passaram a reforçar habilidades tradicionalmente associadas às pessoas à medida que automatizam uma parcela maior do trabalho.
A KPMG reformulou neste ano o treinamento de estagiários de auditoria para aumentar a ênfase em pensamento crítico e julgamento profissional.
A PwC, nos Estados Unidos, também criou um programa que combina treinamento em IA com competências como criatividade e empatia.
IA começa a mexer também no modelo das consultorias
A adoção da inteligência artificial não está alterando apenas as habilidades valorizadas nos funcionários.
Ela começa a afetar a própria forma como empresas de serviços profissionais organizam e cobram pelo trabalho.
Tradicionalmente, boa parte do faturamento das consultorias está vinculada à quantidade de horas dedicadas a um projeto.
Ferramentas capazes de automatizar tarefas e reduzir o tempo necessário para produzir determinados trabalhos pressionam esse modelo.
Com os ganhos de eficiência proporcionados pela IA, modelos de cobrança baseados no resultado entregue ao cliente, em vez do número de horas trabalhadas, começam a ganhar espaço no setor.
Na EY, a própria receita relacionada a serviços de inteligência artificial já reflete essa mudança.
O faturamento da companhia ligado à IA cresceu 30% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo o dado mais recente divulgado pela empresa.
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