Milhares de pessoas continuam sem luz no Rio após a ventania registrada nessa quarta-feira.
Os ventos, segundo o Centro de Operações e Resiliência, da prefeitura, alcançaram velocidade superior a 100km/h, causando queda de árvores, postes, telhados e muros — em Santa Teresa, no Centro, dois homens morreram após o desabamento de um.
E impactaram a rede elétrica, primeiro, na subestação da Axia Energia (antiga Eletrobras) no Grajaú, responsável pelo Centro, Zona Sul e parte da Zona Norte.
Depois, no fornecimento realizado pela Light, que está reconstruido a rede nos bairros mais afetados.
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A subestação no Grajaú foi desligada às 16h25, horário no qual foi identificado um curto circuito, e religada às 16h51.
A causa, segundo a Axia, foi a ventania: proteções de seguraça de duas linhas foram afetadas.
A empresa se responsabilizou sobre o impacto na rede elétrica na quarta-feira, mas confirmou que o funcionamento na subestação já foi normalizado.
A falta de luz desta quinta-feira recaí sobre a Light, que afirma estar reconstruindo a rede elétrica de diversos bairros.
Os mais impactados, de acordo com a concessionária, são Campo Grande, Bangu e Santa Cruz, na Zona Oeste; Anchieta e Tijuca, na Zona Norte; Catumbi, na Região Central; Jacarepaguá e Recreio, na Zona Sudoeste.
Na Baixada Fluminense, os municípios com trechos mais afetados são Nova Iguaçu e Duque de Caxias.
"O número de clientes afetados chegou a cerca de 1,1 milhão.
Atualmente, esse total foi reduzido para 296 mil sem energia na área de atuação da companhia.
A distribuidora ampliou o número de equipes operacionais atuando nas ruas e mais de 2 mil funcionários estão mobilizados nas atividades, além de intensificar o monitoramento do sistema elétrico para agilizar o atendimento e garantir a recomposição da rede com segurança", escreveu a Light em nota.
Ao menos 220 ávores caíram na cidade do Rio.
Ventania Rio de Janeiro - RJ - 29-07-2026 Ventos de mais de 90 km-h atingem o Rio Na foto árvore ca
André Sarmento
Restaurante à luz de velas
Para manter o funcionamento do restaurante, Rosa Vasconcelos recorreu ao uso de velas.
Preparou todo o buffet e iluminou a estação de comida de forma intercalada.
A alternativa, para alívio dela, não afugentou os clientes, que mantiveram fidelidade à sua comida.
O estabelecimento, localizado na Rua Mario Barreto, ficou mais de 24h sem luz, assim como os demais imóveis, comerciais ou não, do trecho.
Moradores e comerciantes sofrem com a falta de luz na Tijuca após vendaval
— Hoje, eu não desisti por nada.
Eu tenho meu freezer que conserva as coisas até uns três dias.
Mas é difícil.
Eu fervi água na panela e coloquei no carrinho (na estação do buffet).
Fui fazendo a comida na hora e colocando lá.
Fui fazendo o que podia para atender aos meus clientes — explica Rosa, conhecida no bairro há mais de 17 anos pela gastronomia.
1.600 moradores sem luz em condomínio
Localizado na Avenida Marechal Rondon, o condomínio San Francisco Residence ficou 25 horas sem luz.
Por lá, moram cerca de 1.600 pessoas, alocadas em 400 apartamentos distribuidos em 18 andares.
Jaqueline Cunha, de 41 anos, é uma delas.
— O condomínio entrou em contato com a Ligth diversas vezes, eu também.
Infelizmente, a gente só falou com a Inteligência Artificial da empresa, que responde sempre de forma padrão.
Ficamos sem qualquer informação da empresa, sem previsão, até a luz voltar por volta das 18h de hoje — destaca Jaqueline.
Ela mora no imóvel com a mãe e a irmã.
A falta de energia interrompeu o funcionamento de elevadores, afetando a locomoção, principalmente daqueles em andares mais elevados.
Idosos, crianças de colo e pessoas enfermas, como enfatiza Jaqueline, foram as mais limitadas.
O fornecimento de água chegou a ficar em risco.
— São muitos moradores, muitos andares.
Então, o síndico chegou a avisar que deveríamos ter cautela com o uso de água.
Sem energia, a cisterna não estava sendo alimentada.
Ficamos muito preocupados com tudo.
A comida já estava descongelando, muitas pessoas ficaram sem bateria, incomunicáveis.
Fizemos uso de velas e lanternas — completa.
Dificuldade para armazenar remédio em geladeira
Na Rua General Tasso Fragoso, na Lagoa, um prédio de 20 apartamentos ficou sem luz desde a meia noite de ontem.
A síndica Maria Salgado destacou que os idosos, maioria no imóvel, ficaram "enclausurados" devido à falta dos elevadores.
Além disso, um morador de 84 anos que faz uso de um medicamento avaliado em R$ 150 mil chegou a pedir ajuda aos vizinhos para o armazenamento dele, que depende de uma refrigeração entre 2°C e 8°C.
— Eu devo ter ligado umas 10 vezes para a Light, mas só recebia resposta da Inteligência Artificial.
Não conseguimos previsão de nada.
A maior parte dos moradores aqui tem entre 60 e 80 anos, não podem ficar sem elevador.
É um desgaste muito grande — conta ela.
Maria reforçou também que uma árvore sem poda na Rua Borges de Medeiros costuma afetar a luz do local em dias de vento forte ou chuva.
Ela fica próxima ao gerador da rua, e segundo a síndica, só pode ser podada com operadores da Litght presentes.
— Eu fiz o pedido à prefeitura há mais de seis meses.
Entrei até em contato com a ouvidoria e nada.
Me responderam uma única vez dizendo que, como a árvore é vizinha do gerador, a Light precisa mandar alguém para direcionar a ação.
