A presidente da distrital da Filadélfia do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Anna Paulson, defendeu uma abordagem dependente de dados para decidir os próximos passos na condução da política monetária e se mostrou preocupada com o fato de a inflação seguir acima da meta há mais de cinco anos nos Estados Unidos.
“Mantenho a mente aberta em relação aos próximos passos da política monetária”, disse a dirigente, ao ver dois possíveis cenários para a condução dos juros.
Em discurso feito nesta terça-feira, Paulson, que tem direito a voto nas reuniões de política monetária do Fed neste ano, afirmou que pretende observar como as evidências se acumulam ao longo do tempo, com atenção especial para os dados de inflação subjacente nos EUA.
“As expectativas permanecem bem ancoradas.
No entanto, ao tentar estimar a inflação subjacente — isto é, como a inflação se comportaria se fossem retirados os efeitos temporários do aumento das tarifas e dos preços da energia —, avalio que ela esteja entre 2,4% e 2,8%.
A inflação subjacente permanece elevada há bastante tempo e é nela que concentro maior atenção ao avaliar o progresso rumo à meta de 2%.”
Em um dos cenários descritos pela dirigente, predomina a avaliação de que a taxa de juros esteja “moderadamente restritiva” e que isso seja suficiente para fazer a inflação voltar à meta de 2% dentro de um horizonte razoável.
No outro cenário, Paulson avalia que a política monetária pode não estar suficientemente restritiva e, em um mundo no qual estão em vigor as pressões inflacionários decorrentes da construção da infraestrutura para inteligência artificial, os juros precisariam ser mais restritivos para que o Fed alcance a meta de inflação.
“Se a política monetária estiver adequadamente calibrada, espero ver sinais crescentes de desaceleração da inflação: mais meses com indicadores de inflação mostrando melhora; relatos de empresas responsáveis por decisões de preços e contratação compatíveis com um retorno gradual da inflação à meta de 2%; indícios de que as pressões provocadas por tarifas, energia e investimentos em inteligência artificial estejam contidas, em vez de se intensificarem; e expectativas de inflação bem ancoradas e compatíveis com a meta de 2%”, afirmou a dirigente em seu discurso.
Por outro lado, se a inflação subjacente permanecer elevada, “a simples passagem do tempo sem progresso significativo já será, por si só, um sinal de que poderá ser necessária uma política monetária mais restritiva”.
Paulson disse ter apoiado a decisão do Fed de manter inalteradas as taxas de juros na semana passada e afirmou que a melhora recente em alguns indicadores de inflação é algo bem-vindo.
“Trata-se de um passo na direção certa, mas é apenas um passo”, enfatizou.
David Paul Morris/Bloomberg
