Uma pipa solta no céu é uma imagem forte que remete a muitos significados.
Um deles pode ser o frágil fio da vida, fio da convivência humana, em que quebrar barreiras é sempre uma atitude de risco.
Mas viver por um fio também traz muitos significados, sentidos a serem descobertos.
Essa relação densa, tensa, pode ser vista a céu aberto no filme "Feito Pipa", do cineasta cearense Allan Deberton.
Esse longa-metragem acaba de ser exibido no 54º Festival de Cinema de Gramado, na Serra Gaúcha, no Estado do Rio Grande do Sul, e conquistou dois importantes prêmios na mostra Generation Kplus do Festival de Berlim de 2026, em fevereiro: o Urso de Cristal de Melhor Filme (pelo júri infantil) e o Grande Prêmio do Júri Internacional de Melhor Filme.
O jornalista Ismaelino Pinto, do Grupo Liberal, entrevistou Lázaro Ramos e Teca Pereira que, juntamente com o ator mirim Yuri Gomes, atuam no filme.
Em "Feito Pipa", Gugu (Yuri Gomes) é um menino queer de 11 anos - queer refere-se a pessoas cuja orientação sexual não segue os padrões tradicionais da sociedade.
Ele vive com a avó Dilma (Teca Pereira), que sente o avanço do Alzheimer.
Ocorre que o estado de saúde de Dilma se agrava e, então, Gugu tenta esconder de todos o fato, com receio de ter de morar com o pai homofóbico (Lázaro Ramos).
Encontros
Na entrevista ao jornalista Ismaelino Pinto, durante o 54º Festival de Cinema de Gramado, Lázaro Ramos conta como tem sido essa aproximação com a atriz Teca Pereira.
"Esse encontro é um encontro de admiração.
Assim, a Teca é uma atriz com a qual, desde que a vi pela primeira vez na tela, eu fiquei fascinado com o trabalho dela.
Tinha muito desejo de poder trabalhar com ela.
Esse filme é aquela frasezinha clichê, mas é verdade, é a realização de um sonho, porque essa é uma atriz muito especial que o nosso país tem.
Eh, espero trabalhar com ela outras vezes".
Ao lado de Lázaro, Teca diz sentir o mesmo prazer em tê-lo no elenco do filme.
Lázaro diz que espera dirigir Teca em um trabalho cinematográfico, com o que ela concorda.
"'Feito Pipa' é um filme que fala sobre amor e afetividade.
E esse amor se espelha também na minha admiração e respeito pela Teca", salienta o ator.
"Lázaro, muito obrigada, Lázaro.
Bom, para mim, é importantíssimo, nessa altura da minha carreira, são quase 50 anos, participar de um festival como esse e ver o resultado enquanto atriz; a receptividade que foi a personagem da Dilma, a emoção que ela traz me emociona também.
Muito importante isso", afirma Teca Pereira.
O filme abriu o Festival Internacional de Cinema de Cartagena das Índias (FICCI), na Colômbia, onde também recebeu o prêmio de Melhor Interpretação para o jovem ator Yuri Gomes.
"Feito Pipa" também venceu os prêmios de Melhor Filme e Melhor Interpretação (para Teca Pereira e Yuri Gomes) na seção Maguey da 41ª edição do Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, no México, em abril de 2026.
Lázaro Ramos observa que "o filme ganhou vários prêmios internacionais, né? Ganhou Berlim, dois prêmios, Guadalajara, mas eu acho que o maior prêmio mesmo, talvez tenha sido a sessão em Gramado.
Ver a recepção do público brasileiro, ver as pessoas se emocionando.
Encontrar as pessoas na rua, no restaurante, as pessoas falando espontaneamente sobre o filme.
Receber um monte de mensagens de celular das pessoas comovidas com o 'Feito Pipa', que é um filme assim, que é essencialmente brasileiro e que felizmente tá sendo abraçado pelo Brasil".
Lázaro Ramos e Teca Pereira convidam o público paraense para conferir "Feito Pipa" a partir de 5 de novembro nos cinemas do Brasil.
Produzido pela Deberton Filmes e pela Biônica Filmes, "Feito Pipa" tem distribuição no Brasil pela Paris Filmes e vendas internacionais pela M-Appeal.
O filme conta com patrocínio do Nubank, produção associada da Mistika e apoio do Projeto Paradiso, por meio da Incubadora Paradiso.
É uma realização com apoio da PNAB, PNAB Ceará, Governo do Ceará, BRDE, FSA, ANCINE e Ministério da Cultura.
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