Filha do diretor Carlos Manga Jr., Julia Manga decidiu seguir os passos do pai e trilhar a carreira artística.
Formada pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), a atriz de 23 anos não nega que crescer em uma família ligada à arte possa ter influenciado sua escolha, mas afirma que deseja escrever a própria história:
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— Influencia porque você já nasce em um ambiente com referências que muitas vezes as pessoas não têm desde tão novas.
Você cresce com aquilo à sua volta e se torna uma coisa natural.
E eu tentei fugir.
Por mais que eu tenha feito teatro desde pequenininha, eu falava: "Não, não vou seguir esse caminho".
Acho que isso foi mais ou menos quando eu era adolescente, rebelde, aquela época de não querer ser igual a todo mundo.
Mas comecei a pensar no que eu queria fazer, e o que me dá prazer é fazer teatro.
Quando eu vi, eu falei: "Não quero fazer outra coisa.
É isso que eu amo, é isso que me dá prazer".
Atualmente, Julia está gravando a série "A ira do herdeiro", com direção de seu pai.
A estreia está prevista para o ano que vem no Disney+ e na Record:
— Além de ser o meu primeiro trabalho profissional, é um trabalho no audiovisual, um lugar em que me encontrei, e é o meu pai que dirige.
E o cara é f*da, né? Está sendo uma novidade tanto para mim quanto para ele.
É muito legal porque a arte aproximou ainda mais a nossa relação como pai e filha.
Claro que já tínhamos uma relação, mas hoje em dia estamos ainda mais próximos porque compartilhamos esse amor.
Eu sei que ele está orgulhoso e vice-versa.
Eu estou sempre orgulhosa dele.
Ele é um cara de poucas palavras, às vezes olha para mim e dá uma piscadinha na gravação, então já penso: "Estou indo bem".
Na trama, Julia dá vida à personagem Issi, uma princesa síria.
Ela fala das semelhanças entre elas:
— Ela é um pouco diferente das outras coisas que fiz.
Ela é uma personagem assanhadinha, no sentido de que ela quer o lugar da irmã, ela quer o lugar da prima e ela corre atrás.
Está disposta a passar por cima de tudo para chegar aonde almeja.
Eu, Julia, também sou muito determinada e sei aonde quero chegar.
Também estou disposta a passar o que for para chegar aonde eu quero.
E eu sei que vou chegar.
É muito bom quando você tem esse sentimento de pertencimento, de se encontrar.
E cada vez mais em que eu atuo, em que eu interpreto personagens diferentes, eu vejo que é isso que eu quero para a minha vida.
Me encontrei no audiovisual, é o caminho que quero perseguir.
Tenho vontade também de quebrar fronteiras, atuar em outras línguas, outras culturas.
Tenho o sonho de atuar fora, em outros países.
E, claro, quero fazer História para o nosso cinema nacional.
A atriz conta que seu avô, Carlos Manga, um dos mais importantes diretores de cinema e televisão do Brasil, já dizia que ela seria uma estrela.
Mas afirma que a família nunca a pressionou para seguir a carreira artística:
— É uma honra muito grande ter crescido com o meu pai, com meu avô.
Minha avó também foi atriz, ela conheceu o meu avô num dos filmes dele, depois parou de atuar.
Estou trazendo uma história nova para as mulheres da minha família, agora eu que vou traçar esse caminho.
Quando contei para o meu pai que gostaria de ser atriz foi muito emocionante, porque meus pais nunca me impuseram nada.
Ele ficou em silêncio.
Achei que não iria gostar, mas depois ele disse: "Eu esperei você falar isso a minha vida inteira".
Julia afirma estar preparada para possíveis críticas e conta como lida com o título de "nepobaby":
— A galera usa muito esse termo, né? Mas existem nepobabies em todos os lugares.
Não só no mundo artístico.
Às vezes você nasce numa família de médicos e se torna médico.
Porque é aquilo, você nasce naquele meio e ele exerce uma certa influência sobre você.
As pessoas usam esse termo com um tom muito pejorativo, como uma coisa ruim, e eu não vejo isso.
Eu vejo muito de um lugar de gratidão, de ter essas pessoas à minha volta que compartilham essa mesma paixão.
Que privilégio é você poder compartilhar a sua paixão com as pessoas que você ama.
O talento não se sustenta sozinho.
Precisa de estudo, aprofundamento, aprimoramento porque senão ninguém anda para frente.
Julia é filha de Sheyla Beta, que também é mãe de Diogo Novaes, filho de Marcello Novaes.
Ela detalha como é seu relacionamento com o irmão:
— Eu até me emociono de falar dele, porque o Diogo é o meu melhor amigo da vida.
O meu irmão é um homem incrível.
Toda a minha família é.
Somos muito unidos.
Minha mãe, a Letícia Spiller (mãe de Pedro Novaes, irmão de Diogo por parte de pai), o tio Marcello (Novaes).
Nós crescemos muito unidos.
Nós nutrimos um carinho muito grande, passamos os Natais juntos até hoje.
Todo mundo se reúne e celebra.
Tenho um carinho muito grande pelo Marcello, pela Letícia também.
Graças a Deus, nossos pais têm essa maturidade.
O Pedro é como um irmão para mim.
Outro dia alguém falou que não éramos irmãos e ele ficou revoltado.
Nascemos e crescemos juntos.
Somos uma família.
É muito linda a nossa relação.
As pessoas às vezes perguntam: "Nossa, mas a sua mãe é amiga da Leticia?".
Eu falo: "É, gente".
Eles têm maturidade de colocar esse amor pelos filhos em primeiro lugar.
A Stella, que é irmã por parte de mãe do Pedro, também é como uma irmã para mim.
É difícil até de explicar para as pessoas.
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Ela conta como foi a reação do irmão e de Pedro quando contou que também gostaria de seguir a carreira de atriz:
— Assim como meu pai, eles também me apoiaram muito.
Outro dia precisei fazer um teste, liguei para o Diogo, ele veio aqui em casa às 22h, me ajudou.
Todos me deram muita força.
Eles são assim, todos têm muita garra de correr atrás e estão sempre aqui para apoiar.
Eles falaram sobre ter estabilidade para lidar com as críticas, porque as pessoas falam, né? Ainda mais nesse mundo de hoje com internet… Mas todos fazemos terapia.
Eu bato muito nessa tecla, todos têm que fazer terapia, ter a cabeça forte.
Eu absorvo as críticas para saber o que eu posso melhorar ou o que eu posso mudar e tento ver por esse lado.
É realmente usar as críticas ao seu favor.
Julia Manga é irmã de Diogo Novaes, filho de Marcello Novaes
Reprodução / Instagram
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