Na próxima quarta-feira (12), o Flamengo entrará em campo no Mineirão para enfrentar o Cruzeiro, pelo jogo de ida das oitavas de final da Libertadores, e até agora o treinador Leonardo Jardim não conta com reforços para este desafio.
A diretoria, liderada pelo presidente Luiz Eduardo Baptista e o diretor José Boto, tem como meta fazer um grande investimento em Thiago Almada, mas, se nega entrar em leilão com o River Plate pelo meio-campista, virou refém de uma novela que já se arrasta mais que o desejado.
E assim um elenco que apresenta outras carências importantes permanece sem novidades enquanto o tempo passa.
Conforme estabelecido pelo regulamento da Conmebol, cada clube pode fazer alterações nos inscritos nas oitavas até 72 horas antes do primeiro jogo desta fase, prazo que se encerra neste sábado (8).
Ou seja, o rubro-negro entrou de vez numa corrida contra o tempo para ter reforços no mata-mata.
Como a equipe foi eliminada precocemente na Copa do Brasil, e vê a distância para o líder Palmeiras aumentar no Brasileirão em meio a um momento turbulento, a Libertadores pode ser uma tábua de salvação — assim como a eliminação pode deflagrar uma crise.
O Flamengo estabeleceu o objetivo de fazer duas a três contratações neste meio de ano, até agora todas endereçadas para o ataque, o que inclui até rumores sobre a chegada de Luiz Henrique.
Ao mesmo tempo, posições que precisam de mais opções, como lateral-esquerdo e primeiro volante, vão sendo deixadas de lado.
A diretoria está focada em Almada e só prosseguirá outros negócios a partir da definição deste impasse.
Limite financeiro
Boto viajou a Buenos Aires no último fim de semana para conversar com o representante de Almada.
Desejando uma saída do Atlético de Madrid, o meia de 25 anos sinalizou positivamente às duas possibilidades principais de destino: Flamengo ou River Plate.
O que se desenrola agora são discussões sobre os detalhes financeiros de um eventual acordo.
Mesmo que o rubro-negro ofereça melhores condições de pagamento ao clube espanhol, fato é que a definição vai depender do jogador e seu estafe, e as conversas já ganharam tons de novela, com o fator "confiança" se esvaziando.
Thiago Almada antes de final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha
Florencia Tan Jun / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP
A imprensa argentina aponta o River aumentando os valores na negociação, mas o Flamengo entende já ter chegado ao limite, e não quer fazer esforços maiores.
O montante total da operação, em parcelas diluídas ao longo de alguns anos, pode chegar a 30 milhões de euros (cerca de R$ 176 milhões).
Mas o clube sequer conta com grande fôlego disponível em 2026.
Segundo balanço divulgado na semana passada, há R$ 89,8 milhões em caixa para todos os investimentos, fator que se explica pela forte janela do início deste ano, marcada pela volta de Lucas Paquetá por um valor recorde (R$ 315,7 milhões).
Enquanto se vê em meio a uma negociação marcada por indefinição — e que pode até ganhar um novo rumo caso Almada receba proposta de um clube de uma das grandes ligas europeias —, o rubro-negro volta a expor sua letargia no mercado.
O mesmo problema se apresentou no meio do ano passado, já na gestão Bap e Boto, quando o clube levou até o final de julho para contratar todos os reforços.
Desta vez, mesmo com um período de pausa para a Copa do Mundo, ainda não houve acertos no início de agosto.
A demora para reforçar o elenco vai além do clamor habitual de torcedores.
Contestado após dois empates frustrantes contra São Paulo e Internacional no Brasileirão, Leonardo Jardim falou da necessidade de reforços "criativos".
Enquanto isso, o Flamengo está agora oito pontos atrás do Palmeiras (47 a 39).
Pouca criatividade
Em um ano e meio de trabalho, o departamento de futebol conduzido por Bap e Boto não mostrou saber fugir do óbvio.
O diretor português foi contratado junto de vários profissionais para identificar jogadores através do scouting, mas as principais contratações, Paquetá e Samuel Lino, além das possibilidades de chegadas de Almada e Luiz Henrique, são mais mostras do poderio financeiro do clube do que garimpo de talento.
Já a comparação com o adversário da Libertadores mostra um clube em caminho oposto, movimentando-se no mercado e recheando o elenco mesmo com nomes menos badalados.
O Cruzeiro já havia anunciado o lateral-esquerdo Gabriel Rojas em junho, e fez um investimento para contratar o atacante Gabriel Pec — que ficará meses sem jogar por conta de uma fratura na tíbia da perna esquerda.
Além disso, os mineiros venceram a concorrência do Flamengo pelo jovem volante Zé Lucas.
A demora por Almada fez surgir o nome de Evander, ex-Vasco e atualmente no FC Cincinnati, como plano B.
Porém, o meia não é alvo do Flamengo no momento.
Flamengo rejeita leilão, mas vira refém em novela por Almada e letargia da diretoria no mercado é exposta de novo
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