O hoje senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) era candidato a prefeito do Rio e participava de um debate na Band com seus rivais naquela eleição, no dia 25 de agosto de 2016, há exatos dez anos.
No segundo bloco do encontro, o político, hoje principal candidato da oposição à Presidência da República, deveria responder à pergunta enviada por uma eleitora.
Ele disse que estava sentindo a pressão baixa e pediu para o apresentador repetir a questão.
"De que forma o senhor pretende trabalhar em conjunto com os outros municípios da área metropolitana", releu o jornalista Sérgio Costa.
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Quando a transmissão voltou a exibir o então deputado estadual pelo PSC, ele estava nitidamente tomado por um mal-estar que o impedia de falar.
Imediatamente, os então candidatos Carlos Osório (PSDB) e Jandira Feghali (PCdoB) agarraram os braços de Flávio, que parecia se esforçar para ficar de pé.
"Ele tá passando mal", alertou Osório.
"Tem que segurar", disse Feghali.
O apresentador, então, chamou os assessores do filho mais velho de Jair Bolsonaro para retirá-lo do palco, mas logo em seguida anunciou: "Vamos então para um breve intervalo e voltamos a seguir".
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Na volta do intervalo, Sérgio Costa explicou aos telespectadores que Flávio tinha deixado o debate devido ao mal-estar testemunhado por todos e comunicou que a pergunta destinada a ele seria, então, respondida por Jandir Feghali, que é médica de formação.
"Eu não gostaria de terminar essa resposta sem denunciar o que houve no intervalo", disse ela, antes de começar a ser vaiada por correligionários do político retirado do debate.
"Eu fui atender, como médica, e o pai dele disse que não precisava dos meus cuidados.
A solidariedade não faz parte desse grupo fascista".
Em entrevistas posteriores, Feghali relatou que Jair Bolsonaro impediu o atendimento dela dizendo que "comunista não põe a mão no meu filho".
De acordo com a edição do Jornal O GLOBO no dia seguinte, quando Flávio foi levado para a plateia se sentindo mal, o pai tentou animá-lo: "Tranquilo, zero um, paga umas flexões aí", disse o então deputado federal, que em 2018 seria eleito presidente da República.
Depois de comer algo e tomar um suco, o político deixou o local caminhando.
Assessores disseram que ele seria levado a um hospital e atribuíram o mal-estar a uma intoxicação alimentar.
Flávio recebeu 424 mil votos naquela disputa, o que representava 14% do eleitorado.
Ele ficou em 4º lugar no primeiro turno, atrás de Marcelo Crivella, Marcelo Freixo e Pedro Paulo.
Aquela foi a única derrota eleitoral do político, que, dois anos depois, seria eleito senador com 4,3 milhões de votos, ou 31% do eleitorado na época.
Nas pesquisas de opinião da corrida eleitoral deste ano, Flávio é o principal candidato da oposição, com 33% das intenções de voto, segundo o Datafolha, o que deixa o parlamentar na segunda colocação da disputa, atrás apenas do presidente Lula, com 39%.
Passados anos do desmaio com transmissão ao vivo, o episódio é frequentemente resgatado pelas redes sociais.
Quando, em dezembro de 2025, o hoje senador anunciou que seu pai, que está preso, o escolhera como candidato à Presidência da República nas eleições deste ano, muita gente resgatou vídeos do caso e memes relacionados.
