O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, prometeu neste sábado (22) “declarar guerra aos narcoterroristas” caso seja eleito e disse que pretende classificar facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), além das milícias, como grupos terroristas.
As declarações aconteceram no ato de lançamento da candidatura de Douglas Ruas (PL) ao governo do Rio, no Maracanãzinho, na Zona Norte.
No evento, Ruas e o candidato a deputado federal Eduardo Pazuello (PL) fizeram apelos ao eleitorado feminino, um dos grupos nos quais o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tem dificuldade em angariar votos.
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— Marginais e narcoterroristas, vocês têm até dezembro para meter o pé do Brasil, pois nós vamos declarar guerra aos narcoterroristas — afirmou Flávio, durante o discurso.
O candidato também prometeu endurecer as penas para crimes como roubo de celulares.
Segundo ele, em um eventual governo, “ladrão de celular vai começar com oito anos de cadeia”.
Flávio ainda defendeu a castração química para condenados por estupro e abuso sexual de crianças.
— Vamos aprovar castração química para estupradores e abusadores de criança.
Não gostou? Vota no defensor de bandido — disse.
Ao falar sobre a situação da segurança pública no Rio, Flávio afirmou que crianças estariam sendo recrutadas pelo tráfico para operar drones com bombas e usou a situação para criticar os governos de Lula e do prefeito Eduardo Paes.
— Eu soltava pipa quando era criança, e hoje as crianças estão sendo treinadas pelo tráfico para usar drone com bomba.
Só falta a gente ter que comprar guarda-chuva blindado — afirmou.
Flávio também afirmou que criminosos devem ser retirados de circulação, independentemente de estarem vivos ou mortos:
— O bandido vai ser tirado de circulação em pé ou deitado, porque quem tem que andar sem medo na rua somos nós, que as ruas são nossas.
O evento no Maracanãzinho marcou o lançamento oficial da candidatura de Ruas ao governo do Rio.
Flávio é o principal padrinho político da chapa e vem participando das primeiras agendas do candidato no estado.
Os dois também estiveram juntos em uma caminhada em Copacabana no início da campanha.
Na última pesquisa Genial/Quaest, Ruas aparecia com 10% das intenções de voto, empatado com o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) e atrás de Eduardo Paes (PSD), que tinha 38%.
Douglas Ruas, Flávio Bolsonaro e Carlos Jordy em ato de campanha no Maracanãzinho
Fabiano Rocha
Críticas a adversários e apelo às mulheres
Antes de Flávio Bolsonaro discursar, Ruas criticou os governos do PT e a gestão de Eduardo Paes na Prefeitura do Rio.
Ele afirmou que pretende direcionar recursos públicos para áreas consideradas prioritárias e ironizou gastos com grandes eventos.
— Não é falta de dinheiro, porque dinheiro tem.
Tem dinheiro para show da Madonna e farra na Sapucaí.
Me perguntam se eu não quero show.
Eu quero show.
Quero um show de segurança.
No nosso governo vai ter show, mas o protagonista não é a Madonna nem o país, é você, cidadão — afirmou.
Ruas também fez um apelo às mulheres, dizendo que elas serão decisivas nas eleições e defendendo a autonomia financeira como política de proteção.
— Vocês são a maioria da população.
Vocês vão decidir o futuro do nosso Brasil.
A melhor política de proteção para as mulheres é autonomia financeira, para tomarem a decisão que quiserem quando quiserem — disse.
Um dos primeiros a discursar no encontro no Maracanãzinho, o deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) também falou do eleitorado feminino.
Ele afirmou afirmou que as mulheres serão decisivas no pleito e devem formar uma “onda conservadora” no país.
— As mulheres vão definir as eleições de 2026.
Vocês são mais conservadoras do que os homens.
Vocês avaliam mais todo o cenário.
Se já estamos empatados hoje e os homens já tomaram a decisão, as mulheres vão fazer a onda conservadora para limpar o país dessa corja — afirmou Pazuello.
Candidata a vice na chapa com Ruas, Fernanda Louback (PL) se dirigiu às mulheres ao discursar no ato.
Ex-presidente do PL Mulher de Niterói, a vereadora disse que as mulheres "foram abandonadas e esquecidas" e que ela e Ruas as protegeriam, caso a chapa fosse eleita:
— A gente vai ter um governador que é um policial.
Vocês serão protegidos.
Podem confiar na gente, é a minha palavra.
Vamos cuidar de vocês como eu cuido das minhas filhas.
O ato ocorre um dia depois da divulgação de uma nova pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial.
O levantamento mostra, porém, vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio entre as mulheres.
No primeiro turno, o petista aparece com 41% das intenções de voto nesse segmento, contra 29% do senador.
Entre os homens, a diferença é menor.
No cenário geral, Lula lidera o primeiro turno com 39%, contra 33% de Flávio.
Em um eventual segundo turno entre os dois, o presidente aparece com 47%, contra 43% do senador.
Em outro trecho do discurso, Pazuello defendeu a reversão das condenações e prisões relacionadas aos ataques de 8 de janeiro de 2023.
O deputado citou o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que a eleição representa uma oportunidade de “resgatar” o antigo presidente e os demais presos.
— É a chance de nos resgatarmos Jair Messias Bolsonaro.
É a chance de resgatar nosso presidente e todos que estão presos.
Dizer que o 8 de janeiro é golpe de Estado, não existe isso.
Não existe golpe invadindo prédios vazios no domingo — disse.
Candidato ao Senado pelo PL, o deputado federal Carlos Jordy também discursou no ato.
Na fala, ele associou o atual presidente a uma suposta defesa do crime organizado, enquanto atribuiu a Flávio a decisão dos EUA de classificar CV e PCC como organizações terroristas.
O parlamentar também fez menção a escândalos de corrupção recentes, como o do INSS, que associou ao filho do atual presidente, Fabio Luis, conhecido como Lulinha.
Ele também citou o Banco Master, no qual Flávio Bolsonaro está implicado devido ao financiamento de Daniel Vorcaro ao filme Dark Horse.
‘Rio Real’
Em sua fala, Douglas Ruas apresentou sua trajetória política e reforçou a tentativa de associar sua candidatura às demandas de moradores de diferentes regiões do estado.
Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, o candidato afirmou que conheceu as dificuldades do estado a partir de sua atuação na cidade da Região Metropolitana.
— O Rio Real é uma mãe que procura vaga na creche, um pai de família que quer ver a rua asfaltada.
Um idoso que quer atendimento de saúde.
Esse é o Rio Real.
O Rio da Zona Norte, da Zona Oeste.
Do interior — afirmou.
Ruas disse que sua experiência em São Gonçalo o levou a percorrer outras regiões do estado e identificar problemas que, segundo ele, precisam ser enfrentados pelo próximo governo.
Na área de segurança, Ruas afirmou que pretende impedir que jovens sejam atraídos pelo crime e prometeu ampliar a formação profissional.
Segundo ele, a ideia é que os estudantes deixem a escola com diploma e profissão.
O candidato também apresentou propostas para a área da saúde, como a criação de centros integrados para atendimento com especialistas, exames de imagem e realização de pequenas cirurgias.
