Flávio insinua, sem apresentar evidências, que Moraes e Alcolumbre articularam ação para desgastar sua candidatura - QTU Questões do Universo

Flávio insinua, sem apresentar evidências, que Moraes e Alcolumbre articularam ação para desgastar sua candidatura

Fonte: Bandeira da fonte

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, insinuou nesta quinta-feira, sem apresentar provas ou qualquer evidência que sustente a acusação, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teriam articulado uma ação contra ele com o objetivo de desgastar sua candidatura.

Em publicação nas redes sociais, Flávio afirmou que os dois teriam conversado “longamente” nesta quarta-feira, em Brasília, e que teriam articulado com o ministro Flávio Dino uma medida que classificou como ilegal.
“Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre teriam conversado longamente nesta quarta-feira (2/Set), em Brasília, e articulado com Flávio Dino alguma ação ilegal contra mim, com o único intuito de ‘reagir’ a André Mendonça e me desgastar eleitoralmente”, escreveu Flávio.
O senador não apresentou documentos, registros de conversas ou qualquer outro elemento para sustentar que a suposta reunião ocorreu nos termos descritos ou que os três ministros tenham articulado uma ação contra sua candidatura.
A publicação também não identifica qual seria a medida supostamente planejada.
A acusação ocorre em meio à escalada da crise no Supremo provocada pelas revelações do caso Master.
André Mendonça, relator das investigações, encaminhou à Procuradoria-Geral da República e ao STF um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Nas conversas, reveladas a partir de informações extraídas do celular de Vorcaro, o banqueiro buscava orientações de Moraes em meio à crise do banco e às vésperas de sua prisão.
O relatório também faz referências ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Três dias depois de Mendonça encaminhar o material à PGR, Moraes reagiu e, nesta quinta-feira, o ministro enviou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios de inteligência da PF que, segundo ele, apontam “fortes indícios” de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade na atuação de Mendonça.
Nessa esteira, Flávio associa a movimentação no Supremo a uma suposta articulação política contra sua candidatura.
Ele afirmou ainda que, “caso se confirme”, seria uma “comprovação de que o Brasil é uma várzea”.
Por fim, o candidato do PL à presidência também chama seus seguidores para comparecerem na manifestação de 7 de setembro, programada para ocorrer na Avenida Paulista.

Moraes e Alcolumbre mantêm uma relação próxima e têm participado de encontros e conversas políticas nos últimos meses.
O ministro também atuou como interlocutor na reaproximação entre Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A proximidade entre o ministro e o presidente do Senado vem sendo explorada por Flávio em seus ataques políticos.
O candidato do PL já havia afirmado, em discurso no Senado, que Moraes atuaria como uma espécie de articulador político de Lula junto a Alcolumbre.
A acusação ocorre um dia depois de Alcolumbre ter respondido publicamente às cobranças de Flávio por uma reação do Senado contra Moraes.
Durante uma sessão, o presidente da Casa citou o episódio em que Flávio buscou recursos de Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
— Eu vou voltar para a pauta porque, senão, terei que responder muitas agressões que, como presidente do Senado, estou recebendo nos últimos dias.
Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar: todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme.
E agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes — afirmou Alcolumbre no plenário.