O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, vai interromper as agendas de campanha nesta terça-feira e permanecer em Brasília para acompanhar as articulações no Congresso em torno da proposta que acaba com a escala 6x1.
Contrário à mudança defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o senador quer participar da construção de uma alternativa e fazer um contraponto a uma das principais bandeiras escolhidas pelo petista para a reta final da campanha.
A decisão ocorre durante o esforço concentrado do Congresso e num momento em que o governo tenta acelerar um pacote de medidas que pretende explorar eleitoralmente.
Além da PEC da 6x1, está prevista para esta terça no Senado a análise da medida provisória que acabou com a chamada “taxa das blusinhas”.
A MP também integra o acordo fechado por Lula com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para avançar com pautas prioritárias antes das eleições.
Flávio, segundo interlocutores, não deve participar da votação da medida.
O foco do candidato nesta terça será a jornada de trabalho.
Flávio tem defendido uma solução baseada na flexibilização das relações trabalhistas, em contraposição à fixação de uma nova jornada na Constituição.
Em entrevista à Record no último domingo, afirmou que cada trabalhador deveria ter liberdade para definir quanto pretende trabalhar e receber de acordo com essa escolha.
— Eu defendo a liberdade do trabalhador.
O trabalhador vai trabalhar quantas horas ele quiser.
Ele vai ter a flexibilidade, a liberdade de decidir e vai ser remunerado pela quantidade de horas que ele quer trabalhar — afirmou.
A intenção agora é transformar esse discurso em uma alternativa à proposta apoiada pelo governo.
No entorno de Flávio, há o reconhecimento de que simplesmente se posicionar contra o fim da escala 6x1 deixa o candidato numa posição delicada diante do apoio popular à mudança e abre espaço para Lula apresentar a direita como adversária da redução da jornada.
Pesquisa Quaest realizada em julho mostrou que 69% dos brasileiros são favoráveis à mudança, contra 22% contrários.
A movimentação ocorre em paralelo à estratégia montada pelo líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), para dificultar que a PEC seja aprovada durante o esforço concentrado.
Marinho pretende usar instrumentos regimentais para ampliar a discussão, como pedido de vista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), análise das emendas apresentadas e resistência a acordos que permitam abreviar os prazos para a votação em dois turnos.
A resistência à 6x1 contrasta com a postura em relação à MP das blusinhas.
Embora Flávio não deva votar a medida, aliados do candidato não planejam uma ofensiva para derrubá-la.
Se a MP perder a validade, volta a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, cenário que a oposição também considera de difícil defesa eleitoral.
A medida precisa ser aprovada pelo Congresso até 8 de setembro.
Apesar do esforço desta terça-feira, Flávio não deve participar da votação da PEC da 6x1 na quarta-feira na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O candidato tem viagem marcada para o Rio Grande do Sul, onde retomará as agendas eleitorais.
Ele participará de uma feira de agronegócio e irá gravar para o horário eleitoral de seus aliados no estado, entre eles o candidato ao governo Luciano Zucco (PL-RS).
