Flávio liga para Eduardo após crítica a Michelle e volta a pedir que irmão reduza ataques nas redes - QTU Questões do Universo

Flávio liga para Eduardo após crítica a Michelle e volta a pedir que irmão reduza ataques nas redes

Fonte: Bandeira da fonte

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, voltou a pedir ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu irmão, que reduza os ataques públicos a aliados durante a campaha eleitoral.
O telefonema para Eduardo, que mora nos Estados Unidos, ocorreu após o depois que ele compartilhou e endossou, no último domingo, um vídeo com críticas à candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal.
Na ocasião, Eduardo comentou “triste, mas verdadeiro” em uma publicação do influenciador Allan dos Santos que dizia preferir a eleição da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) à de Michelle.
O deputado também compartilhou o vídeo em suas próprias redes.
No vídeo, Allan chama a ex-primeira-dama de uma “incógnita” para a direita e questiona suas posições políticas.
A manifestação de Eduardo foi interpretada por aliados de Michelle como um endosso não apenas às críticas, mas também à defesa de que outros dois candidatos sejam eleitos para as vagas do Distrito Federal no Senado.
O episódio foi recebido com preocupação no QG de Flávio porque ocorre justamente quando a campanha tenta consolidar a reaproximação entre o presidenciável e a madrasta e ampliar a participação dela na corrida pelo Planalto.
A avaliação de aliados é que novas manifestações públicas de integrantes da própria família podem reabrir disputas que vinham sendo administradas e obrigar a campanha a gastar energia com crises internas.
Segundo esses interlocutores, Flávio já havia pedido anteriormente ao irmão que reduzisse ataques nas redes e evitasse ampliar conflitos dentro do próprio campo político.
Este pedido chegou a ser feito pessoalmente ao irmão, nas viagens que Flávio fez aos Estados Unidos.
Flávio e Eduardo foram procurados, mas não comentaram.
Histórico de embates
A manifestação do último domingo não é o primeiro embate público entre Eduardo e Michelle.
A relação entre os dois já havia se deteriorado durante a crise familiar aberta em junho, quando a ex-primeira-dama entrou em choque com Flávio por causa das articulações do PL no Ceará.
Na ocasião, Michelle criticou a aproximação do partido com o grupo de Ciro Gomes (PSDB) e defendeu espaço para a vereadora Priscila Costa (PL-CE), uma de suas principais aliadas, na disputa pelo Senado.
Flávio reagiu publicamente em defesa da condução partidária e de André Fernandes (PL-CE), abrindo uma troca de acusações que rapidamente envolveu os outros filhos de Jair Bolsonaro.
Eduardo entrou na discussão e fez críticas públicas à ex-primeira-dama.
Michelle reagiu afirmando que não havia sido atacada apenas por Flávio e acusou os irmãos de agirem de maneira coordenada contra ela.
— E não foi só ele.
Os irmãos vieram juntos, de forma coordenada, com textos bem parecidos uns com os outros.
Pareceu combinado, premeditado — afirmou Michelle, em junho.
A ex-primeira-dama também disse ter interpretado a atuação dos filhos de Bolsonaro como um sinal de que seu apoio não era desejado e chegou a deixar de seguir Eduardo e Carlos Bolsonaro nas redes sociais.
O episódio expôs uma relação já marcada por divergências sobre o espaço de Michelle nas decisões políticas do grupo.
Depois da crise, Flávio fez um pedido público de desculpas à madrasta, que respondeu dizendo que o perdoava.
Jair Bolsonaro também atuou para aproximar os dois, e a relação passou por uma reconstrução nas semanas seguintes.
Michelle gravou para a campanha presidencial, pediu votos para Flávio durante eventos de sua campanha no Distrito Federal e publicou registros ao lado do enteado.
A campanha também passou a negociar uma participação maior da ex-primeira-dama nos palanques do presidenciável fora de Brasília.
A presença de Michelle é considerada importante pelo QG principalmente na tentativa de reduzir a resistência de mulheres a Flávio e reforçar sua campanha entre o eleitorado evangélico.