Flávio reúne empresários sob desconfiança da Faria Lima: assessora detalha plano econômico e candidato promete ministros políticos e pacificação com STF - QTU Questões do Universo

Flávio reúne empresários sob desconfiança da Faria Lima: assessora detalha plano econômico e candidato promete ministros políticos e pacificação com STF

Fonte: Bandeira da fonte

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reuniu nesta quinta-feira, em São Paulo, banqueiros e empresários em um jantar com o objetivo de estreitar a relação com um mercado que ainda olha sua candidatura com desconfiança.
Diante dos convidados, a assessora econômica Daniella Marques detalhou propostas da campanha, enquanto o senador prometeu blindar a equipe econômica de indicações partidárias, admitiu a escolha de ministros com perfil político para facilitar a relação com o Congresso e defendeu uma pacificação com o Supremo Tribunal Federal (STF), afirmando que os conflitos entre os Poderes precisam ser resolvidos pela política.
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O encontro na casa do ex-presidente do Credit Suisse Brasil Marcelo Kayath foi considerado positivo e descontraído por pessoas presentes, mas também serviu para que Flávio fosse questionado sobre pontos de seu plano de governo.
O senador fez uma fala de cerca de dez minutos sobre suas propostas, com ênfase na área econômica, e falou sobre a intenção de cortar gastos, reduzir os juros e melhorar as condições da economia brasileira.
Embora sejam temas que Flávio já vem apresentando em discursos e entrevistas, a exposição foi feita de maneira mais direcionada ao perfil dos convidados, em uma conversa reservada com representantes de bancos e empresas.
Daniella Marques teve papel central na condução da discussão e foi chamada pelo candidato em diferentes momentos para detalhar pontos da agenda econômica.
Comício do PL na Praça Rui Barbosa, em Nova Iguaçu, com a presença do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, e do candidato ao Governo do Estado, Douglas Ruas.
Guito Moreto
A aproximação com o setor privado tem sido intensificada por Flávio nos últimos dias.
Antes do jantar, o candidato passou pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), participou de reuniões com representantes do setor financeiro e esteve na sede do Bradesco.

A estratégia é combinar a identificação de Flávio com o eleitorado bolsonarista com uma apresentação mais previsível ao empresariado.
Enquanto a comunicação eleitoral recupera temas e símbolos associados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o candidato tem procurado, nos encontros com empresários, adotar um discurso mais moderado sobre temas institucionais e transmitir maior segurança sobre a condução da economia.
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No jantar, Flávio foi questionado sobre a relação entre os Poderes e evitou defender o impeachment de ministros do STF, uma bandeira recorrente de setores do bolsonarismo.
Diante dos empresários, afirmou que as crises precisam ser resolvidas pela política e defendeu um esforço para “virar a página” sem revanchismo.
A postura contrasta com manifestações feitas em outros momentos por integrantes do bolsonarismo e pelo próprio Flávio, que já defendeu medidas contra integrantes da Corte.
Para o público empresarial, porém, o senador procurou marcar que um eventual governo buscaria uma solução política para os conflitos institucionais.
A disposição para negociar também apareceu quando Flávio foi questionado sobre a formação de um eventual governo.
Apesar de chegar à eleição sem uma coalizão ampla de partidos em torno de sua candidatura, o senador afirmou estar aberto a composições políticas caso seja eleito.
Aos presentes, disse ainda que não pretende formar um ministério composto apenas por nomes técnicos.
Na avaliação apresentada por ele, integrantes do primeiro escalão também precisam ter capacidade de articulação política para avançar suas agendas no Congresso e entregar resultados.
Ao mesmo tempo, Flávio procurou estabelecer uma fronteira entre a composição política que admite fazer e o comando da economia.
Nos encontros com empresários, afirmou que pretende blindar a equipe econômica de indicações partidárias e preservar determinadas áreas da barganha com as legendas que venham a integrar sua base.
A promessa busca responder a uma preocupação recorrente do setor privado sobre o grau de autonomia que uma eventual equipe econômica teria diante das negociações necessárias para construir maioria no Congresso.
Entre as áreas citadas como parte desse núcleo a ser preservado está o Ministério de Minas e Energia.
Na área fiscal, Flávio também passou a apresentar compromissos mais específicos.
Na Fiesp, falou em responsabilidade fiscal, redução de despesas e queda dos juros de longo prazo.
No jantar, mencionou uma redução de gastos equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB), a revisão do atual arcabouço fiscal e a criação de um mecanismo de governança para decisões com impacto nas despesas públicas.
Uma das possibilidades discutidas foi dar papel maior à Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado.
Daniella foi chamada em diferentes momentos para explicar aos convidados os detalhes das propostas.
Os empresários também aproveitaram a reunião para expor suas próprias preocupações.
Um dos assuntos foi a situação da economia e as dificuldades enfrentadas por empresas brasileiras, com menções a companhias em recuperação judicial, como a Casas Bahia.
Flávio ouviu ainda reclamações relacionadas à segurança pública, que apareceu como uma preocupação dos participantes mesmo em um encontro organizado inicialmente para aproximar o candidato do mercado.
Um dos relatos feitos durante a conversa foi sobre a sensação de insegurança na própria região financeira de São Paulo.
Segundo um dos presentes, funcionários de empresas da Faria Lima relatam que, para caminhar pela avenida, alguns saem de casa com dois celulares, deixando um aparelho no bolso para entregar em caso de assalto e escondendo o telefone que realmente usam.
Apesar dos acenos ao mercado, a aproximação ainda enfrenta obstáculos.
Participantes do jantar relataram que saíram do encontro sem enxergar um programa suficientemente robusto, principalmente para conter o crescimento da dívida pública e detalhar de onde sairiam os cortes de despesas prometidos pela campanha.
O jantar também não terminou com uma declaração explícita de apoio a Flávio.
Segundo pessoas que participaram da conversa, nenhum dos empresários presentes declarou voto no senador ou fez uma manifestação de adesão à candidatura durante o encontro.
A avaliação de que o apoio teria ficado “subentendido” partiu de pessoas próximas à campanha, mas não houve um momento em que os convidados tenham dito explicitamente que votarão em Flávio ou que fecharam com sua candidatura.
A leitura dos auxiliares de Flávio, ainda assim, é de que a própria realização do encontro representa uma sinalização relevante.
A avaliação é que, embora banqueiros e empresários não sejam os responsáveis por decidir uma eleição e o voto esteja, na visão da campanha, na rua, a disposição de nomes importantes do mercado em participar de uma conversa com Flávio transmite a mensagem de que o candidato tem espaço para dialogar com esse setor.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) realiza ato em Copacabana para lançar candidatura à Presidência
Mauro Pimentel/AFP
A ofensiva ocorre depois de um período de desgaste na relação do candidato com o mercado.
A divulgação de conversas em que Flávio pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro recursos para financiar a produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, aumentou a resistência de integrantes da Faria Lima que já preferiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como candidato da direita à Presidência.
Desde então, Flávio passou a intensificar a interlocução com empresários e integrantes do mercado financeiro.
Kayath, anfitrião do jantar desta semana, já havia promovido em maio um encontro do senador com investidores em Miami e passou a funcionar como uma das pontes da candidatura com integrantes do setor.
Entre os convidados estavam Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, Milton Maluhy Filho, do Itaú, Gilson Finkelsztain, do Santander, Roberto Campos Neto, do Nubank, Daniel Goldberg, da Lumina, Richard Gerdau, da Gerdau, Pedro Parente, da eBCapital, José Galló, ex-Renner, João Camargo, da Esfera, e Fabio Carvalho, da Abril, entre outros.
O jantar terminou por volta das 22h.
Flávio deixou o encontro para descansar antes de uma sexta-feira dedicada à preparação para sua entrevista ao Jornal Nacional, prevista para a noite.
O candidato deve passar boa parte do dia ao lado do marqueteiro Duda Lima, em simulações de perguntas e respostas para a entrevista.
A equipe também planeja utilizar um grupo focal para acompanhar a participação de Flávio no telejornal e avaliar posteriormente a percepção dos espectadores sobre seu desempenho.
A ideia é colher impressões sobre as respostas, a clareza das mensagens e a capacidade de comunicação do candidato.
A entrevista será uma das primeiras oportunidades de Flávio de se apresentar a um público mais amplo no horário eleitoral e fora das redes sociais e dos atos de campanha.