Em mais um jantar com cerca de 20 pessoas, entre banqueiros e empresários, para tentar convencer a Faria Lima que sua candidatura é viável, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) deixou a mesma impressão de encontros anteriores: falta um programa de governo robusto, com propostas concretas e mais detalhadas para cortar gastos, frear a trajetória de crescimento da dívida pública, garantindo um crescimento sustentável da economia, além de atacar outras áreas problemáticas do país como segurança pública, educação.
Faça o teste: Com qual candidato a presidente você mais se identifica?
A divulgação de conversas em que Flávio pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a produção do filme "Dark Horse", afastou o político da Faria Lima.
Segundo interlocutores, a imagem do candidato ficou arranhada entre um setor que já preferia o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para enfrentar Lula (PT) na eleição presidencial.
Nos últimos meses, entretanto, o senador vem tentando ganhar o apoio do segmento empresarial e financeiro, e tem dito que a relação do filme com o banqueiro é um "assunto encerrado".
Uma das estratégias para ganhar a confiança do mercado passa por aumentar a exposição de Daniella Marques, que tem intensificado a participação em encontros e debates do setor para mostrar as propostas de Flávio nessa área.
O encontro aconteceu na noite desta quinta-feira (28), no Itaim Bibi, em São Paulo, na casa de Marcelo Kayath, sócio da gestora QMS Capital e ex-presidente do Credit Suisse no Brasil.
Foi Kayath quem promoveu um encontro de Flávio com investidores em Miami, nos Estados Unidos, em maio.
O candidato chegou ao local às 20h e saiu às 22h, e estava acompanhado de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e coordenadora do plano econômico da campanha.
Em muitos momentos, disse um participante, Flávio pediu a Daniella que explicasse os principais pontos para reduzir a dívida pública.
Foram apresentadas ideias como "harmonia entre os Poderes" para tomar decisões de gastos, amparada por um órgão de governança, que pode ser a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado Federal.
Num eventual governo do PL, a equipe econômica de Flávio vai buscar um corte de gastos de gastos de 1,5% do PIB, com revisão do arcabouço fiscal.
No jantar, ainda segundo o GLOBO apurou, o candidato também reforçou críticas ao atual governo, especialmente em relação ao descontrole dos gastos.
Segundo o colunista do GLOBO, Lauro Jardim, estavam presentes no encontro Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Milton Maluhy Filho (Itaú), Gilson Finkelsztain (Santander), Roberto Campos Neto (Nubank), Daniel Goldberg (Lumina), Richard Gerdau (Gerdau), Pedro Parente (eBCapital), José Galló (ex-Renner), João Camargo (Esfera) e Fabio Carvalho (Abril).
(Colaborou Hyndara Freitas)
