‘Flor do diabo’: nova espécie negra e sem folhas é descoberta em parque nacional da Tailândia - QTU Questões do Universo

‘Flor do diabo’: nova espécie negra e sem folhas é descoberta em parque nacional da Tailândia

Fonte: Bandeira da fonte

Uma expedição de botânicos das universidades Chulalongkorn e Príncipe de Songkla identificou uma nova espécie de planta no Parque Nacional Thong Pha Phum, no oeste da Tailândia.
Batizada de Thismia daemona, a espécie chamou a atenção pela aparência escura, pela ausência de folhas e pelo modo de vida escondido sob o solo da floresta.
Descrita em estudo publicado na revista científica PhytoKeys, em agosto, a planta pertence ao gênero Thismia, grupo de pequenas espécies conhecidas popularmente, em alguns lugares, como “lanternas de fada”.
Segundo a publicação divulgada pelo Phys.org, a descoberta ocorreu em um ambiente incomum: a quase mil metros de altitude, em uma floresta montana com períodos sazonais de seca.
— A descoberta da Thismia daemona no Parque Nacional Thong Pha Phum foi, sem dúvida, uma grande surpresa — afirmou Sahut Chantanaorrapint, pesquisador da Universidade Príncipe de Songkla.
— Espécies desse gênero normalmente ocorrem em florestas úmidas de terras baixas durante todo o ano.
Aparência inspirou o nome de ‘flor do diabo’
A espécie tem flores predominantemente pretas, com estruturas semelhantes a chifres sobre uma formação em forma de cúpula.
Tons intensos de vermelho e laranja na base lembraram aos pesquisadores olhos brilhantes, inspirando o apelido de “flor do diabo”.
— Nossa equipe concordou unanimemente que nomeá-la Thismia daemona capturava perfeitamente sua essência enigmática e diabólica — disse Chantanaorrapint.
A planta também tem uma forma incomum de sobrevivência: sem folhas, não produz alimento pela fotossíntese como a maioria das plantas.
Em vez disso, depende de fungos do subsolo para obter nutrientes.
A descoberta elevou para 16 o número de espécies do gênero Thismia registradas na Tailândia e ampliou o conhecimento sobre sua distribuição geográfica.
No entanto, os cientistas alertam para o risco de desaparecimento: apenas uma população, com menos de 50 indivíduos, é conhecida em uma área menor que um campo de futebol.
Por causa da distribuição extremamente limitada e da proximidade com uma região visitada por turistas, a espécie foi provisoriamente classificada como criticamente ameaçada.
Para os pesquisadores, a preservação do microhabitat e a participação das comunidades locais serão decisivas para garantir sua sobrevivência.