Uma equipe de engenheiros da SpaceX está a caminho da Ilha Christmas, território australiano no Oceano Índico, para recuperar e inspecionar uma seção da nave Starship que retornou à Terra após um voo de teste e acabou no mar.
O veículo, com cerca de 52 metros de comprimento, foi rebocado para uma área próxima à costa da ilha depois de passar semanas sendo monitorado em condições de mar agitado.
A estrutura fazia parte do 13º voo de teste da Starship, lançado do Texas em 24 de julho.
Após atingir a órbita e liberar 20 satélites sem carga operacional, o estágio superior da nave reentrou na atmosfera e pousou no Oceano Índico, onde passou a ser alvo de uma operação de recuperação inédita para esse segmento do foguete.
Em publicação nas redes sociais, a SpaceX informou que sua equipe conseguiu conduzir a Starship até uma posição próxima à costa da Ilha Christmas.
Segundo a empresa, especialistas realizarão análises adicionais em águas mais calmas antes de decidir sobre o transporte da estrutura de volta à base de testes da companhia.
Atração turística?
A presença do veículo gigante virou assunto entre os moradores da ilha — que tem menos de 2.000 habitantes.
Ilha Christmas é conhecida pelo visual paradisíaco
Wikimedia Commons
David Watchorn, presidente da Associação de Turismo da Ilha Christmas, afirmou ao jornal britânico The Guardian que muitos residentes acordaram e avistaram o que pareciam ser grandes embarcações no horizonte.
“Mas quando você olhava com mais atenção, o que parecia um navio era, na verdade, um foguete preto”, disse.
A expectativa local é que a atenção internacional gerada pela operação possa impulsionar o turismo na ilha, localizada a aproximadamente 1.550 quilômetros da costa da Austrália Ocidental.
O destino é conhecido por sua biodiversidade, incluindo a famosa migração dos caranguejos-vermelhos e espécies endêmicas de morcegos.
Boas notícias para exploração espacial
As autoridades estabeleceram uma zona de exclusão ao redor do veículo para impedir a aproximação de embarcações recreativas.
A Agência Espacial Autstraliana informou que acompanha as atividades de recuperação em coordenação com a empresa de Elon Musk.
Operação para rebocar módulo de nave Starship, da SpaceX, para a Ilha Christmas
Reprodução/X
Especialistas do setor avaliam que a operação pode representar um passo importante nos esforços para reutilizar não apenas o primeiro estágio dos foguetes, mas também componentes de etapas posteriores do lançamento.
Para Hadrien Devillepoix, da Curtin University, a demonstração reforça o potencial de reaproveitamento integral dos sistemas que compõem os veículos espaciais de nova geração.
A versão da Starship envolvida no teste foi desenvolvida para missões de transporte de satélites e, futuramente, voos tripulados.
Ainda não está claro se algum material permanecerá na ilha após a conclusão das análises ou se toda a estrutura será removida pela empresa.
Caso também desperta preocupação
O episódio ocorre poucas semanas depois de outro caso envolvendo detritos espaciais na Austrália, quando esferas metálicas atribuídas a um corpo de foguete apareceram em praias do estado de Queensland.
Para Alice Gorman, arqueóloga espacial da Flinders University, o aumento acelerado do número de satélites em operação está ampliando também a quantidade de componentes de foguetes que permanecem em órbita ou retornam à Terra.
“Passamos de cerca de 5.000 satélites ativos para aproximadamente 16.000, dos quais cerca de 10.000 fazem parte das constelações da SpaceX,” afirmou a pesquisadora.
Segundo ela, estágios superiores podem representar riscos por conter resíduos de combustível ou materiais potencialmente tóxicos, embora a nave recuperada pareça relativamente intacta.
*Com supevisão de Daniel Pinheiro
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