Um foguete perdido Falcon 9 da SpaceX, que pesa cerca de quatro mil quilos, deve colidir com a Lua na madrugada desta quarta-feira (5).
É um dos raros casos de colisão na superfície lunar provocada pelo homem.
O caso deve gerar uma cratera de cinco metros de profundidades, esperam os cientistas.
Além disso, será levantada uma nuvem de detritos de 20 quilômetros de altura.
A parte superior do foguete, que lançou dois módulos de pouso lunar ao espaço em janeiro de 2025, se desprendeu enquanto as duas espaçonaves seguiam seu caminho.
A missão foi parcialmente bem-sucedida, já que o módulo Blue Ghost-1 da Firefly pousou com sucesso, mas o módulo Hakuto-R da iSpace, do Japão, caiu na superfície lunar.
Mas o foguete, que tem cerca de 14 metros de comprimento e 3,6 metros de largura, permaneceu em órbita desde então.
Ele deve se chocar com a superfície lunar a uma velocidade de 8.700 km/h.
A diretora de Ciência da NASA e dos Programas Dragon da SpaceX, Julianna Scheiman, afirmou em uma coletiva de imprensa na segunda-feira que a empresa seguiu 'as regras e regulamentos apropriados' para o descarte adequado do segundo estágio do Falcon 9 após o lançamento em 15 de janeiro de 2025, mas 'o que aconteceu foi essencialmente uma combinação de atividade solar e forças gravitacionais que o colocaram em uma trajetória em direção à Lua'.
Momento do lançamento da Falcon 9 com veículo espacial.
Divulgação/SpaceX
O impacto, entretanto, será muito rápido e impossível de ser visto a olho nu.
Mesmo quem estiver com telescópios muito grandes podem não ver nada, de acordo com um estudo sobre a colisão.
As fotos de antes e depois serão tiradas pelo Lunar Reconnaissance Orbiter, um pequeno satélite que orbita a Lua, mas provavelmente levará uma ou duas semanas para que sejam vistas, confirmou a NASA.
Segundo o estudo, será difícil ou impossível detectar o clarão do impacto, pois ele ocorrerá no lado iluminado da Lua.
Até o momento, nenhum clarão de impacto, natural ou artificial, jamais foi observado no lado iluminado da Lua, afirmam os pesquisadores.
A Lua é atingida regularmente por objetos, mas geralmente são fenômenos naturais, como meteoroides.
O número de impactos artificiais é relativamente pequeno.
O objeto é significativamente mais massivo do que a maioria dos impactores lunares naturais, mas também se move muito mais lentamente, segundo o estudo.
Mesmo assim, o impacto será equivalente a 2,8 toneladas de TNT, de acordo com o estudo, e deixará uma cratera de 20 a 30 metros de diâmetro e cerca de 5 metros de profundidade.
Veículo após lançamento para o espaço.
Divulgação/SpaceX
O primeiro objeto feito pelo homem a atingir a Lua foi uma colisão intencional lançada pela União Soviética em 1959.
Algumas partes de espaçonaves construídas pelos EUA atingiram a Lua durante as missões Apollo, de 1969 a 1972.
Uma sonda robótica japonesa atingiu a Lua em 1993 e um satélite da Agência Espacial Europeia colidiu com a superfície lunar em 2006.
Em 2009, a NASA propositalmente colidiu o estágio superior de um foguete contra uma cratera permanentemente sombreada no polo sul da Lua para determinar se existia gelo de água ali.
O impacto expôs uma pluma de material que poderia não ter recebido luz solar direta por bilhões de anos.
A missão confirmou a presença de gelo de água no polo sul lunar, uma das principais razões pelas quais países como os Estados Unidos e a China desejam construir bases lunares.
