Foguete sul-coreano desvia de rota no Maranhão e tem voo interrompido pela FAB após 35 segundos; veja o vídeo - QTU Questões do Universo

Foguete sul-coreano desvia de rota no Maranhão e tem voo interrompido pela FAB após 35 segundos; veja o vídeo

Fonte: Bandeira da fonte

O primeiro teste de voo do foguete sul-coreano Sebit foi encerrado de forma prematura na tarde desta quarta-feira (19), no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.
Fabricado pela empresa privada Innospace, o veículo suborbital decolou sem imprevistos de uma plataforma própria, mas apresentou uma anomalia em sua trajetória durante a fase de ascensão
Em cumprimento às normas de segurança da instalação militar, a Força Aérea Brasileira (FAB) ativou o Sistema de Terminação de Voo, interrompendo o voo no ar com uma explosão controlada 35 segundos após a decolagem e garantindo a queda dos destroços em uma zona marítima isolada, sem registro de danos ou feridos.
Foguete sul-coreano desvia de rota no Maranhão e tem voo interrompido pela FAB
Embora a missão tenha sido abortada, a companhia asiática afirmou que conseguiu coletar dados de telemetrias até o instante exato do corte de segurança.
A equipe de engenharia agora vai processar as informações captadas sobre os sistemas de orientação, navegação e controle, além de avaliar o desempenho da propulsão, a altitude e a distância percorrida.

— Os dados e a experiência operacional garantidos por meio deste primeiro voo de teste serão um ativo importante para o avanço dos serviços de teste e verificação suborbital do Sebit.
Por meio de voos repetidos, aumentaremos continuamente a confiabilidade do serviço e transformaremos o Sebit em uma plataforma de transporte espacial suborbital focada em missões, na qual os clientes possam confiar — afirmou Soojong Kim, fundador e CEO da Innospace.
O objetivo da análise é isolar a causa que originou o desvio para implementar as correções exigidas antes da fabricação de um novo protótipo.
O episódio soma-se aos desafios da operadora estrangeira no país, que já havia lidado com a perda de outro vetor orbital comercial, o Hanbit-Nano, em um lançamento em dezembro de 2025 a partir da mesma base.

Decolagem do Sebit em Alcântara, no Maranhão
Divulgação/Innospace
Diferente dos grandes veículos projetados para posicionar constelações de satélites na órbita da Terra, o Sebit possui um escopo de atuação voltado à pesquisa científica.
O foguete tem um estágio único, impulsionado por um motor híbrido capaz de transportar cargas úteis a altitudes de até 100 quilômetros.

Durante esse percurso parabólico, o equipamento cria uma janela temporária de microgravidade, oferecendo um laboratório dinâmico para que clientes realizem experimentos complexos e validem tecnologias antes de enviá-las ao espaço profundo.
O disparo inaugural no Brasil visava justamente comprovar a estabilidade operacional desse serviço.
Estreia da estatal ALADA no mercado aeroespacial
Para o ecossistema brasileiro, a operação transcende o contratempo técnico e marca uma estreia na gestão comercial de sua infraestrutura.
Essa foi a primeira missão viabilizada sob a mediação da ALADA, a Empresa Brasileira de Projetos Aeroespaciais.

Estabelecida no ano passado com o propósito de capitanear os negócios do setor e atrair a iniciativa privada, a estatal estruturou o acordo comercial para o uso do porto espacial de Alcântara.

O projeto da Innospace visa transformar o Maranhão em um polo permanente e gerar demandas locais de logística e aquisições.
A empresa asiática afirmou ao GLOBO que o interesse no Brasil vai muito além da posição equatorial, que propicia economia de combustível.
Centro de Lançamentos de Alcântara, principal base aeroespacial do Brasil
Divulgação: FAB
— Para a Innospace, Alcântara não é apenas um local de lançamento geograficamente vantajoso, mas uma importante base operacional e de negócios apoiada por cooperação institucional estabelecida e experiência acumulada de campanha — afirma Jae Min Kim, porta-voz global da empresa.
A startup sul-coreana já atua no país por meio de sua subsidiária local, a Innospace do Brasil, estabelecida em novembro de 2020, e tem um acordo de uso do centro espacial válido por cinco anos, assinado em 2022.
À medida que a frequência de voos e a escala de negócios aumentarem, o plano é fomentar a cadeia produtiva maranhense.
— A empresa tem como objetivo gerar uma demanda comercial sustentável por lançamentos e contribuir para o desenvolvimento de um ecossistema conectado com as capacidades institucionais, industriais e de pesquisa do Brasil — acrescentou Kim.