Forças especiais de Israel capturaram um líder militante do Hamas em uma operação na Cidade de Gaza nesta terça-feira, enquanto ataques aéreos israelenses destinados a proteger essas tropas mataram quatro palestinos, disseram autoridades.
As Forças Armadas de Israel afirmaram em comunicado que forças especiais da agência de inteligência Shin Bet capturaram o chefe do serviço de segurança interna do Hamas em uma operação conjunta com os militares em uma área da Cidade de Gaza controlada pelo grupo.
Horas depois da operação, o Ministério do Interior de Gaza, controlado pelo Hamas, afirmou que um integrante do grupo, Moin Al-Arabeed, ficou ferido e foi capturado por Israel, enquanto sua mulher foi morta e alguns de seus filhos ficaram feridos.
Embora o Hamas não tenha identificado sua função, Al-Arabeed é conhecido como um integrante influente do serviço de segurança do grupo.
Em comunicado, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, elogiou o Shin Bet e as Forças Armadas pelo que descreveu como uma operação ousada.
Ele afirmou que o líder do Hamas era responsável por esconder e transportar reféns israelenses capturados no ataque contra Israel liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Assim como o comunicado das Forças Armadas, Netanyahu não identificou o líder do Hamas.
Os militares disseram que o integrante do grupo foi levado para Israel para ser interrogado pelas forças de segurança israelenses.
Durante a operação, a Força Aérea israelense realizou ataques “para eliminar ameaças” em terra, disseram os militares, acrescentando que nenhum soldado ficou ferido.
Testemunhas disseram que aviões de guerra israelenses dispararam pelo menos 12 mísseis perto da área de Katiba, no oeste da Cidade de Gaza, uma região lotada de famílias deslocadas que foram obrigadas a deixar suas casas.
Pelo menos quatro pessoas, incluindo duas crianças, morreram e várias outras ficaram feridas, disseram médicos.
Em outras áreas, outras duas mortes de palestinos foram registradas, elevando para seis o número de mortos nesta terça-feira.
As vítimas foram uma criança morta por disparos israelenses no centro de Gaza e um integrante do serviço de defesa civil morto em um ataque israelense contra Jabalia, ao norte da Cidade de Gaza, disseram autoridades de saúde.
Palestinos carregam o corpo de Abdullah Hamouda, de 14 anos, que, segundo autoridades de saúde, foi morto em um ataque militar israelense, durante seu funeral na Cidade de Gaza, na terça-feira, 1º de setembro de 2026
AP/Jehad Alshrafi
Cessar-fogo não interrompeu ataques
Um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos que entrou em vigor em outubro de 2025 interrompeu os combates em grande escala que haviam devastado o enclave, mas não pôs fim aos ataques israelenses.
Israel afirma que essas operações têm como objetivo impedir ataques do Hamas e de outros grupos militantes palestinos e acusa o Hamas de tentar se restabelecer em Gaza, cuja maior parte está ocupada pelas Forças Armadas israelenses.
O Hamas afirma que Israel violou repetidamente a trégua e prejudicou os esforços para avançar em um plano mais amplo do presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar a guerra.
O plano inclui a retirada das tropas israelenses de Gaza e o desarmamento do Hamas.
Em comunicado nesta terça-feira, o Hamas afirmou que entrou em contato com mediadores e com o enviado do Conselho da Paz de Trump para Gaza, Nickolay Mladenov, e pediu que pressionassem Israel, alertando que os ataques israelenses estavam enfraquecendo o acordo de cessar-fogo.
Mais de 1,3 mil palestinos foram mortos em Gaza desde que o cessar-fogo entrou em vigor, em outubro de 2025, segundo autoridades de saúde de Gaza.
As Forças Armadas israelenses afirmam que quatro soldados israelenses foram mortos em ataques de militantes durante o mesmo período.
