Após série de eventos climáticos extremos no Brasil, a pergunta que fica é: estamos passando por isso por conta do Super El Niño?.
Para responder essa dúvida, durante o Estúdio CBN desta sexta-feira (31), Tatiana Vasconcellos recebeu Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, que elucidou a relação entre os eventos recentes extremos e a chegada do El Niño.
Durante a entrevista, o secretário iniciou frisando que as ventanias recordes em São Paulo e Rio de Janeiro não foram provocadas pelo El Niño, mas sim por um choque térmico entre uma frente fria e um massa de ar quente.
Já no caso do Rio Grande do Sul, Astrini diz que é possível enxergar “alguma influência”.
Como destacou o especialista, o El Niño é um fenômeno natural que ocorre há milhares de anos, assim como os ventos e chuvas, porém alertou que “eles estão mais intensos por conta da mudança do clima”.
“O que aconteceu em São Paulo, essas rajadas de vento, foram intensificadas pela ação do clima", explicou.
Da mesma forma, o El Niño também sofre com essas mudanças.
Astrini explicou que o denominado “Super El Niño” acontece por ser um fenômeno climático natural, potencializado pelo aquecimento global, ocorrendo em intervalos cada vez menores e com força sem precedentes.
“O El Niño é um fenômeno natural, mas ele vai ficando cada vez mais intenso por conta da mudança climática.
O El Niño bagunça ainda mais o clima, um clima que já está extremo exatamente por conta do aquecimento do planeta."
O impacto psicológico
Muito além dos danos materiais, os eventos climáticos extremos também provocam um impacto profundo na saúde mental e no bem-estar das populações atingidas.
A reconstrução de pontes e estradas costuma ter prazo e orçamento, mas o trauma coletivo vivenciado durante uma tragédia não se resolve com a mesma velocidade.
"Quando uma circunstância grave acontece, os efeitos são de longo prazo, inclusive os efeitos psicológicos, que são devastadores”, explicou Marcio ao recordar as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024.
“Dois terços da população do Rio Grande do Sul ainda sente algum nível de ansiedade ou de trauma”, o que, segundo ele, desestrutura a dinâmica social e econômica do local atingido.
