'Gelei quando recebi um vídeo falso pornográfico com o meu rosto', diz Paolla Oliveira

Fonte: Bandeira da fonte

A atriz Paolla Oliveira criticou o uso da inteligência artificial (IA) para alterar suas fotos e gerar conteúdos falsos.
Ela afirmou que essas ferramentas potencializam a objetificação das mulheres.

Em entrevista ao Fantástico, a atriz relatou ter recebido um vídeo pornográfico falso com seu rosto.
"Você sabe que não é você, mas não tem como fazer nada sobre aquilo", disse ela, descrevendo a situação como vexatória.

Na semana anterior, Paolla Oliveira já havia utilizado as redes sociais para denunciar casos de deepfake.
Nestes casos, a IA foi usada para criar conteúdos sexuais falsos dela.

NetLab e a monetização do deepfake

Um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (NetLab) da UFRJ identificou 198 anúncios falsos.
Eles usavam a imagem da atriz em três meses de monitoramento.

Desses anúncios, 191 direcionavam para grupos de aplicativos de mensagens.
Nesses grupos, centenas de deepfakes pornográficos eram vendidos.

"Esses criadores de conteúdo fizeram esses conteúdos falsos para monetizar.
A plataforma também ganha dinheiro ao distribuir para os usuários", explicou Marie Santini, diretora do NetLab.

Legislação contra o uso indevido da IA

Desde 2023, uma nova lei aumentou a pena para crimes de violência contra a mulher.
A medida se aplica a casos cometidos com uso de IA ou tecnologias que alteram a imagem ou voz da vítima.

No mês passado, o Senado também aprovou um projeto de lei que aumenta penas para crimes sexuais contra crianças.
Este texto prevê o uso da inteligência artificial, mas ainda não foi sancionado.

"A gente gostaria de ter uma lei, de ter algum rigor para isso", desabafou Paolla Oliveira.
Ela ressaltou que o avanço da legislação não acompanha a velocidade da tecnologia.

Paolla avalia que é fundamental fortalecer a autoestima das mulheres.
Assim, elas não sentirão vergonha de algo que não fizeram, nem de uma imagem que não as representa.