Genial/Quaest: 43% dizem que Lula reagiu mal ao tarifaço; índice avança sete pontos - QTU Questões do Universo

Genial/Quaest: 43% dizem que Lula reagiu mal ao tarifaço; índice avança sete pontos

Fonte: Bandeira da fonte

A proporção de eleitores brasileiros para quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu "mal" ao novo tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos avançou sete pontos e chegou a 43%, indica a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira.
Outros 38% avaliam que o petista reagiu "bem" às medidas anunciadas pela gestão de Donald Trump, e 4% "nem bem, nem mal".
Na sondagem anterior, realizada em maio, 36% eram críticos à reação do petista e 39% o apoiavam.
Desta vez, 15% não souberam ou não responderam, cinco pontos a menos que em maio.
Outro levantamento do instituto, divulgado em julho, apontou que a maioria dos brasileiros atribui a responsabilidade pela imposição de tarifas a Flávio Bolsonaro (PL).
A Quaest questionou os entrevistados com quem eles mais concordavam no embate político: 51% citaram o presidente Lula (PT) e 30%, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na nova sondagem, a Quaest voltou a perguntar quem melhor defende os interesses do Brasil hoje.
Se em julho 51% citavam Lula, agora foram 46%, num recuo de cinco pontos.
Aqueles que defenderam Flávio Bolsonaro nesse ponto avançaram de 34% a 38%.
E 9% não souberam/não responderam.
O levantamento foi realizado entre os dias 31 de julho e 3 de agosto, com 2.004 entrevistas.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-06591/2026.
Após o anúncio do novo tarifaço, o governo Lula repudiou a taxação e vinculou a medida à atuação do clã Bolsonaro, a quem chamou de "falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros".
Flávio, por sua vez, respondeu que Lula "não tem mais condições de ser o presidente do Brasil", alegou "atraso, incompetência e vingança" da atual gestão nacional e chamou o adversário de "Biden brasileiro"— numa referência ao ex-presidente democrata Joe Biden, alvo de ataques do chefe da Casa Branca e da base trumpista.
No mês passado, Flávio discursou em Washington contra o tarifaço sobre produtos brasileiros e defendeu o Pix — numa tentativa de contornar impactos negativos para a campanha pela atuação bolsonarista em prol de sanções estrangeiras contra supostas violações de direitos de aliados.
Em maio, em meio à crise da pré-campanha pelas revelações do elo com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, o pré-candidato do PL à Presidência foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca.
Posou para fotos com ele e disse ter discutido o combate ao crime organizado e investimentos estratégicos.
Governistas passaram a atribuir ao grupo a pecha de "entreguista", especialmente após uma carta de Flávio em que ele defende a intenção de "livrar" o Brasil "das garras" do Mercosul (organização intergovernamental regional sul-americana) e aliviar a carga regulatória e tributária sobre empresas de cartão de crédito e outros meios de pagamento — cerne dos ataques de Washington ao Pix.
Enquanto isso, bolsonaristas reforçaram o discurso de que o Planalto "provocou" os Estados Unidos e não agiu para evitar o tarifaço.
Após o anúncio do tarifaço, Rubio afirmou que Lula não negociou de "boa fé".
A agenda, de acordo com pessoas próximas a Flávio, foi articulada por interlocutores ligados ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, com participação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos, e do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do bolsonarismo no entorno republicano americano.
Veto a visitas a Bolsonaro
A pesquisa mostra ainda que, para a maioria dos eleitores brasileiros (52%), a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de proibir as visitas de Flávio Bolsonaro (PL) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi "errada".
Outros 41% veem como "certa" a ordem judicial.
A decisão, válida por 90 dias, foi determinada no último dia 13 de julho, após o parlamentar divulgar em suas redes sociais uma carta escrita pelo pai sobre sua campanha à Presidência da República.
Para a defesa do ex-presidente, conforme mostrou o GLOBO, a proibição é "desproporcional" e "excessiva" por limitar o "convívio familiar" entre eles.
As medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar pela condenação na trama golpista, determinam que ele utilize tornozeleira eletrônica.
O ex-presidente não pode usar celular, telefone ou qualquer outro meio de comunicação externa "diretamente ou por intermédio de terceiros", além de estar proibido de utilizar as redes sociais e ter fotos ou vídeos divulgados por outras pessoas em tais plataformas.
Na avaliação de Moraes, Flávio utilizou a visita ao pai para obter um documento que tinha como finalidade exclusiva ser divulgado nas redes, burlando a proibição.
A defesa do senador classificou o veto como "desproporcional" e "excessivo".
A avaliação de que a proibição foi "errada" é predominante entre os bolsonaristas (92%) e os direitistas não bolsonaristas (83%), mas também atinge 50% entre os independentes (nesta faixa de eleitores que não se associam a algum espectro político, e por isso é especialmente disputada pelos concorrentes ao Planalto, 39% consideraram como "certa" o veto às visitas de Flávio).
Um quarto dos lulistas (25%) considerou a decisão de Moraes "errada", assim como um quinto dos esquerdistas (51%).
Nestas faixas, porém, sete em cada dez entrevistados avaliou a ordem como "certa" (70% e 73%, respectivamente).
Reconciliação de Flávio e Michelle
Os dados da Quaest ainda mostram que, para 59% dos eleitores brasileiros, foi "positivo" que o candidato à Presidência do PL, Flávio Bolsonaro, tenha feito as pazes em público com a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL).
A crise entre os dois havia escalado desde a divulgação de vídeos em que a ex-primeira-dama o acusava de tê-la maltratado e desrespeitado suas opiniões políticas.
Depois de um pedido de desculpas do enteado, um mês depois do racha familiar, Michelle declarou publicamente seu apoio à candidatura presidencial do correligionário.
Um quarto dos entrevistados (25%) avaliou a reconciliação pública como negativa, e 16% não souberam ou não responderam.
Os dados mostram, porém, que a maioria do eleitorado (59%) não sabia que Flávio e Michelle tinham feito as pazes, contra 41% que sabiam.
A avaliação positiva do entendimento entre enteado e madrasta foi predominante entre bolsonaristas (90%) e eleitores de direita (88%), mas a reconciliação também foi bem vista entre os independentes (53%).
Embora Michelle não tenha aparecido ao lado do senador em eventos públicos, o aceno da candidata ao Senado pelo Distrito Federal atenuou os temores da campanha bolsonarista de que a briga pudesse prejudicar o desempenho sobretudo nos segmentos feminino e evangélico.
Segundo a Quaest, avançou em oito pontos desde a pesquisa anterior a proporção de eleitores para quem o apoio de Michelle aumenta as chances de vitória de Flávio (38% a 46%).
Aqueles que não veem impulso ao senador oscilaram para baixo dentro da margem de erro, de 47% a 45%.
Corrida à Presidência
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando todos os cenários testados de segundo turno nas eleições.
Na disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na corrida ao Planalto, o petista aparece com 44% das intenções de voto, contra 39% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O cenário representa uma oscilação positiva para Flávio, que, na sondagem anterior, perdia por 45% a 37%, embora os dados variem dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
É a oitava pesquisa do instituto no ano para as eleições de outubro — e a primeira da empresa depois das convenções que escolheram os candidatos a presidente, do novo tarifaço de Donald Trump, da reconciliação entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de autorizar novas investigações contra Lulinha, filho de Lula.
Segundo os dados, se a eleição fosse hoje, Lula superaria o candidato do PSD, Ronaldo Caiado, por 45% a 37%, e o nome do Novo, Romeu Zema, por 46% a 34%.
A sondagem aponta variação dentro da margem de erro nos dois cenários de segundo turno.
Numericamente, o ex-governador de Goiás reduziu em um ponto a diferença para o atual presidente, que, por sua vez, abriu 12 pontos contra o ex-governador de Minas Gerais nesses eventuais embates diretos.
Contra Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, Lula lidera por 45% a 35% (em julho, 45% a 33%).
Primeiro turno
No primeiro turno, Lula mantém a liderança, com oscilação de um ponto para baixo.
Ele aparece com 39% das intenções de voto, contra 30% de Flávio, que fica em segundo lugar.
Na divulgação anterior, em junho, o petista tinha 40%, e o senador, 28%.
Quatro pré-candidatos — Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Leonardo Avalanche (PRTB) — não pontuaram.
Indecisos são 10%, e eleitores que declaram voto em branco, nulo ou não vão votar somam 8%.
Lula (PT): 39%
Flávio Bolsonaro (PL): 30%
Ronaldo Caiado (PSD): 4%
Renan Santos (Missão): 4%
Romeu Zema (Novo): 2%
Cabo Daciolo (Mobiliza): 1%
Augusto Cury (Avante): 1%
Samara Martins (UP): 1%
A escolha de voto é definitiva para 69% dos brasileiros, quatro pontos acima do que foi registrado no levantamento anterior (65%).
Aqueles que afirmam ainda poder mudar de voto são 31% — em meados de julho, eram 35%.
Rejeição
Flávio é o candidato com maior rejeição entre os testados nesta rodada da Genial/Quaest.
O senador é rejeitado por 54% dos eleitores no momento, num recuo de três pontos percentuais desde a última divulgação, quando 57% afirmaram que o conheciam e não votariam nele.
Lula vem em seguida, com 52%.
Os dados desta Quaest interrompem a tendência de queda dos últimos meses neste número.
Em junho, o petista era rejeitado por 53% da população, taxa que era de 55% em abril.
Na sondagem anterior, era de 50%.
Aprovação do governo
A Genial/Quaest também mostra que Lula é aprovado por 48% dos brasileiros, contra 47% que desaprovam a atual gestão.
Os dados não variaram desde o levantamento anterior, quando, pela primeira vez desde dezembro de 2024, o índice positivo foi numericamente superior.

Sobre esse tema, 5% não sabem ou não responderam.
Em junho, o governo era aprovado por 47%.
Já em maio, a aprovação era de 46%, contra 49% que desaprovavam.
A aprovação do governo Lula recuou para além da margem de erro entre os independentes, que não se associam à esquerda nem à direita (de 45% a 42%).
A desaprovação subiu entre os eleitores que recebem mais de cinco salários mínimos (54% a 58%).
No entanto, a aprovação do petista subiu cinco pontos no Nordeste, de 61% a 66%.
Avaliação do governo
Em relação à avaliação do governo, o cenário também é de estabilidade.
Segundo a Quaest, 36% consideram o trabalho como sendo positivo, contra 26% que avaliam ser regular.
O percentual negativo, por sua vez, também é de 36% — em julho de 2025, era 40%.
Em um recorte de um ano para cá, o pior cenário ocorreu em março deste ano, quando a avaliação negativa alcançou 43%.
À época, somente 31% consideravam o trabalho como sendo positivo, contra 25% que avaliavam ser regular.