A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse nesta terça-feira que a economia global suportou melhor do que se esperava o choque de energia derivado da guerra no Irã.
Leia também:
Brasil deveria acelerar conversão para energia verde e não investir em fósseis, diz Polman
Rússia deve prorrogar proibição de exportação de diesel até setembro
Índice de confiança do consumidor dos EUA fica abaixo do esperado em agosto, mostra Conference Board
Por outro lado, ela chama atenção também para o avanço das preocupações relacionadas à deterioração da situação fiscal em alguns países, o que se reflete no aumento dos rendimentos de títulos públicos e em paralisia do processo de desinflação mundial.
Georgieva falou hoje a jornalistas em apresentação sobre o encontro de ministros de Finanças do G20 em Asheville, na Carolina do Norte, na próxima semana.
Ela disse haver um “cabo de guerra” entre o efeito negativo derivado do choque de energia a partir do conflito no Oriente Médio e o impulso proporcionado ao crescimento pela inteligência artificial (IA), na atual onda de investimentos em tecnologia que começa a se disseminar para além das fronteiras dos EUA.
Georgieva disse também que os riscos à perspectiva de crescimento global estão agora mais equilibrados do que em abril, mas ainda tendendo a uma baixa, devido às crescentes pressões fiscais e à possibilidade de que os bancos centrais mantenham políticas monetárias restritivas para controlar a inflação.
Para a diretora-gerente do FMI, o crescimento global está “resistindo a ventos frontais poderosos”, decorrentes dos “elevados níveis de endividamento, inflação resiliente e tensões comerciais”.
“Até o momento, [o crescimento global] resistiu bem ao choque de energia causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, melhor do que temíamos, graças a uma combinação de fatores”, acrescentou.
Entre esses fatores, ela menciona o uso de reservas estratégicas de petróleo e gás por diversos países, aumento nos suprimentos da commodity a partir de países não localizados na região do Golfo Pérsico, redução da demanda por energia fóssil e aumento na capacidade de produção de energias renováveis, além do retorno, em alguns países, ao uso de carvão como alternativa.
Ela disse também que o boom de IA nos EUA tem fortalecido os lucros corporativos e também a demanda dos consumidores.
E que outros países também são beneficiados por este ciclo de investimentos, com a construção de data centers e por meio da cadeia de logística de hardware.
