Criminosos estão criando anúncios falsos nas redes sociais, com uso de inteligência artificial, para aplicar golpes em pessoas que buscam renegociar dívidas pelo novo programa Desenrola Brasil, lançado em maio, alerta o Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab UFRJ).
Entre 1º de abril e 14 de junho foram identificados 544 anúncios fraudulentos nas plataformas da Meta, incluindo Facebook, Instagram e WhatsApp, que exploram políticas públicas voltadas à população, veiculados por 48 páginas, aponta o levantamento divulgado pelo NetLab nesta quinta-feira (30).
“Esse padrão mostra que os fraudadores se beneficiam da infraestrutura de anúncios da ‘big tech’ para ampliar o alcance de suas campanhas, distribuindo-as simultaneamente por diferentes plataformas e aumentando a exposição dos usuários aos golpes”, notam os pesquisadores do NetLab, em comunicado.
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Facebook e Instagram veicularam, respectivamente, 100% e 99,8% dos anúncios fraudulentos, segundo o estudo.
O aplicativo de mensagens Messenger distribuiu 73% dos anúncios falsos, enquanto a rede social Threads disseminou 55,7% e o WhatsApp, 4,8%.
A rede de parceiros da Meta, chamada Audience Network, que permite exibir anúncios em aplicativos e sites de terceiros, disseminou 67,1% dos anúncios falsos.
Entre os anúncios fraudulentos, 49% apresentam um programa falso chamado “Libera Brasil”.
O tempo de permanência dos anúncios no ar foi de três dias, em média.
“O caso mais grave foi o de um anúncio que permaneceu no ar por 22 dias promovendo o falso programa Libera Brasil”, informa o NetLab.
A inteligência artificial foi usada em 38,1% dos anúncios fraudulentos, incluindo vídeos com indícios de manipulação, conhecidos como deepfakes.
Já 72% fazem uso indevido do nome e da imagem do governo e de marcas privadas conhecidas de serviços financeiros e jornalismo.
Nos últimos anos, o Brasil registrou mais ocorrências de estelionato eletrônico do que de roubos, destaca o relatório citando dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrando que atualmente a população brasileira tem mais medo de cair em golpes on-line do que da violência urbana.
O relatório lembra ainda que 10% da receita da Meta em 2024, o equivalente a US$ 16 bilhões, vieram de anúncios promovendo golpes e itens proibidos, segundo documentos internos aos quais a agência Reuters teve acesso, conforme reportagem publicada em novembro de 2025.
Procurada pela reportagem, a Meta informou ter removido mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos em 2025, sendo 92% antes de serem denunciados, e desativado 10,9 milhões de contas no Facebook e Instagram associadas a centros de aplicação de golpes de criminosos.
“Usamos uma combinação de tecnologia e revisão humana para identificar e remover conteúdos violadores, o que temos feito em relação ao Desenrola Brasil”, acrescentou a empresa.
“A Meta reforça ainda que coopera e responde a requisições das autoridades brasileiras nos termos da legislação aplicável.”
Em julho de 2023, logo após o lançamento do Desenrola Brasil, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do governo federal brasileiro vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, entrou com uma medida cautelar contra a Meta determinando a remoção de anúncios falsos assim que identificados.
Em novembro de 2024, após um mapeamento do NetLab de novos anúncios fraudulentos nas redes da Meta, a empresa foi multada em R$ 9,3 milhões.
Philipp Katzenberger/Unsplash
