Governo do Rio cria laboratório para  transformar diagnóstico sobre milícia e tráfico em política de segurança - QTU Questões do Universo

Governo do Rio cria laboratório para transformar diagnóstico sobre milícia e tráfico em política de segurança

Fonte: Bandeira da fonte

Nesta terça-feira, o governo do Rio senta com pesquisadores, policiais, promotores, empresários e moradores de áreas dominadas pelo crime organizado numa mesma sala para discutir um problema que o estado tenta resolver há décadas sem sucesso: o que fazer com o território que tráfico e milícia controlam hoje.
A oficina, no auditório do Instituto de Segurança Pública (ISP), marca a estreia do Laboratório de Inovação em Inteligência Pública Estratégica (LIIPE-RJ) e chega num momento sensível — o tema central do primeiro encontro é justamente a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, a "ADPF das Favelas", que discute no Supremo Tribunal Federal (STF) os limites da atuação policial em comunidades e cujo desfecho pode redesenhar a política de segurança do estado.
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A aposta do governo é que, juntando numa mesma mesa gente que normalmente não se fala — delegados, professores universitários, ONGs, empresários de tecnologia —, seja possível chegar a diagnósticos que nenhum desses grupos produziria sozinho.
Até outubro, estão marcados dez encontros desse tipo, cada um sobre um problema diferente.
No fim, o material vai virar um documento único, batizado de Caderno de Diagnósticos Estratégicos, que deve reunir os principais achados e recomendações do processo, que será entregue ao futuro governador eleito.
Não é a primeira vez que o Rio tenta institucionalizar esse tipo de diálogo entre academia, polícia e sociedade civil — iniciativas parecidas já existiram em outras gestões e perderam força com a troca de governo ou falta de continuidade orçamentária.
A diferença que o estado promete desta vez é o registro sistemático de cada discussão, para que o conhecimento produzido não dependa da memória de quem participou e sobreviva a mudanças de equipe.
O coordenador do Gabinete de Segurança Institucional, o delegado Roberto Leão, está à frente das discussões:
— A segurança pública, antes de ser um dever do Estado, é um direito dos cidadãos.
A realização de laboratórios como esse vem justamente para dar voz àqueles que são diretamente afetados pelas ações do Estado.
Ainda não está claro, porém, qual peso prático os diagnósticos produzidos nas oficinas terão sobre decisões concretas de política de segurança, nem se as recomendações do laboratório serão vinculantes para as secretarias envolvidas.
Também não foi detalhado como será a seleção dos representantes da sociedade civil que vão participar dos ciclos, ponto sensível num debate que historicamente exclui moradores das próprias áreas afetadas pela violência.