Governo dos EUA diz a empresas de IA que modelos de peso aberto da China serão dispensados de testes - QTU Questões do Universo

Governo dos EUA diz a empresas de IA que modelos de peso aberto da China serão dispensados de testes

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A Casa Branca informou às principais empresas americanas de inteligência artificial (IA) que os modelos de pesos abertos (open-weight) desenvolvidos por concorrentes chineses não estarão sujeitos aos testes governamentais previstos no novo marco de segurança em IA do governo Trump, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
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A decisão de isentar os modelos de pesos abertos — com parâmetros disponibilizados publicamente, de modo a permitir que o usuário faça o download e personalize a tecnologia — foi comunicada em uma reunião fechada realizada nesta terça-feira entre autoridades da Casa Branca e representantes da indústria, segundo fontes, que falaram sob condição de anonimato à agência Bloomberg por se tratar de discussões privadas.

Entre as empresas do Vale do Silício que deveriam participar estavam a OpenAI, a Anthropic e o Google, da Alphabet.
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Representantes da Casa Branca e das três empresas não comentaram o assunto imediatamente.
Invasão de sistemas
O marco de segurança, que ainda não foi divulgado e pode permanecer confidencial, foi previsto em uma ordem executiva assinada em junho pelo presidente Donald Trump para tratar de questões de segurança relacionadas à inteligência artificial (IA).
A ordem estabelece um programa voluntário no qual empresas de IA podem submeter seus modelos mais avançados à avaliação do governo dos EUA.
A iniciativa de segurança ganhou força depois que, em abril, a Anthropic alertou que seu modelo Mythos demonstrava grande habilidade para identificar vulnerabilidades em sistemas computacionais e, por isso, restringiu severamente sua divulgação.

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Aumentando a urgência do esforço americano, a OpenAI e a Anthropic revelaram nas últimas semanas que alguns de seus modelos conseguiram escapar de ambientes de testes seguros e invadir sistemas de organizações terceirizadas.
Concorrência chinesa
O debate em Washington sobre como lidar com modelos de IA de pesos abertos se intensificou após uma onda de lançamentos de desenvolvedores chineses que passaram a competir com as melhores ofertas dos Estados Unidos.
No mês passado, o lançamento do novo modelo Kimi K3, da startup chinesa Moonshot AI, abalou a confiança dos investidores na capacidade de os EUA manterem sua liderança em IA e levantou dúvidas sobre os bilhões de dólares investidos em centros de dados.
Embora algumas empresas americanas, como a OpenAI, também ofereçam modelos de pesos abertos, grande parte de seus esforços continua concentrada em sistemas fechados ou proprietários, comercializados para clientes.

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Empresas chinesas, incluindo a DeepSeek, já inundaram o mercado com modelos abertos mais baratos que, embora normalmente fiquem atrás dos softwares americanos mais avançados, oferecem uma relação custo-benefício bastante competitiva.
Falando durante uma conferência de cibersegurança em Las Vegas, o Diretor Nacional de Cibersegurança dos EUA, Sean Cairncross, afirmou que o governo está interessado em apoiar a IA de código aberto desenvolvida no país, dizendo que esse tipo de modelo desempenha um "papel enorme".
Segundo ele, o marco de segurança da IA precisa ter uma estrutura "flexível", que incentive o compartilhamento de informações entre a indústria e o governo.
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"Um regime regulatório não apenas sufocaria o crescimento, o desenvolvimento e a inovação, causando enormes prejuízos ao setor, como também estaria ultrapassado 48 horas depois de passar por qualquer processo regulatório."
Críticas no setor de tecnologia
Ao mesmo tempo, alguns integrantes do governo em Washington consideraram impor restrições aos modelos de pesos abertos, e a possibilidade de limitações governamentais gerou críticas em todo o setor de tecnologia.
Líderes do Vale do Silício, incluindo o CEO da Nvidia, Jensen Huang, defendem que modelos do tipo são importantes para o desenvolvimento de longo prazo da IA e também contribuem para aumentar sua segurança.
A decisão do governo foi anunciada menos de dois meses antes do encontro previsto entre Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping, em uma cúpula de alto nível em Washington, na qual a disputa pela liderança em inteligência artificial entre as duas maiores economias do mundo deverá ser um dos principais temas.
Revés para a Anthropic
A exclusão dos modelos de pesos abertos do programa voluntário de testes de segurança representa um revés para o CEO da Anthropic, Dario Amodei, que defende avaliações obrigatórias do governo tanto para modelos abertos quanto para modelos proprietários.
Amodei também afirmou que modelos chineses de IA violam regras dos Estados Unidos — preocupações compartilhadas pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, e por outras autoridades americanas.
No mês passado, o diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, Michael Kratsios, acusou a Moonshot AI de obter ilegalmente chips Blackwell avançados da Nvidia, atualmente os aceleradores de IA mais poderosos do mercado.
Ainda não está claro quantos desses processadores o governo americano acredita que a empresa possua.

A Bloomberg News informou que a Moonshot mantém um acordo de computação com o Alibaba Group para utilizar cerca de 20 mil chips da Nvidia, representando uma parte significativa da capacidade computacional empregada em seus modelos Kimi.
Kratsios também afirmou que a Moonshot extraiu dados de modelos americanos de forma indevida por meio de um processo conhecido como destilação (distillation), uma técnica de engenharia reversa sobre a qual empresas americanas de IA vêm alertando autoridades ao longo deste ano.
Nesse método, pesquisadores utilizam as respostas produzidas por um modelo para treinar outro, o que se mostrou uma maneira eficiente de reproduzir parte das capacidades do modelo original.
Criação de agência reguladora
Em resposta, em parte, às reclamações da indústria sobre a falta de um processo consistente para avaliar modelos de IA nos Estados Unidos, Scott Bessent propôs a criação de uma agência reguladora independente que daria às empresas participação significativa nas revisões de segurança.
Os contornos dessa proposta são semelhantes aos defendidos por Demis Hassabis, líder do Google DeepMind, que esteve em Washington no mês passado para reuniões com formuladores de políticas públicas.
Segundo a Bloomberg News, o modelo proposto por Bessent criaria um sistema semelhante ao da Autoridade Reguladora da Indústria Financeira (Finra, na sigla em inglês), porém voltado para o setor de inteligência artificial.
Ainda não está claro se essa proposta fará parte da implementação da ordem executiva sobre cibersegurança em IA ou se será desenvolvida como uma iniciativa separada.