O governo brasileiro avalia que os Estados Unidos romperam os protocolos diplomáticos ao anunciarem a decisão de indicar Daniel Perez para o posto de representante no país antes de fazerem a consulta formal ao país.
Pelas convenções estabelecidas em relações diplomáticas, o primeiro passo para a indicação de um embaixador é enviar ao país o agremént, um documento sigiloso de consulta.
O país que receberá o representante diplomático faz então uma pesquisa para saber se há algo na história do indicado que o inviabilize.
É observado, por exemplo, se o escolhido já fez alguma manifestação pública contra o país onde irá atuar ou contra o seu povo.
Depois de o agremént ser respondido positivamente, é que o país que enviará o embaixador anuncia publicamente a escolha e dá início aos processos internos de aprovação, como submissão ao Senado.
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No caso de Perez, o anúncio aconteceu em 1º de junho e o agremént só foi enviado no fim daquele mês.
Por isso, integrantes do governo brasileiro entendem que não há necessidade de dar celeridade ao processo de análise.
Segundo uma autoridade do governo americano, a decisão do governo Donald Trump de revogar o visto da atual embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, foi uma medida de reciprocidade.
Um porta-voz do Departamento de Estado americano afirmou ao Globo que houve contato contínuo com autoridades brasileiras nas últimas semanas e que o Brasil teve “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”, referindo-se à falta de aval do governo brasileiro ao nome de Daniel Perez.
De acordo com essa autoridade, o governo brasileiro criou obstáculos para analisar o nome de Perez.
Parlamentar no estado da Flórida, Perez foi indicado para o cargo pelo governo Trump em junho e, há duas semanas, teve o seu nome confirmado no cargo por uma comissão do Senado dos EUA.
A indicação de Perez para comandar a embaixada americana ainda precisa passar pelo plenário da Casa.
Perez faz parte do movimento Maga, o Make America Great Again.
Alinhado ao secretário de Estado, Marco Rubio, o indicado para embaixador no Brasil também é de uma família de origem cubana.
Os dois são da Flórida.
O indicado costuma criticar o regime comunista do país de seus antepassados e outros governos de esquerda da América Latina.
Filiado ao Partido Republicano, Daniel Perez é presidente da Câmara dos Representantes da Flórida.
o de embaixadora dos Estados Unidos no Brasil era ocupado até o fim de 2024 por Elizabeth Bagley, nomeada pela gestão do democrata Joe Biden em 2023.
Depois que Bagley deixou o cargo, Trump não nomeou um novo embaixador.
