Gradiente de pressão: entenda o fenômeno e como os fortes ventos se formaram na costa do país - QTU Questões do Universo

Gradiente de pressão: entenda o fenômeno e como os fortes ventos se formaram na costa do país

Fonte: Bandeira da fonte

As rajadas de vento que assustaram moradores e causaram acidentes em São Paulo, Rio, Paraná e Santa Catarina, nesta quarta (29), foram formadas por um fenômeno climático chamado "gradiente de pessão".
Isso acontece quando há um encontro de uma massa de ar frio com uma massa de ar quente, gerando mudança abrupta da pressão atmosférica.
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De acordo com meteorologistas, o fenômeno era difícil de ser previsto e deve dar lugar a chuvas nos próximos dias.
Com rajadas de picos de mais de 125 km/h, os ventos deixaram cinco mortes nesta quarta-feira, duas no Rio e três em São Paulo.

Meteorologistas explicam que houve um "gradiente de pressão" muito forte em um curto espaço territorial.
Isso significa que a frente fria veio acompanhada por uma mudança muito brusca da pressão atmosférica, o que criou uma força muito intensa empurrando o ar da região de maior pressão para a de menor pressão.

Esse deslocamento do ar resulta justamente nos ventos.
E como o choque da frente fria com o calor das cidades foi muito abrupto, e em curta distância, o movimento formou rajadas.
O gradiente é justamente a velocidade com que a pressão muda de um lugar para outro.
— O gradiente de pressão está muito intenso.
E quanto a gente tem isso, ou seja, uma diferença de pressão muito grande entre as duas massas de ar, provoca ventos de velocidade muito grande — explica Wallace Menezes, professor de meteorologia da UFRJ.

Luiz Silva, chefe de meteorologia da startup Nimbus, disse que os eventos nos quatro estados foram causados por esse mesmo fenômeno.
No fim da tarde desta quarta-feira, a frente fria estava em Santa Catarina e na divisa entre São Paulo e Paraná, onde antes o tempo estava quente e seco.
— Então quando você tem dois sistemas, um frio e um quente, com diferenças grandes.
Isso fortalece a ocorrência de ventos mais fortes.
A atmosfera tenta entrar em equilíbrio — explica.

A meteorologista Andrea Ramos explicou que a frente fria está fazendo uma "incursão" pelo continente, mas que vai para o alto-mar.
Ainda assim, está provocando rajadas que podem ultrapassar os 90 km/h, principalmente na faixa litorânea de Santa Catarina e do Paraná.

— Havia um ambiente estável, e à medida que a frente fria faz uma incursão, vai proporcionando essa frente de rajada.
Primeiro tem a entrada com vento e depois as chuvas - respondeu Andrea, que acrescentou que ainda não dá para culpar isoladamente o El Niño.
— O El Niño já começou a influenciar a circulação atmosférica desde junho, mas ainda não é correto atribuir a ele esses episódios.
Difícil de se prever
O meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) frisou que esses eventos de ventos extremos são muito difíceis de serem previstos.
— Prever o tempo normal já é bastante difícil, mas os tornados são particularmente imprevisíveis.
Por serem eventos tão específicos e localizados, são extremamente sensíveis às condições iniciais.
A imprevisibilidade inerente aos tornados significa que previsões mais precisas ainda podem estar limitadas a algumas horas