A experiência de tomar um café especial vai muito além do aroma e do sabor.
Cada vez mais, consumidores querem saber de onde vêm os grãos, quem os produziu, quais práticas foram adotadas na atividade e o que torna determinada região de cultivo única.
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Há uma maneira prática para obter informações sobre grãos produzidos em regiões do país com Indicação Geográfica (IG): a plataforma on-line Origem Controlada Café, que traz ainda a pontuação do produto (conforme critérios da Associação Brasileira de Cafés Especiais), características sensoriais e outros dados técnicos.
Tudo pode ser consultado por meio de um QR Code na embalagem.
A plataforma —criada pelo Sebrae, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto CNA — já ultrapassou a marca de 1 milhão de pacotes de café torrado rastreados desde seu lançamento, no fim de 2024.
A ferramenta reúne e monitora informações das 16 IGs brasileiras de café, abrangendo 380 municípios.
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Segundo o diretor executivo do Instituto CNA, Cristiano Nascif, a plataforma foi criada para promover o mercado de cafés premium, ao agregar valor à produção das pequenas e médias propriedades:
Para Gustavo Villas Boas, produtor em Dores do Rio Preto (ES), o consumidor brasileiro ainda está aprendendo o que significa um produto com origem controlada
Divulgação
— Trata-se de um sistema digital inédito, criado para integrar informações das IGs, que provê aos pequenos produtores rurais, seus negócios, entidades um sistema de gestão e rastreabilidade, conferindo maior garantia aos consumidores e aos mercados em relação à qualidade baseada na origem dos produtos.
Não são apenas consumidores brasileiros que recorrem à plataforma.
Há acessos de mais de 80 países, diz Nascif.
Ele lembra que as IGs agregam valor de até 30% aos produtos nacionais para vendas ao exterior.
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Até o momento, estão cadastrados 3,5 mil produtores, 4,3 mil propriedades, 173 torrefadoras e 13 laboratórios de análises sensoriais.
A pontuação média dos cafés das regiões com IG é de 85,18, o que significa cafés especiais premium.
O consumidor brasileiro ainda está aprendendo o que significa um produto com origem controlada, IG e Denominação de Origem (DO), e a plataforma traz visibilidade para ampliar esse interesse, diz o produtor Gustavo Villas Boas, produtor em Dores do Rio Preto (ES), na região do Caparaó, divisa com Minas Gerais:
— O selo (de IG) é um parceiro do produtor e uma proteção para o consumidor, pois garante que ele está comprando um produto genuíno e de qualidade do Caparaó — diz Villas Boas, que usa a plataforma desde seu lançamento.
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Thiago Douro, que representa a quinta geração de produtores da Douro Cafés Especiais, em Marechal Floriano (ES), também aderiu à ferramenta.
O município é um dos que fazem parte da IG Montanhas do Espírito Santo, na modalidade DO, reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Segundo Douro, que preside a Associação de Produtores de Cafés Especiais das Montanhas do Espírito Santo (Acemes, responsável pela gestão da IG), a ideia é desenvolver a marca “para criar uma identidade dentro do mercado”.
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