Greve da CPTM gera corrida por app 4 vezes mais cara e lotação nos trens e ônibus Paese - QTU Questões do Universo

Greve da CPTM gera corrida por app 4 vezes mais cara e lotação nos trens e ônibus Paese

Fonte: Bandeira da fonte

A supervisora de Logística Leticia Marques, moradora de Itaim Paulista, zona leste da capital, e a auxiliar de informática Jéssica Garcia, de Suzano, na Grande São Paulo, utilizam linhas de trem diferentes até o trabalho, mas ambas foram afetadas pela greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que chegou ao segundo dia nesta quarta-feira, 5.
Ambas viram os preços de corridas por aplicativo mais do que dobrarem e precisaram enfrentar ônibus e trens lotados para chegarem ao trabalho.
"Está muito complicada a falta de trem.
Eu levo 20 minutos para chegar da estação Suzano à Guaianases.
Ontem demorei 2h de Paese", contou Jéssica enquanto aguardava o trem da Linha 11-Coral no Tatuapé às 7h40 desta terça-feira na volta do trabalho noturno.

Para chegar em casa, Jéssica terá de utilizar novamente o ônibus estadual, que substitui emergencialmente o transporte sob trilhos durante paralisações, já que a Linha 11 está operando apenas da Barra-Funda a Guaianases.
"O Paese está muito cheio e com um intervalo de passagem muito grande, mas a viagem por aplicativo, que, geralmente é R$ 20, estava R$ 85, então não sobra alternativa."
Letícia também relata que as corridas por aplicativo da sua casa para o trabalha ficaram muito acima da média: subiram de R$ 30 para R$ 80.
Ela utiliza diariamente a Linha 12, desde a estação Itaim Paulista, mas, nesta terça, o trem opera apenas entre Brás e Engenheiro Goulart.
"Tive de mudar o meu trajeto totalmente.
Peguei ônibus cheio até Itaquera e agora vou pegar a 11-Coral e nem sei que horas vou chegar no trabalho", disse antes de se espremer para entrar em um vagão já lotado.

O autônomo Elierson Marques normalmente leva 45 minutos da Estação Suzano ao Brás, onde trabalha de madrugada.
Na noite de segunda-feira, o trajeto levou 2h30 de Paese.
"Travou tudo no horário de pico em Guaianases.
A gente teve de descer bem antes da estação e ir andando por causa do trânsito.
Tava um caos", disse ao se preparar para embarcar novamente na Linha 11 sabendo que terá de enfrentar o Paese novamente de Guaianases até Suzano.
O analista contábil Gustavo Soares desistiu de ir presencialmente ao trabalho na metade do caminho.
"Já demoro duas horas e meia normalmente.
Com a greve, não tem nem previsão de chegada."
Segundo dia de greve
A greve entrou no segundo dia nesta quarta-feira, mantendo impactos na circulação dos trens.
As linhas 11-Coral e 12-Safira operam parcialmente, enquanto a linha 13-Jade circula com maiores intervalos.

A Linha 10-Turquesa, que não é atingida pela paralisação, mantém o funcionamento normal.
A greve foi mantida após assembleia realizada na noite de terça-feira, 4, quando a categoria decidiu dar continuidade ao movimento.

A paralisação que começou na terça-feira, 4, não tem previsão de término.
Novas negociações entre o sindicato e o governo podem ocorrer ao longo desta quarta-feira.
Em nota, o governo de São Paulo manifestou "absoluto repúdio à continuidade de uma paralisação que, sob o pretexto de defender interesses da categoria, impõe graves prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais".
"Ao insistir na paralisação, o sindicato evidencia que sua motivação ultrapassa qualquer reivindicação trabalhista e se concentra na defesa da reestatização de serviços concedidos, conferindo caráter eminentemente político ao movimento", acrescentou.
A gestão estadual também afirmou que tomará as medidas administrativas e judiciais cabíveis para assegurar a prestação do serviço público e responsabilizar os envolvidos pelo descumprimento das determinações judiciais.
Situação das linhas, segundo a CPTM:
- Linha 10-Turquesa: operação normal (não faz parte da greve) - Linha 11-Coral: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Estudantes e Guaianases.
O trajeto ocorre apenas entre Palmeiras-Barra Funda e Guaianases) - Linha 12-Safira: operação parcial (circulação interrompida entre as estações Calmon Viana e Engenheiro Goulart.
O trajeto é feito somente entre Brás e Engenheiro Goulart) - Linha 13-Jade: linha está circulando com maiores intervalos entre as estações Engenheiro Goulart e Aeroporto Guarulhos; há atendimento do sistema PAESE de reforço de ônibus em frente às estações.
Motivos da paralisação
Os ferroviários protestam contra a concessão das linhas 11, 12 e 13 à concessionária Trivia Trens e cobram garantias de que não haverá demissões durante a transição dos funcionários da CPTM.

O sindicato também reivindica a reestatização da operação, alegando falta de segurança jurídica para os trabalhadores e problemas registrados desde a transferência do serviço para a iniciativa privada.
O governo paulista afirma que já assegurou a manutenção dos empregos durante o processo de realocação dos funcionários e classifica a greve como "injustificável".
Segundo a gestão estadual, a paralisação prejudica milhares de passageiros e ocorre mesmo após a apresentação de propostas para atender às principais reivindicações da categoria.
Plano de contingência
Para minimizar os impactos, o Estado mantém um plano de contingência, com 195 ônibus do Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (PAESE), integração entre modais e monitoramento da operação ao longo do dia.
Na terça-feira, foram 128 ônibus.
A CPTM acionou seu plano de contingência, priorizando o atendimento nos trechos de maior demanda.
A Linha 11-Coral, que tem operação parcial entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases, conta com 95 ônibus entre Guaianases e Estudantes.
Na Linha 12-Safira, onde os trens circulam entre as estações Brás e Engenheiro Goulart, há 90 ônibus entre Calmon Viana e Engenheiro Goulart.

Já a linha 13-Jade conta com 10 ônibus para fazer o trajeto entre as estações Aeroporto-Guarulhos e Engenheiro Goulart.
O Expresso Aeroporto não está operando.
As linhas 7-Rubi, 8-Diamante, 9-Esmeralda, que são concedidas, e a 10-Turquesa operam normalmente.
A TIC Trens, responsável pela linha 7-Rubi, reforçou o atendimento na estação Palmeiras-Barra Funda e opera com frota máxima nos horários de pico.
A concessionária mantém monitoramento permanente da demanda e poderá ampliar a oferta de trens ao longo do dia, caso necessário.
No Metrô, a linha 3-Vermelha mantém operação especial para minimizar os impactos da greve dos ferroviários.
Já as demais linhas estão com operação normal.
A linha, que atende parte da zona leste da capital e faz integração com as linhas afetadas, conta com composições adicionais em circulação.

Funcionamento do Metrô de São Paulo
- Linha 1-Azul: operação normal - Linha 2-Verde: operação normal - Linha 3-Vermelha: operação especial - Linha 4-Amarela: operação normal - Linha 5-Lilás: operação normal - Linha 15-Prata: operação normal - Linha 17-Ouro: operação normal
Rodízio permanece suspenso
A Prefeitura de São Paulo também mantém suspenso o rodízio municipal de veículos.
Nesta quarta, não poderiam circular no centro expandido da cidade os carros com placas final 5 ou 6, nos horários entre 7h e 10h e entre 17h e 20h.
Com a suspensão, os carros poderão circular em toda a cidade em quaisquer horários do dia.
Desde o último dia 24, as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade voltaram a ser operadas pela CPTM por determinação do governo de São Paulo e da Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
A companhia ficará à frente do serviço por 90 dias.
A decisão foi tomada após falhas nas operações na mesma semana em que a Trivia Trens assumiu o serviço.
Em uma das ocorrências, no dia 23 de julho, um foco de incêndio foi registrado em uma composição nas proximidades da Estação Bresser-Mooca, gerando transtornos entre os passageiros e no transporte público da capital.