Amaral: “Desejamos formar uma geração de cidadãos livres”
Rogerio Vieira/Valor
Um grupo de gestores, empresários, cientistas políticos e advogados criou um projeto para que todo brasileiro ganhe do governo investimentos em ações, desde o nascimento até os 18 anos.
Chamada de Conta Convergência, a ideia tem sido levada a candidatos à presidência de vários partidos.
A iniciativa é liderada por Luis Felipe Amaral, CEO e chefe de investimentos da gestora Drýs Capital, mas conta com o apoio do Convergência Brasil.
Criado em 2020, na pandemia, o grupo afirma lutar por um país mais justo, igualitário e eficiente e diz ser independente e sem vínculos partidários.
Entre os nomes que participam do time estão Jorge Gerdau, presidente do conselho superior do Movimento Brasil Competitivo, Jayme Garfinkel, controlador da Porto Seguro, Fabio Barbosa, ex-presidente do Santander, e Cassio Casseb, ex-presidente do Banco do Brasil, além do advogado Luciano Timm, o atual diretor-presidente.
No começo, o Convergência levantou a bandeira de apoio a um programa de privatizações e reformas econômicas, que não andou.
Agora, procura adesões ao Conta Convergência.
A ideia é que seja aberta automaticamente uma conta de investimento no nome do recém-nascido, com R$ 1 mil.
O dinheiro seria aplicado em um ETF, fundo negociado em bolsa, que acompanhe um indicador do mercado de ações local, com custo baixo.
A criança receberia aplicações decrescentes todo ano, até completar 18 anos.
Os aportes somariam ao todo R$ 9,5 mil.
Com a expectativa de remuneração de 7% ao ano, descontando a inflação, a previsão de rendimento seria de R$ 12 mil.
A projeção, assim, é que o brasileiro chegue à vida adulta com um capital de partida de R$ 22 mil em ações.
A maior parte dos recursos viria da rentabilidade e não dos aportes do Estado.
O dinheiro poderia ser resgatado somente a partir dos 18 anos.
O Convergência busca o apoio dos presidenciáveis.
Já apresentou o projeto a Dario Durigan, ministro da Fazenda do governo Lula, e aos candidatos Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).
A iniciativa foi inspirada no “Invest America Act”, lei que deu origem ao “Trump Accounts”.
O programa de poupança e investimento infantil dos EUA começou a funcionar em julho.
“Conseguiram juntar republicanos e democratas apoiando essa ideia, pensamos em tentar reunir a esquerda e a direita no Brasil nessa iniciativa também”, afirma Amaral, da Drýs.
O custo para o governo seria de R$ 22,8 bilhões ao ano, considerando 2,4 milhões de nascimentos anuais.
“Desejamos formar uma geração de cidadãos livres, menos dependentes do Estado e mais alinhados ao crescimento da economia e das empresas”, diz.
A ideia é que o aporte seja em ações, não em papéis do Tesouro Direto, para acabar com a cultura entre “rentistas” do país de que juro alto é bom.
“Desejamos que mais pessoas sejam acionistas no Brasil e participem da riqueza em vez de ser rentistas”, afirma.
Grupo busca apoio para recém-nascido ganhar ações
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