O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta terça-feira (1º) que o Brasil deve "buscar a justiça a qualquer custo" sobre o envolvimento de autoridades com o Banco Master, seja o pedido de dinheiro de Flávio Bolsonaro (PL) a Daniel Vorcaro, seja eventuais apurações sobre a conduta de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Sem mencionar diretamente Alexandre de Moraes, o petista alegou que não há "amigos e inimigos" no caso, apenas pessoas que cometeram ou não crimes.
— Sempre defendi e vou continuar defendendo que tudo seja passado a limpo, porque é muito grave o que aconteceu com o Brasil.
Não é uma questão menor.
Envolva quem envolver.
Tem vários inquéritos abertos sobre o “Dark Horse” (filme sobre Jair Bolsonaro), sobre o Supremo, sobre quem for.
As coisas precisam ser apuradas, a verdade precisa ser conhecida, os responsáveis punidos para que isso nunca volte a acontecer — declarou Haddad, após evento de campanha em Hortolândia, no interior paulista.
Mais cedo, o ministro André Mendonça retirou o sigilo sobre conversas atribuídas a Vorcaro e Moraes dentro do inquérito relatado por ele no STF.
O conteúdo indica, segundo a PF, que Moraes editou o teor do contrato milionário do Master com o escritório da sua esposa, Vivian Barci; que o banco emitiu dois cartões de crédito para os filhos do casal; que a família usou aeronaves custeadas pelo empresário e era destinatária de cotas; e que Vorcaro pediu ao ministro para intervir na PF e na PGR, além de questioná-lo sobre supostas datas em que poderia deixar o país antes de ser preso.
Indagado por jornalistas sobre um eventual impeachment contra Moraes, que dependeria dos desígnios do Senado, Haddad declarou que “ninguém está acima da lei” e voltou a comentar sobre o andamento das investigações.
Ele disse que espera que “todos os rituais” sejam cumpridos no andamento do processo na Justiça para se chegar ao final “com as pessoas arcando com as consequências”.
— O Brasil não pode se distanciar hoje da lei e da justiça.
Vamos buscar a justiça a qualquer custo.
O petista voltou a associar as origens do escândalo ao bolsonarismo, questionando a gestão de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, nomeado por Jair Bolsonaro.
Isso porque a instituição autorizou, em 2019, a operação de compra que deu origem ao Master, atendendo aos interesses de Vorcaro.
Desde então, diretores do BC foram afastados por suspeitas de recebimento de propina, mas não há provas de envolvimento de Campos Neto, pelo menos até o momento.
Haddad sugeriu ainda que Flávio Bolsonaro abandone a disputa presidencial diante de uma reportagem da revista piauí, publicada nesta terça, que cita novos repasses à produtora do filme até então desconhecidos.
Os novos pagamentos teriam sido feitos depois de o filho de Bolsonaro cobrar o empresário por meio de áudio, revelado este ano pelo site Intercept.
Com isso, o total destinado à obra passou de 10,6 para 12,3 milhões de dólares, aponta a reportagem.
Flávio se esquivou de perguntas e declarou que a produtora é quem deveria prestar esclarecimentos.
— É um mentiroso contumaz, um homem que mentiu seguidas vezes sobre quanto dinheiro ele recebeu, quantas vezes ele se encontrou (com Vorcaro), as datas que nunca batem, o destino do dinheiro e a prestação de contas que não veio.
O Flávio deveria, inclusive, repensar a candidatura à luz de tudo que foi divulgado a respeito da sua conduta, que é muito problemática, para dizer o mínimo, mas que também precisa ser apurada na forma da lei.
Não há inimigos e inimigos nesse caso, há pessoas que cometeram ilícitos e pessoas que não cometeram — disse o candidato do PT.
