Apesar da inevitável nacionalização das campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo, a segurança pública é o ringue prioritário escolhido pelos dois candidatos para a reedição do seu embate de ideias junto ao eleitor em seus planos de governo.
Ambos propõem tecnologia e inteligência para afinar o combate ao crime no estado.
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Tarcísio venceu Haddad em 2022 com 23 menções à segurança pública em seu plano.
Agora, o peso do tema nas preocupações dos paulistas e em sua popularidade elevou a 54 as citações relacionadas ao combate ao crime no documento divulgado pela campanha de reeleição do governador.
O plano foi dividido em tópicos chamados de “trilhas da prosperidade”.
Não por acaso, a primeira delas é justamente a segurança.
São sete propostas principais, sendo uma delas a criação de um Centro de Inteligência e Inovação (CIN), que reunirá as polícias Civil e Militar, com a integração de bombeiros, defesas civis e guardas municipais e monitoramento 24 horas tanto com câmeras do Muralha Paulista (que teria 160 mil equipamentos interligados até 2028) como do Smart Sampa, da prefeitura paulistana, para reforçar a vigilância na capital.
Em 2022, havia só uma proposta genérica de integração.
Outra promessa do governador no caso de ser reeleito é ampliar o Programa SP Mobile, um aplicativo que ajuda a localizar e bloquear smartphones que já recuperou, desde 2023, 90 mil aparelhos, segundo o governo.
A atenção às mulheres também teve espaço ampliado no programa deste ano, com 63 citações que vão de assistência às vítimas de violência sexual e um cadastro estadual de agressores às expansão das delegacias especializadas funcionando 24 horas.
O plano de Tarcísio afirma que seu governo comprou 15 mil câmeras corporais para os policiais, mas não há menção a compras futuras.
Petista força avaliação
A violência é a principal preocupação dos paulistas, citada por 34% dos 1.650 ouvidos pela Quaest no mês passado, e os indicadores têm sido questionados por Haddad para levar o eleitor a uma avaliação da gestão Tarcísio.
O petista diz que falta transparência nas estatísticas sobre crime em São Paulo e promete criar uma nova metodologia passível de auditoria externa da sociedade.
Na segunda-feira, quando protocolou o plano de governo na íntegra junto à Justiça Eleitoral, Tarcísio afirmou que a melhora de indicadores de segurança demora a chegar à população:
— Essa melhora não é percebida, ela demora a ser percebida.
E não adianta eu ficar aqui falando de indicador.
O programa de Tarcísio repete o destaque que deu em 2022 ao combate ao crime organizado, prometendo ampliar parcerias com a União e com órgãos internacionais para coibir “a lavagem de dinheiro e a utilização de empresas de fachada, especialmente em setores como combustíveis, transporte, comércio informal e apostas”, diz um trecho.
Esse tema também é destacado no programa de Haddad, que propõe um gabinete institucional no Palácio dos Bandeirantes com representantes de órgãos federais, como Receita e Polícia Federal, além do Ministério Público, para liderar pessoalmente estratégias de asfixia financeira de estruturas criminosas.
Também num sinal de prioridade, o ex-ministro da Fazenda apresentou suas principais propostas de segurança no último dia 10, ainda antes do início oficial da campanha, sugerindo racionalizar o combate ao crime com tecnologia.
Uma das ideias de Haddad é um sistema de registro de boletins de ocorrência pelo aplicativo mensageiro WhatsApp e um “mapa do crime” abastecido com os documentos analisados com ajuda de inteligência artificial (IA).
— Vai dar uma efetividade, inclusive, para aquilo que não é usado hoje da maneira mais eficaz, que são as câmeras que estão instaladas e não têm atrás de si um instrumento de processamento de dados que dê condições às polícias de agir — declarou Haddad, que também propõe uma rede de proteção às mulheres para prevenir a violência de gênero.
