A popularização de procedimentos de harmonização facial tem feito os cuidados com a aparência do rosto se multiplicarem em diferentes faixas etárias.
Uma dúvida comum nos consultórios é se pessoas mais velhas podem fazer mudanças na face, o que é permitido e o que muda com a idade.
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As necessidades de um rosto aos 20 anos são diferentes das apresentadas aos 40 ou 50, e fatores como genética, exposição solar, hábitos de vida, variações de peso, qualidade da pele e características anatômicas também influenciam no processo de envelhecimento e, com isso, na escolha dos procedimentos e métodos.
Especialistas explicam que a idade cronológica não deve ser utilizada isoladamente para definir quais procedimentos serão realizados.
O planejamento precisa considerar as transformações que acontecem em diferentes camadas da face.
— A harmonização facial deve acompanhar a necessidade do rosto, e não simplesmente a idade registrada no documento — explica Simone Lime, especialista em harmonização orofacial e professora do Instituto Orofacial das Américas.
O que muda para cada idade
Na faixa dos 20 anos, por exemplo, a preocupação costuma estar mais relacionada à saúde da pele, à prevenção e, quando existe indicação, a pequenas correções de assimetrias ou proporções.
Para a cirurgiã plástica, professora de Medicina Regenerativa da UNIFESP e consultora do DMC Group Larissa Fabbri Prioli, essa fase deve ser marcada pela preservação das características naturais.
— Aos 20 anos, trabalhamos com a prevenção, refinando traços naturais ou suavizando detalhes de simetria sem intervir na estrutura — afirma.
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A partir dos 30 anos, as estratégias começam a mudar.
É nesse período que podem aparecer as primeiras linhas de expressão e sinais discretos relacionados à redução da produção de colágeno.
— Nesse momento, tratamentos voltados para a qualidade da pele, o estímulo de colágeno e o controle criterioso da movimentação muscular podem ser considerados — explica Simone.
Larissa destaca que a prevenção, nessa fase, não deve ser confundida com a realização indiscriminada de procedimentos.
Segundo ela, o objetivo é preservar a arquitetura facial original.
A cirurgiã plástica Alessandra Martinelli, que atua em procedimentos estéticos e reparadores, reforça que nem todo paciente que busca uma série de procedimentos ao chegar aos 30 anos tem indicação para realizá-los.
— Aos 30, o erro é transformar prevenção em excesso de procedimentos.
Nem todo paciente precisa começar a preencher várias regiões do rosto.
Quando o paciente chega aos 40 anos, as mudanças podem se tornar mais complexas.
O envelhecimento passa a envolver não apenas a superfície da pele, mas também gordura, musculatura e estruturas de sustentação.
— O tratamento, portanto, tende a ser mais global — explica Simone.
Para Alessandra, esse é justamente um dos momentos em que é preciso evitar a tentativa de corrigir cada marca do rosto exclusivamente com preenchimento.
— Aos 40, um equívoco frequente é tentar corrigir todas as mudanças apenas colocando volume.
O envelhecimento envolve pele, gordura, músculos, ligamentos e estrutura óssea, e o tratamento precisa considerar esse conjunto — ressalta.
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Segundo Larissa, nessa faixa etária também podem surgir perdas de volume e alterações na estrutura facial que exigem uma avaliação mais ampla.
— Aos 40 anos, surgem as primeiras perdas evidentes de volume em coxins de gordura e leve reabsorção óssea, demandando procedimentos de sustentação para reposicionar tecidos.
A preocupação com o excesso de volume, aliás, atravessa diferentes faixas etárias.
Embora o preenchimento possa ser uma ferramenta importante, especialistas alertam que seu uso exagerado pode modificar as proporções e produzir justamente o efeito contrário ao desejado.
— Quando há excesso de produto, aplicações sucessivas sem reavaliação ou tentativa de compensar flacidez apenas com volume, o rosto pode ficar pesado, alargado, edemaciado e com proporções pouco naturais — esclarece Simone.
E a partir dos 50?
Simone alerta que a partir dos 50 anos, a avaliação tende a exigir ainda mais cautela.
Nessa etapa, podem ficar mais evidentes a flacidez, a perda de gordura, a reabsorção óssea e o deslocamento dos compartimentos de gordura.
— A partir dos 50 anos, a flacidez, a reabsorção óssea e o deslocamento dos compartimentos de gordura podem se tornar mais evidentes.
Nessa fase, simplesmente preencher depressões nem sempre resolve e pode até pesar o rosto.
Larissa explica que, nessa faixa etária, o cenário anatômico é diferente.
— Já a partir dos 50 anos, enfrentamos um cenário de reabsorção óssea mais acentuada, flacidez tissular marcante e rugas estáticas profundas.
Nessa fase, a harmonização atua reestruturando a base da face e devolvendo suporte e volume perdidos, frequentemente integrada a tratamentos cirúrgicos para obter um resultado natural e harmônico — afirma.
Para Alessandra, reconhecer os limites dos procedimentos minimamente invasivos é parte importante de um planejamento responsável.
— Aos 50 anos ou mais, talvez o principal erro seja acreditar que a harmonização com preenchimentos isoladamente consegue reproduzir o efeito de um rejuvenescimento completo.
Em alguns pacientes, pequenas intervenções podem proporcionar resultados muito bons; em outros, procedimentos cirúrgicos ou uma combinação de tratamentos pode ser mais indicada — orienta.
Simone afirma que, no entanto, isso não significa que pacientes mais velhos não possam realizar procedimentos de harmonização facial, e podem se beneficiar muito desses tratamentos, desde que exista indicação correta e uma avaliação cuidadosa do estado geral de saúde.
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Antes de qualquer procedimento, a especialista ressalta a importância de investigar condições de saúde, medicamentos utilizados, alergias, alterações de coagulação, histórico de doenças autoimunes, infecções ou inflamações e tratamentos estéticos anteriores.
— Medicamentos nunca devem ser suspensos por conta própria; qualquer ajuste precisa ser discutido com o profissional que acompanha o paciente — aconselha.
No fim, independentemente da idade, as especialistas convergem em um ponto: a harmonização facial não deve seguir uma receita pronta.
Para Alessandra, o maior erro é tentar encaixar todos os pacientes em um mesmo padrão estético.
— Em qualquer idade, o maior erro é buscar um padrão de beleza em vez de preservar a identidade daquele rosto.
Harmonização facial não deveria significar deixar todo mundo com a mesma aparência.
