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Um dos países mais seguros do mundo, com alto índice de proficiência em inglês e um mercado de trabalho aquecido em tecnologia e serviços, a Holanda é um destino atraente para brasileiros qualificados.
Para estudantes de fora do Espaço Econômico Europeu, o Ministério da Educação financia a NL Scholarship, com um aporte financeiro de € 5.000 no primeiro ano de estudos.
O grande obstáculo, porém, é o valor do aluguel.
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Considerada extremamente segura, a Holanda ocupa a 17ª posição no Global Peace Index 2026, a ponto de o país ter desativado presídios nos últimos anos por falta de detentos.
Sua qualidade de vida está entre as mais altas do mundo, com IDH de 0,946, e o inglês, falado por cerca de 90% da população, elimina boa parte da barreira linguística no mercado corporativo.
O sistema de saúde funciona através de um modelo híbrido universal, que combina uma regulação pública com a prestação de serviços e gestão por parte de entidades privadas.
Em termos práticos, não é um sistema puramente privado como o dos Estados Unidos, mas um modelo assente no princípio da solidariedade social.
Salário mínimo é alto, mas preço do aluguel também
Na Holanda, o conceito de "salário mínimo mensal" fixo foi substituído em 2024 por um salário mínimo por hora obrigatório.
Isso garante que todos os trabalhadores recebam exatamente pelas horas trabalhadas, independentemente de a jornada semanal ser de 36, 38 ou 40 horas.
Por hora, o salário gira em torno de € 14,71 (R$ 87), e uma jornada semanal de 40h rende aproximadamente € 2.545,00 (cerca de R$ 15 mil).
O salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 65.600, e o mensal é de $ 5.500.
Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida.
Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país.
Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos.
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Já o custo de vida é considerado muito alto, e a moradia é o gargalo.
Em Amsterdã, um apartamento de um quarto dificilmente sai por menos de € 1.700 (cerca de R$ 10 mil) por mês, resultado de uma demanda que supera de longe a oferta.
Já em cidades menores (Utrecht, Haarlem, Leiden), os preços variam entre € 1.400 (R$ 8.300) e € 1.800 (R$ 10.600).
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O transporte público é muito eficiente, e o preço varia de € 50 a € 150, dependendo da região em que você decidir morar e da frequência de uso dos transportes públicos.
Na capital, por ser a área mais populosa, o passe mensal de transporte fica entre € 90 e € 150.
Para viagens curtas dentro da cidade, um bilhete de 1 hora (como o da GVB) custa cerca de € 3,40, enquanto um passe diário sai por € 9,00.
O gasto mensal médio com alimentação e supermercado para uma pessoa solteira varia entre € 200 e € 450.
É possível manter os gastos bem baixos se você concentrar suas compras em redes de descontos, como Lidl, Aldi e Dirk.
Na rua, uma refeição econômica ou em um bistrô simples custará de € 12 a € 20 e uma refeição de médio padrão em restaurantes tradicionais custa de € 25 a € 50 por pessoa.
País incentiva imigração de trabalhadores e estudantes
O processo migratório é centralizado no IND, o serviço de imigração holandês, e começa com o MVV, visto de longa duração que funciona como autorização de entrada, seguido da permissão de residência (VVR).
A rota mais rápida e popular para profissionais é o visto de Trabalhador Altamente Qualificado (Kennismigrant), que exige uma empresa contratante reconhecida pelo IND e pisos salariais que variam por idade: € 4.357 brutos mensais para menores de 30 anos, € 5.942 acima dessa idade e € 3.122 para recém-formados de universidades holandesas.
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Há caminhos para outros perfis.
Recém-formados de universidades holandesas ou de instituições estrangeiras no Top 200 dos rankings mundiais têm até três anos para pedir o visto de Ano de Orientação (Zoekjaar), válido por um ano, que permite procurar emprego ou abrir negócio sem autorização de trabalho separada, e ainda dá acesso ao Kennismigrant com exigência de renda reduzida.
Além disso, o Ministério da Educação financia a NL Scholarship para estudantes de fora do Espaço Econômico Europeu, com um aporte financeiro pontual de € 5.000 no primeiro ano de estudos.
Empreendedores contam com o Startup Visa e o visto de autônomo (ZZP), este baseado em sistema de pontos.
Já os estudantes precisam comprovar de € 12 mil a € 15 mil para o primeiro ano e podem trabalhar até 16 horas semanais durante o semestre.
Em quase todas as rotas de trabalho qualificado o holandês não é exigido de início, mas passa a ser cobrado, em nível crescente, para a residência permanente, obtida após cinco anos, e para a naturalização.
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Apuração de Leonardo Marchetti.
Colaboraram Júlia Vidotti, aluna do Curso Jornalismo do Futuro, e a estagiária Letícia Guimarães.
