A Polícia Civil prendeu dois homens suspeitos de participação no incêndio criminoso que destruiu uma viatura do projeto Rio Mais Seguro, da Secretaria de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal, em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Segundo a investigação da 12ª DP (Copacabana), o autor confesso revelou que o ataque fazia parte de um esquema de retaliação às operações de fiscalização do comércio irregular na orla e que o grupo pretendia realizar novas ações semelhantes.
Os presos são Juan do Nascimento Silva, apontado como executor do incêndio, e Alexsandro Cosmo Nunes, que, segundo a polícia, deu apoio ao crime transportando o autor até o local.
O terceiro investigado, Fernando dos Santos Feliciano, conhecido como “Gordinho”, é considerado foragido e apontado como mentor da ação.
Os três são investigados pelos crimes de dano qualificado ao patrimônio público e associação criminosa.
De acordo com a Polícia Civil, o incêndio ocorreu no dia 23 de julho de 2026, na Rua Hilário de Gouveia, nº 30, em Copacabana, quando uma viatura do projeto Rio Mais Seguro foi incendiada.
As investigações começaram logo após o registro da ocorrência.
Policiais da 12ª DP (Copacabana), sob coordenação do delegado titular Ângelo Lages, atuaram em conjunto com o Serviço de Inteligência do 19º BPM.
A partir do cruzamento de dados de inteligência e da análise de imagens de câmeras de monitoramento, os agentes identificaram a movimentação de cinco homens em quatro bicicletas elétricas, que deixaram a comunidade Pavão-Pavãozinho por volta das 19h39, em direção ao local do ataque.
— A investigação evidenciou que esse ato foi uma clara retaliação à Operação Tolerância Zero.
Essas quatro motos foram para uma manifestação que estava acontecendo ali na orla de Copacabana contra a Operação Tolerância Zero e nesse ponto é bom que fique claro que existe o direito constitucional de se manifestar.
É livre a manifestação, só que ela deve ser exercida dentro dos ditames legais, dentro do que preconiza a legislação de forma ordeira, não sendo admitido qualquer ato de vandalismo ou depredação contra o patrimônio público ou privado — disse o delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP (Copacabana).
As imagens mostram que, às 19h50, o executor desceu da bicicleta em frente ao local onde estava estacionada a viatura e aguardou a saída de uma van da Guarda Municipal para agir.
Segundo a investigação, o incêndio foi iniciado às 19h51min57s.
Após o crime, o suspeito fugiu pela Avenida Atlântica e, posteriormente, trocou a camisa laranja que usava na Rua Domingos Ferreira, de acordo com a polícia.
No local do incêndio, os agentes apreenderam uma garrafa plástica contendo um líquido inflamável com odor característico de querosene.
O material foi encaminhado ao Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) para perícia.
Juan do Nascimento Silva foi localizado e preso no dia 30 de julho.
Em depoimento, segundo a Polícia Civil, ele confessou a autoria do incêndio e afirmou ter recebido R$ 50 de Fernando dos Santos Feliciano para executar o ataque.
Ainda de acordo com o interrogatório, Juan disse que Fernando forneceu o combustível utilizado no crime e passou as instruções para a ação.
Também afirmou que foi levado ao local por Alexsandro Cosmo Nunes.
Planejavam novos ataques
O preso declarou ainda que o grupo planejava realizar novos ataques como forma de retaliação às operações da Seop contra o comércio irregular na orla de Copacabana.
Diante das informações obtidas durante a investigação, o delegado representou pela prisão temporária de Juan do Nascimento Silva, Fernando dos Santos Feliciano e Alexsandro Cosmo Nunes pelo prazo de cinco dias.
Alexsandro foi localizado e preso no dia 31 de julho, por volta das 19h20, na praia de Copacabana.
Ele foi conduzido à 12ª DP, onde foi apresentado à autoridade policial.
Segundo a Polícia Civil, Fernando dos Santos Feliciano segue foragido.
Equipes da 12ª DP e do Serviço de Inteligência do 19º BPM continuam realizando diligências para localizá-lo e cumprir o mandado de prisão.
A corporação também informou que ele possui antecedentes por estelionato, falsificação de documento particular, receptação, desacato e lesão corporal.
A polícia informou ainda que Juan do Nascimento Silva possui um extenso histórico criminal, com registros por furtos, roubos, corrupção de menores, receptação, resistência e desacato, além de ter sido preso em flagrante e preventivamente em 12 oportunidades entre 2014 e 2023.
Já Alexsandro Cosmo Nunes não possuía anotações criminais anteriores, constando apenas o cumprimento do mandado de prisão temporária expedido neste caso.
Homem confessa que ateou fogo em viatura da Ordem Pública em Copacabana e diz que grupo planejava novos ataques
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