Homicídios caem 51% no México desde início de governo Sheinbaum, mas causas da queda dividem especialistas - QTU Questões do Universo

Homicídios caem 51% no México desde início de governo Sheinbaum, mas causas da queda dividem especialistas

Fonte: Bandeira da fonte

Todos os dias, antes do amanhecer, Marcela Figueroa começa a reunir os dados que sustentam uma das principais bandeiras da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum: a queda dos homicídios no país.
Segundo o governo, o número de assassinatos caiu 51% desde o início da atual administração, em outubro de 2024.

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— Os resultados falam por si só: conseguimos (...) o equivalente a 44 homicídios a menos por dia — afirmou Sheinbaum durante um pronunciamento na terça-feira.

A redução representa uma mudança significativa em um país marcado pela violência dos cartéis.
Mas, embora o governo atribua parte importante do resultado à sua política de segurança, especialistas afirmam que outros fatores podem explicar a queda, como mudanças no equilíbrio de poder entre grupos criminosos.
Segundo o governo, o número de assassinatos caiu 51% desde o início da atual administração, o equivalente a 44 mortes a menos por dia
Arte / O Globo
Figueroa, responsável pelo órgão que monitora as estatísticas nacionais de criminalidade, defende uma estratégia baseada em inteligência.
A ideia é atingir não apenas aqueles que cometem os crimes, mas também líderes, financiadores e estruturas responsáveis pelas operações dos cartéis.
— Se realmente queremos reduzir a violência e os índices de criminalidade, apenas uma prisão não basta — afirmou Figueroa, em entrevista na Cidade do México.
— Precisamos examinar a organização criminosa, seu modus operandi, onde atua, suas alianças, seu tamanho e sua estrutura.

Tentativa de assassinato
A política é comandada pelo secretário de Segurança, Omar García Harfuch, que ganhou projeção nacional durante o período em que chefiou a polícia da Cidade do México, quando Sheinbaum era prefeita (2018-2023).
Em 2020, Harfuch sobreviveu a uma tentativa de assassinato atribuída ao Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG).
Ele foi atingido três vezes durante um ataque contra seu SUV blindado.
Dois seguranças e um transeunte morreram.
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Sob seu comando, o governo federal ampliou as estruturas de investigação e inteligência e passou a usar tecnologia para identificar organizações criminosas, rastrear suas finanças e chegar aos responsáveis por comandar as operações.
A estratégia concentra esforços nos estados com maior número de assassinatos.
Segundo Figueroa, apenas sete dos 32 estados mexicanos respondem por quase metade dos homicídios.
Guanajuato, importante polo industrial no centro do país, é apontado como um exemplo.
Os assassinatos aumentaram nos primeiros seis meses do governo Sheinbaum, em meio a uma disputa entre grupos criminosos pelo controle da região.
Após meses de investigação, autoridades realizaram operações simultâneas em Guanajuato, Querétaro e Yucatán e prenderam integrantes de uma rede envolvida em assassinatos, sequestros, roubo de combustíveis e tráfico de drogas.
Desde então, a média diária de homicídios em Guanajuato caiu cerca de 75%, segundo o governo.
— Não prendemos apenas o assassino de aluguel.
Também prendemos aqueles que forneceram os recursos para contratá-lo.
Se não prendermos quem está puxando os cordões, a violência não vai diminuir — afirmou Figueroa.
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Entre as prisões recentes estão a do suspeito de matar um influenciador em Sinaloa, a de um suposto operador financeiro de um grupo armado que atua na fronteira com os Estados Unidos e a de um líder do CJNG acusado de comandar uma facção do cartel nos arredores da Cidade do México.
Queda ainda é alvo de debate
Analistas reconhecem que a política de segurança pode ter contribuído para a redução dos homicídios, mas avaliam que ela não explica todo o cenário.
— Houve uma queda significativa nos homicídios, e a estratégia de segurança de Sheinbaum e Harfuch sem dúvida teve algum papel nessa redução.
Mudanças na dinâmica dos cartéis também são importantes, com o CJNG em condições de adotar uma postura menos confrontadora em algumas áreas — afirmou James Bosworth, autor da newsletter Latin America Risk Report.

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Especialistas afirmam que os assassinatos costumam aumentar quando grupos disputam territórios.
Quando um deles consolida o controle, a violência tende a diminuir.
Facções também podem estabelecer acordos, reduzindo os homicídios mesmo com a continuidade de outras atividades criminosas.
As próprias estatísticas oficiais são motivo de questionamento.
O Instituto Nacional de Estatística do México registrou, em 2025, milhares de homicídios a mais com base em certidões de óbito do que o sistema alimentado por dados das promotorias utilizado nas estatísticas mensais de segurança.
As duas bases apontam para uma redução dos assassinatos, mas a diferença entre os números alimenta dúvidas sobre a dimensão real da queda.

O elevado número de desaparecidos também dificulta a avaliação.
Mais de 130 mil pessoas estão oficialmente registradas como desaparecidas no país.
Ativistas afirmam que parte delas pode ter sido assassinada, mas, sem a localização dos corpos, esses casos não necessariamente entram nas estatísticas de homicídios.
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Durante os jogos da Copa do Mundo realizados no México neste ano, manifestantes protestaram diante de estádios para chamar atenção para os desaparecidos e acusaram o governo de minimizar o problema.
Figueroa rejeita a hipótese de que grande parte dos desaparecidos seja, na realidade, composta por vítimas de homicídio não contabilizadas.
Segundo ela, o cadastro inclui idosos, pessoas com problemas de saúde mental e indivíduos que enfrentam dependência química e deixam suas casas.
Ela afirma ainda que muitas pessoas são localizadas nos primeiros dias após o desaparecimento.
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Herança de López Obrador
Figueroa também reconhece que a redução da violência começou antes da estratégia de Sheinbaum.
Segundo ela, medidas adotadas pelo antecessor, Andrés Manuel López Obrador, contribuíram para a melhora dos indicadores.
Entre elas estão a criação da Guarda Nacional, que hoje tem cerca de 130 mil integrantes, e a expansão de programas sociais voltados para áreas vulneráveis.

Para a dirigente, iniciativas de combate à pobreza e de ampliação de oportunidades também podem reduzir o recrutamento de jovens por organizações criminosas.
Apesar das ressalvas, Sheinbaum tem usado a queda dos homicídios como uma das principais vitrines de seu governo.
No pronunciamento nacional na terça-feira, a presidente afirmou que garantir que as famílias possam viver em paz é a principal prioridade de sua administração.