A usina nuclear de Paks, responsável por quase metade da geração de eletricidade da Hungria, poderá permanecer desligada por várias semanas porque o nível do rio Danúbio deve continuar baixo demais para permitir sua operação com segurança, afirmou nesta sexta-feira o primeiro-ministro Peter Magyar.
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A paralisação ameaça aumentar a dependência da Hungria de importações de energia em meio a uma onda de calor que deve elevar em 20% a demanda máxima de eletricidade no período da noite, levando o governo a pedir que grandes consumidores industriais reduzam o uso de energia.
Os quatro reatores de fabricação russa da usina de Paks operam atualmente com menos de 50% da capacidade conjunta de 2 gigawatts e deverão ser totalmente desligados na segunda-feira pela primeira vez em 44 anos, já que a previsão indica nova queda no nível das águas do Danúbio.
A água do rio é utilizada para resfriar a usina.
Os reatores poderão ser religados quando o nível da água voltar a um patamar seguro, "mas isso não deve acontecer nas próximas semanas", disse Magyar durante uma entrevista na refinaria do Danúbio da empresa de energia MOL, em Százhalombatta.
Na quinta-feira, Magyar afirmou que a Hungria conseguirá atender sua demanda de energia por meio de importações.
No entanto, a combinação entre menor geração doméstica e maior consumo pode criar uma situação crítica para o sistema elétrico.
Magyar pede que empresas reduzam consumo
Para aliviar a pressão sobre a rede elétrica, Magyar reiterou seu apelo para que grandes empresas industriais, incluindo montadoras e fabricantes de baterias, reduzam o consumo de eletricidade e água.
"Faço um apelo às grandes empresas para que enviem seus planos de paralisação voluntária", afirmou.
Ele também disse que seu partido pedirá ao Parlamento o adiamento das sessões previstas para segunda e terça-feira, como forma de economizar energia.
Todas as instituições públicas desligarão a iluminação decorativa até, no mais tardar, segunda-feira.
O presidente-executivo da MOL, Zsolt Hernadi, afirmou nesta sexta-feira que a companhia está interrompendo o funcionamento de algumas instalações em todo o país para economizar energia.
Segundo Magyar, a MOL, uma das maiores consumidoras de eletricidade da Hungria, reduzirá seu consumo em 40%.
A Samsung SDI informou, por e-mail, que sua fábrica de baterias em Göd, ao norte de Budapeste, reduzirá o consumo de água em 50% e o de eletricidade em 10% durante o horário crítico da noite.
O canal de captação de água do rio Danúbio é mostrado na usina nuclear de Paks, em Paks, Hungria, em 31 de julho de 2026
REUTERS/Bernadett Szabo
Comissão Europeia acompanha situação
Na vizinha Romênia, o baixo nível das águas obrigou a empresa de energia nuclear Nuclearelectrica a desligar um de seus reatores.
A porta-voz da Comissão Europeia Anna-Kaisa Itkonen disse à Reuters que o órgão acompanha de perto a situação do fornecimento de energia na Romênia, na Hungria e em toda a região do sudeste da Europa.
Segundo ela, não há preocupação imediata com a segurança do abastecimento, mas a Comissão está pronta para convocar, se necessário, uma reunião extraordinária do Grupo de Coordenação da Eletricidade da União Europeia.
