IA ainda não causa medo de corte de vagas em assessorias de investimento - QTU Questões do Universo

IA ainda não causa medo de corte de vagas em assessorias de investimento

Fonte: Bandeira da fonte

O papel e o limite de atuação da inteligência artificial generativa foram bastante discutidos na Expert XP.
A IA vai, afinal, acabar com a necessidade da atuação humana na pesquisa e na assessoria de investimentos? Segundo os profissionais ouvidos pelo Valor, a resposta, por ora, é negativa.
Gabriel Santos, superintendente de IA da XP, afirma que as ferramentas têm como benefício mais visível o ganho de eficiência no processamento de informações em operações diárias.
A instituição tem ao menos 300 projetos mapeados de inteligência artificial, e o número de profissionais envolvidos, “centenas” deles, na descrição de Santos, só cresce.
O principal deles, comenta Santos, é a plataforma de assistência às diversas assessorias que atuam com a XP, conhecida como Tatá.
“Ela consolida o histórico do cliente, mas não emite opiniões diretas de compra ou venda, o que, acreditamos, é ainda papel do assessor na ponta”, diz.
Na pesquisa, o mesmo ocorre.
O economista-chefe da Kinea Investimentos, André Diniz, comenta que a IA agora consegue lidar com um número muito maior de informação, antes espalhadas em diversos locais e fontes, de maneira mais rápida e estruturada.
“O papel do analista de research muda para que ele foque em sua capacidade de análise, deixando de gastar tempo com o processamento braçal de informações”, comenta Diniz, cuja operação é de “buy-side”.
No “sell-side”, o CEO da Suno, Gian Kojikovski, explica que a inteligência artificial reduziu praticamente a zero o custo de informação e dados não estruturados.
Mas o trabalho do analista permanece vivo, na opinião do CEO.
“A IA facilita o trabalho quantitativo, mas ainda tem dificuldade para adotar posições contra o consenso, pois foi treinada para entender esses consensos, o que pode ser muito lucrativo”, diz Kojikovski, que conta com cerca de 12 a 15 analistas de research e faz a gestão de R$ 4,5 bilhões na Suno Asset.
“O uso de nossas ferramentas proprietárias foca em automatizar buscas e gerar alertas, mantendo a palavra final rigorosamente com os analistas.”
A IA ainda tem dificuldade para adotar posições contra o consenso”
A otimização da captura de dados também é um ponto a ser destacado, na visão de Guilherme Miziara, diretor comercial da Gorila, uma das principais plataformas especializadas na infraestrutura de tecnologia e dados para o mercado de investimentos no Brasil.
“A inteligência analisa a carteira real para fornecer diagnósticos de alocação, diversificação e eficiência tributária em linguagem cotidiana”, comenta Miziara.
“O avanço tecnológico caminha do conceito de ‘copiloto’ para o de um ‘mundo agêntico’, no qual agentes autônomos negociarão diretamente entre plataformas para democratizar a gestão de patrimônio.
Mas isso ainda não acontece.”
Na Nippur, uma assessoria de investimentos de Joaçaba (SC), que também ingressou no mundo do multifamily office, com R$ 12 bilhões em custódia e mais de 20 mil clientes, a sócia-fundadora Schaila Bucco explica que o papel da IA, antes de tudo, é desafogar o assessor de tarefas repetitivas.
“Quando falamos do fim do papel do assessor, costumo fazer um paralelo com o trabalho de um cardiologista”, compara.
“O cliente pode jogar os exames na IA, para saber o que ela diz, mas ele sabe que precisa de um médico de confiança para ter o melhor diagnóstico.”
Uma das vantagens da IA para Carlos Daltozo, engenheiro de produtos da Bridgewise, é ampliar a capacidade analítica e permitir a comparação entre empresas locais e globais.
“A tecnologia amplia a capacidade, mas não substitui o olho no olho”, avalia.
Gabriel Uarian Bezerra, sócio da assessoria goiana Cultura Capital, diz que usa IA para ganhar tempo para a prospecção de novos clientes.
“Enquanto a IA é muito útil e oferece boa previsibilidade para produtos de renda fixa, na renda variável, ela pode induzir a erros, como sugerir a realização de prejuízos em momentos de queda temporária, por não compreender o cenário completo e o comportamento emocional do investidor.
Nosso papel é fundamental.”