Depois de transformar a maneira como milhões de pessoas trabalham, a inteligência artificial começa a mudar também a rotina dentro de casa.
Cada vez mais presente no cotidiano, a tecnologia passa a ser utilizada por pais que buscam organizar compromissos, esclarecer dúvidas, criar atividades para os filhos e administrar uma rotina marcada pela falta de tempo.
Levantamento realizado pelo Infojobs mostra que 26,17% dos pais brasileiros já utilizam ferramentas de inteligência artificial para otimizar atividades profissionais e tarefas do cotidiano.
Ao facilitar pesquisas, organizar informações e agilizar demandas operacionais, a tecnologia ajuda esses profissionais a administrar melhor o tempo e a ampliar sua disponibilidade para participar da criação e da rotina dos filhos.
A mudança acontece em um contexto em que conciliar carreira, responsabilidades domésticas e participação ativa na criação dos filhos se tornou um dos principais desafios das famílias.
Nesse cenário, a IA passa a funcionar como uma ferramenta de apoio para tarefas que antes exigiam longas pesquisas na internet ou dependiam exclusivamente da troca de experiências entre familiares e amigos.
Para Fabio Maeda, diretor de Growth & Experience da Redarbor Brasil, grupo detentor do Infojobs, a inteligência artificial começa a ocupar um papel semelhante ao de outras tecnologias que, inicialmente, despertaram curiosidade e depois passaram a fazer parte da rotina.
"Estamos observando a IA deixar de ser uma ferramenta usada apenas para ganhar produtividade no trabalho e se tornar uma aliada na organização da vida cotidiana.
Ela ajuda a economizar tempo, reunir informações e facilitar decisões simples do dia a dia, permitindo que os pais dediquem mais energia ao que realmente exige presença e atenção."
Entre os pais que utilizam inteligência artificial, as aplicações mais comuns envolvem organização da rotina familiar, planejamento de atividades educativas, apoio em tarefas escolares, elaboração de cardápios, sugestões de passeios, planejamento de viagens e esclarecimento de dúvidas relacionadas ao desenvolvimento infantil.
Segundo Fabio, o avanço dessa tecnologia não significa substituir a experiência dos pais, mas ampliar sua capacidade de tomar decisões de forma mais rápida e informada.
"A IA não educa uma criança e não substitui o olhar dos pais.
O valor está em simplificar tarefas operacionais, organizar informações e oferecer caminhos que ajudam na tomada de decisão.
Quanto menos tempo uma família precisa dedicar à burocracia do cotidiano, mais tempo sobra para convivência."
Apesar do crescimento, a pesquisa mostra que a maioria dos pais ainda não incorporou esse tipo de tecnologia à rotina familiar uma vez que a IA é utilizada por 26% dos pais pesquisados.
Para o executivo, isso demonstra que a adoção da inteligência artificial ainda está em um estágio inicial e deve crescer à medida que novas soluções se tornem mais intuitivas e especializadas.
"Assim como aconteceu com aplicativos de mobilidade, bancos digitais e plataformas de streaming, existe um período de adaptação até que as pessoas descubram como aquela tecnologia pode gerar valor na prática.
A inteligência artificial está começando a percorrer esse caminho dentro das famílias."
Na avaliação de Maeda, o avanço da IA também amplia a discussão sobre qualidade de vida.
"Durante muito tempo, falamos sobre inteligência artificial apenas pelo impacto na produtividade e no mercado de trabalho.
Agora começamos a enxergar outro potencial: usar a tecnologia para reduzir pequenas sobrecargas do cotidiano e devolver às pessoas um recurso que hoje é extremamente escasso, o tempo", conclui.
IA entra na rotina das famílias e começa a redefinir a forma como pais cuidam, organizam e educam os filhos
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