Até poucos anos atrás, o maior desafio das universidades era incorporar novas tecnologias às salas de aula.
Hoje, a discussão mudou: como formar profissionais quando a inteligência artificial já executa parte das atividades que antes eram ensinadas durante a graduação?
O avanço acontece em ritmo acelerado.
Uma pesquisa divulgada em agosto de 2026 pela Kogod School of Business, da American University, mostra que mais de 80% dos universitários utilizaram inteligência artificial em atividades acadêmicas nos últimos seis meses.
Outro levantamento, realizado pelo Inside Higher Ed, aponta que 85% dos estudantes já utilizam ferramentas de IA durante a graduação.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o desenvolvimento do pensamento crítico, da autoria e da preparação para o mercado de trabalho.
Nas áreas de Arquitetura, Engenharia e Design, o impacto tende a ser ainda maior.
Ferramentas de inteligência artificial já auxiliam na criação de conceitos, geração de imagens, modelagem, compatibilização de projetos, simulações, automação de tarefas e análise de dados.
Com isso, atividades que antes consumiam horas passam a ser executadas em poucos minutos, mudando o perfil das competências exigidas pelas empresas.
Essa transformação também exige uma revisão na forma como as universidades ensinam.
Especializada em tecnologia para Arquitetura, Engenharia, Construção e Design, a Redraw acompanha essa mudança de perto ao desenvolver soluções que utilizam inteligência artificial para otimizar fluxos de trabalho, automatizar processos e aumentar a produtividade de profissionais e empresas do setor.
Para a companhia, o mercado já não procura apenas especialistas em softwares, mas profissionais capazes de integrar tecnologia e conhecimento técnico para tomar decisões mais estratégicas.
Para Alexandre Kuhn, cofundador da Redraw, a discussão não deve girar em torno de substituir pessoas, mas de transformar a forma como elas aprendem.
"A inteligência artificial reduz o tempo gasto em tarefas operacionais, mas aumenta a responsabilidade do profissional.
Se antes o diferencial era dominar uma ferramenta, agora é saber interpretar informações, validar resultados e tomar decisões.
Esse é o perfil que o mercado começa a exigir, e a formação universitária precisa acompanhar essa mudança."
Segundo Kuhn, a IA tende a ocupar um espaço semelhante ao que os softwares de desenho ocuparam décadas atrás: inicialmente vista como diferencial, mas rapidamente transformada em requisito básico para o exercício da profissão.
"Em poucos anos, saber utilizar inteligência artificial será tão natural quanto trabalhar com plataformas de modelagem ou desenho técnico.
A diferença é que a IA não muda apenas a ferramenta de trabalho; ela muda a forma de pensar, projetar e resolver problemas.
As faculdades precisam preparar os alunos para esse novo cenário."
O movimento também altera o papel dos professores.
Em vez de concentrar o ensino na execução de tarefas repetitivas, cresce a importância de estimular análise crítica, criatividade, colaboração e tomada de decisão — habilidades que continuam sendo exclusivamente humanas e passam a ganhar ainda mais valor em um ambiente cada vez mais automatizado.
Na avaliação da Redraw, esse processo representa uma oportunidade para aproximar universidades e mercado.
Empresas já esperam que recém-formados tenham familiaridade com inteligência artificial, automação e fluxos digitais, mas também capacidade para validar informações, interpretar resultados e desenvolver soluções inovadoras.
"Quem acreditar que a IA veio para substituir a formação técnica está olhando para o problema da forma errada.
Ela exige profissionais ainda mais preparados.
Quanto mais poderosa é a tecnologia, maior precisa ser o repertório de quem a utiliza.
O futuro pertence a quem consegue unir conhecimento, criatividade e inteligência artificial em um mesmo processo.", conclui Alexandre Kuhn.
IA já faz parte da rotina de 8 em cada 10 universitários e pressiona faculdades a repensarem a formação profissional
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