IBGE: Apenas um terço de quem usa apps de serviços para trabalhar contribui para previdência

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Do total dos trabalhadores por plataformas digitais no Brasil, apenas 34% contribuem para algum instituto de previdência, enquanto nos demais trabalhadores é de 63%. Na média das pessoas ocupadas, essa fatia é de 62,4%. LEIA MAIS: Quase dois milhões trabalham por meio de aplicativos de serviços no Brasil, como transporte e entrega, aponta IBGE IBGE: Renda de trabalhadores que usam apps de transporte ou entrega para trabalhar cresce 1% entre 2022 e 2025, ante alta de 10,6% entre demais ocupados Flexibilidade e falta de outra ocupação são principais motivos trabalho por apps, mostra IBGE Quando se considera os condutores de automóveis e de motocicletas – mais expostos a acidentes ou outros riscos relacionados à ocupação –, a cobertura previdenciária de quem trabalha através de aplicativos é ainda menor: 25,5% e 19,4%, respectivamente. Esse nível também é inferior ao de trabalhadores que exercem ocupações similares a esses condutores: 43,8% e 31%, em igual base de comparação. As informações são parte da pesquisa Trabalho por Meio de Plataformas Digitais (2025), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. “Apenas 34% dos plataformizados [trabalhadores por plataforma digitais] contribuem para previdência. É muito pouco. Praticamente dois terços dos trabalhadores plataformizados não estavam cobertos por previdência. É uma diferença substancial entre os grupos”, afirmou o analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes, responsável pela pesquisa.

A cobertura de previdência garante não apenas o direito à aposentadoria, mas a benefícios como o auxílio-doença. Estatísticas do Ministério da Saúde mostram aumento das internações nos hospitais públicos por causa de acidentes com motocicletas, enquanto o Atlas da Violência mostra crescimento no número de mortes no trânsito brasileiro. As motocicletas são hoje as principais responsáveis por essas mortes, com mais de 40% dos casos para a maioria dos estados brasileiros. Os autores do levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam a influência do trabalho nos aplicativos de transporte nesse contexto.

A pesquisa do IBGE aponta ainda ampla distância do nível de informalidade. Em 2025, 43,3% das pessoas ocupadas no setor privado foram classificadas como informais. Entre os trabalhadores por aplicativo, o grau de informalidade era de 72,1%, percentual bastante acima do registrado para os demais trabalhadores do setor privado (42,7%), resultando em uma diferença de 29,4 pontos percentuais na taxa de informalidade entre esses dois grupos.

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