O Ibovespa dispara nesta sexta-feira, em meio à retomada da busca por ativos reais, como as commodities, que fortalecem os mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Além do cenário macroeconômico global, a expectativa de uma disputa eleitoral mais apertada do que a atualmente incorporada aos preços também pode contribuir para o desempenho das ações, segundo gestores.
Por volta das 13h, o Ibovespa subia 2,13%, aos 171.509 pontos, após oscilar entre a mínima de 167.928 pontos e a máxima de 171.980 pontos.
O volume financeiro projetado para o Ibovespa era de R$ 23,7 bilhões.
Em Nova York, o Nasdaq ganha 0,64%, o Dow Jones sobe 0,84% e o S&P 500 avança 0,63%.
As ações ordinárias da Vale ganhavam 2,30% e as preferenciais da Petrobras subiam 0,25%, impulsionando os ganhos do índice.
Já as ações de bancos sobem em bloco, com destaque para as units do BTG Pactual, que avançavam 4,91%, e as preferenciais do Bradesco, que subiam 3,11%.
Um estrategista de um grande banco destaca que o movimento global é positivo e impulsiona a bolsa brasileira na sessão.
Ele estima que o componente eleitoral responda por apenas 20% a 30% do movimento, destacando que outros mercados emergentes também avançam.
Por outro lado, fontes apontam que as notícias envolvendo a investigação de vazamentos relacionados ao filho do presidente Lula, Fábio Luis Lula da Silva, e a perspectiva de uma disputa mais apertada com o senador Flávio Bolsonaro no pleito de outubro, possam ser o principal fator para o desempenho local.
Após o fechamento dos mercados, será divulgada pesquisa Datafolha sobre a eleição presidencial.
Na liderança das altas, Vamos ON subia 8,87%, em meio à queda dos juros futuros, e as preferenciais da Usiminas ganhavam 7,74%.
Na ponta negativa, Braskem PNA perdia 2,94%, diante das notícias de que as tratativas entre a petroquímica e os credores financeiros “têm se intensificado”, mas ainda sem a definição das condições de reestruturação da companhia.
Apesar do pregão positivo, a retirada de R$ 20,5 bilhões por investidores estrangeiros da bolsa brasileira registrada em agosto é a terceira maior em um único mês desde 2008 e, diante da magnitude do movimento, o Ibovespa pode estar mais caro do que deveria, na avaliação do J.P.
Morgan.
O banco diz ainda que as saídas podem se prolongar.
Além disso, a equipe liderada pela estrategista-chefe de ações para a América Latina e Brasil do banco, Emy Shayo Cherman, ressalta que não há associação histórica entre eleições e fluxos.
Pelo contrário, o comportamento dos recursos estrangeiros em torno do pleito tende a ser positivo.
Nas últimas quatro disputas, houve entradas nos três meses anteriores às eleições e também nos três meses seguintes, com exceção de 2018.
