Indicador de incerteza na economia reduz, mas ambiente político deve manter índice volátil, diz FGV - QTU Questões do Universo

Indicador de incerteza na economia reduz, mas ambiente político deve manter índice volátil, diz FGV

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Notícias favoráveis no ambiente interno da economia brasileira, principalmente no que concerne às projeções sobre inflação futura, ajudaram a derrubar o Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta sexta-feira (31).
O IIE-BR caiu 1,9 ponto em julho, para 109,4 pontos, após subir 0,4 ponto em junho.
Com a queda, o índice mostrou mais baixo patamar desde fevereiro deste ano (105,8 pontos).
No entanto, o indicador deve mostrar trajetória volátil até fim do ano, adiantou Anna Carolina Gouveia, economista da FGV responsável pelo indicador.
Isso porque o segundo semestre contará com acirramento de campanhas eleitorais devido ao pleito em outubro - o que sempre confere incertezas às projeções quanto aos rumos da economia.
Ao falar do resultado de julho, Gouveia detalhou que as expectativas puxaram o recuo do índice.
O componente de expectativas do índice, que mede dispersão nas previsões de especialistas para variáveis macroeconômicas, recuou 6,8 pontos no mês, passando a 107,7 pontos e contribuindo negativamente com 1,5 ponto para a queda do IIE-Br.
Já o componente mídia caiu 0,5 ponto para 108,8 pontos, em julho.
“Tivemos [em julho] resultado recente favorável em relação à expectativa da inflação de alimentos principalmente”, lembrou.
Isso ajudou a influenciar, para baixo, projeções de mercado para taxa básica de juros (Selic), que norteia juros de mercado.
O Banco Central (BC) promove elevações na Selic como estratégia para conter avanço inflacionário, via inibição de consumo.
Assim, com inflação menos pressionada, há mais espaço para cortes na Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
“E o mercado de trabalho continua forte, mas também já está dando sinais de desaquecimento [na renda], mesmo que ainda muito pouco”, acrescentou, a completar que esse fator também é boa notícia para arrefecimento de inflação.
Na mais recente Pnad mensal, pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mapeia dados oficiais de emprego do país, a massa de rendimento real habitual foi de R$ 380,3 bilhões, no segundo trimestre e, quando comparada ao trimestre móvel de janeiro a março de 2026, apresentou estabilidade.
Isso ocorreu mesmo com taxa de desemprego a 5,3% no segundo trimestre, menor taxa na série da pesquisa.
Mas com renda menos aquecida o consumo não sobe tanto – e, com isso, os preços também não aceleram.
Porém, ela fez um apontamento.
Embora tenha sido favorável o desempenho do IIE-Br em julho, não há certezas de continuidade do quadro positivo nos próximos meses, admitiu.
A técnica não descartou um “aumento ligeiro das incertezas por conta das eleições presidenciais”, nas palavras da especialista.
“Talvez nos próximos meses esse indicador possa até vir a subir por questões de ruído, de incerteza associada às eleições”, reconheceu.
Na prática, a incerteza com a economia brasileira mapeada pelo indicador deve seguir trajetória volátil, até fim do ano, por conta do cenário político, admitiu ela.
Outros aspectos também podem influenciar em ritmo do indicador, como continuidade de algumas turbulências originadas do ambiente externo, tais como “tarifaços” do governo americano; e embates diplomáticos do Brasil com outros países, como foi recentemente com a Argentina.
Mas a especialista ponderou que essa influência só se dará se ocorrer impacto, na prática, de turbulências externas nos resultados da economia brasileira.

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