O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto, lançou na terça-feira um programa para desenvolver uma capacidade de 100 gigawatts (GW) de energia solar, à medida que a maior economia do Sudeste Asiático busca reduzir sua dependência de combustíveis fósseis e os crescentes custos de importação.
"Não é brincadeira.
Vamos construir 100 gigawatts.Nossa meta é concluir a construção em três anos", disse Prabowo durante o lançamento na regência de Jembrana, em Bali.
A cerimônia de terça-feira também marcou o início das obras de três projetos de usinas solares nas províncias de Java Central e Java Oriental, com capacidade de cerca de 130 megawatts-pico cada.
Além disso, o governo afirma que abrirá em breve licitações para outros seis projetos com capacidade combinada de aproximadamente 4,7 GW-pico, incluindo em Bali e Java Ocidental.
Atualmente, a Indonésia possui apenas 1,5 GW de energia solar de sua capacidade instalada total de 108 GW, sendo a maior parte proveniente de carvão.
No total, as fontes renováveis representavam 17,9% da capacidade de geração elétrica em abril, incluindo hidrelétricas e energia geotérmica.
O ministro de Energia e Recursos Minerais, Bahlil Lahadalia, disse que o programa de 100 GW exigirá investimentos de US$ 73 bilhões, acrescentando que a energia solar, quando totalmente instalada, poderá economizar para a Indonésia 73,9 trilhões de rupias (US$ 4,2 bilhões) anualmente em gastos com subsídios de energia.
A Indonésia é importadora líquida de petróleo, e o consumo interno de combustível é fortemente subsidiado.
"Com 100 gigawatts de energia solar, a energia geotérmica que possuímos, a descoberta de campos de gás e o aumento da extração de petróleo, não deveremos mais importar sequer um barril de petróleo", disse Prabowo.
Em seu discurso sobre o estado da nação, em 14 de agosto, o presidente afirmou que o governo pretende instalar 30 GW apenas neste ano, inclusive por meio da construção de uma usina solar de 1 MW em cada vila da Indonésia.
Espera-se também que a iniciativa ajude o país a desativar antecipadamente suas usinas termelétricas a diesel, que somam 13 GW de capacidade.
Lahadalia afirmou que a concessionária estatal Perusahaan Listrik Negara (PLN) compraria energia solar por um valor entre 5 e 6 centavos de dólar por quilowatt-hora (kWh), em comparação com os 3 a 4 centavos por kWh da energia gerada a partir de carvão.
Ele acrescentou que sistemas de armazenamento de energia em baterias também seriam desenvolvidos em todo o país para compensar a intermitência da energia solar.
Não está claro, de imediato, como o governo lidará com o problema de excesso de oferta de eletricidade da PLN, situação que, nos últimos anos, desestimulou produtores independentes a construir usinas solares.
A PLN detém o monopólio da distribuição de eletricidade para residências em todo o país.
O “Nikkei Asia” entrou em contato com a concessionária estatal para obter comentários.
Eniya Listiani Dewi, diretora-geral de energias renováveis do Ministério de Energia, disse ao “Nikkei Asia” que o governo ainda está preparando um marco regulatório para apoiar o impulso à energia solar, e que esse marco servirá de base para que a PLN ajuste seu plano decenal de aquisição de eletricidade.
Fabby Tumiwa, executivo-chefe (CEO) do centro de estudos Instituto para Reformas de Serviços Essenciais, afirmou que o sucesso da implementação do programa dependeria de um planejamento claro e de um roteiro detalhado — incluindo metas anuais, fontes de financiamento e uma supervisão eficaz.
Ele apontou que o financiamento e as mudanças regulatórias continuam sendo grandes obstáculos, juntamente com desafios técnicos relacionados à transmissão e à capacidade da rede.
"A energia solar em larga escala exigirá uma grande extensão de terra, o que demandará tempo para aquisição e posterior utilização", acrescentou.
Tumiwa disse ao “Nikkei Asia” que, durante a fase inicial de "decolagem", o governo deveria priorizar projetos de resultados rápidos, que reduzam o uso de diesel, destravem investimentos, expandam o acesso à eletricidade limpa e fortaleçam a confiança do público.
