A indústria brasileira encerrou o primeiro semestre com disseminação de taxas negativas – nas quatro categorias econômicas e em 16 de 25 ramos industriais – e interrupção de trajetória ascendente do início do ano.
A avaliação é do gerente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) André Macedo, responsável pela Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF).
A pesquisa apontou queda de 1,8% da indústria em junho, a maior para o mês em 12 anos, desde junho de 2014 (-2,9%).
Para qualquer mês, o recuo de 1,8% é o segundo seguido (-0,9% em maio) e o mais intenso desde dezembro de 2025 (-1,9%).
Perguntado se o resultado mais recente sinalizava mudança de rota, Macedo destacou reconheceu que a indústria mudou e há comportamento diferente daquele visto nos primeiros meses do ano.
“Em maio e junho, houve queda de 2,7%.
Não elimina totalmente a alta de 4,4% nos primeiros quatro meses, mas é uma leitura diferente do que tinha sido observado.
Mais do que isso, há esse comportamento disseminado de quedas.
O resultado do semestre encerrado em junho mostra interrupção da trajetória ascendente”.
De acordo com o gerente do IBGE, não há uma causa ou atividade específica que possa justificar a queda de 1,8% e a fotografia do momento é de menor dinamismo do setor industrial.
“O setor industrial vinha com movimento de maior dinamismo e agora elimina um pouco da gordura que tinha sido acumulada.
Pode ter característica de arrumação frente ao crescimento mais intenso do início do ano”, afirmou.
Tanto em maio quanto em junho, segundo ele, foram observados alguns movimentos de paralisações programadas em plantas industriais, que, na sua análise, pode ser uma estratégia das empresas se adaptarem ao momento.
Do ponto de vista de conjuntura econômica, no entanto, reforçou, permanece o mesmo ambiente visto antes.
“Os efeitos da política monetária continuam e os níveis de inadimplência também, tanto de empresas quanto de consumidores”.
André Macedo, do IBGE
Divulgação/IBGE
