Registrado como candidato na disputa pelo Palácio do Planalto mesmo estando inelegível, o ex-coach Pablo Marçal (PRTB) tem feito ataques a Renan Santos, presidenciável do Missão, e ao presidente Luiz Inácio da Silva (PT) na largada da campanha.
O movimento é visto por adversários como uma estratégia para beneficiar indiretamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que recebeu no início do ano uma promessa de apoio de Marçal e tem sido poupado das críticas do ex-coach.
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Enquanto os oponentes estiveram nas ruas e participaram de eventos com apoiadores, o ex-coach apostou em aparições em ao menos cinco podcasts e outros programas nos primeiros quatro dias de campanha.
Uma das entrevistas, ao Brasil Paralelo, rendeu 15 cortes publicados no perfil principal do empresário no Instagram, que, somados, geraram quase 26 milhões de visualizações nas redes sociais até a noite de quarta-feira.
O candidato do PRTB também teve o maior ganho de seguidores na rede social desde sábado entre os presidenciáveis (133,4 mil), superando inclusive Renan Santos (78,9 mil) e Lula (95 mil), de acordo com dados levantados pelo GLOBO a partir da plataforma Social Blade.
Artilharia pesada
Nos conteúdos, Marçal foca a artilharia em Renan, que passa a disputar com ele discurso “antissistema”.
Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
nesta semana, o ex-coach descreveu o adversário como um “cara disfuncional para a sociedade”, criticando-o por não ter filhos nem ser casado aos 40 anos.
— Acho que ele tem que arrumar uma mulher ou homem para amansá-lo.
O cara que, com 40 anos, não tem um relacionamento é disfuncional para a sociedade.
É um menininho de papai, tem que pagar os impostos que está devendo — disse Marçal.
— Ele tem que arrumar um menino, uma criança para ter bronquite e pegar uma fila no hospital.
No podcast do Brasil Paralelo, Marçal classificou os integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), ligados a Renan, como “escoteiros” e insinuou que o oponente seria objeto de “um patrocínio” suspeito.
No programa, o empresário também subiu o tom contra Lula, descrevendo-o como “a maior decepção da história do país”.
— Eu falei: “Esse cara veio de pau de arara, esse cara vai ser um presidente que vai mudar”.
Você, Luiz, é a maior decepção que esse país já teve.
Você, vindo do mesmo lugar de onde vim, tinha que ter feito o povo prosperar, e esse povo não prosperou — afirmou.
— Você (Lula) não vai acabar com fome nenhuma, que você não dá conta de fazer isso.
O que acaba com a fome é enxada, porque capim nunca acabou.
Marçal disse ainda ao Brasil Paralelo que o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) tem sido manipulado por Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e vice escolhido para a chapa presidencial.
Além disso, o empresário afirmou que o ex-governador de Minas Romeu Zema (Novo) “errou” ao criticar Flávio Bolsonaro pelas ligações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
As menções ao candidato ao Planalto pelo PL, no entanto, divergiram do tom adotado em relação aos outros adversários.
Marçal sugeriu que o senador “aguente firme” mesmo diante das críticas e o elogiou por obter apoio de representantes da direita de outros países.
Já em entrevista ao Inteligência Ltda., Marçal descreveu o senador como um “cara correto, que escuta” e como o “melhor dos quatro filhos” do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No fim do ano passado, o ex-coach também publicou um vídeo declarando apoio à candidatura de Flávio, descrevendo-o como o “Bolsonaro que a gente sempre sonhou”.
A proximidade entre os dois tem sido vista com desconfiança por adversários, como Renan Santos, que o acusou de atuar para favorecer o senador.
— Ele estava trabalhando com Flávio Bolsonaro, era consultor de marketing, então não imagino nada muito diferente disso — disse o candidato do Missão após participar de palestra em evento do mercado financeiro em São Paulo na segunda-feira.
Condenado à inelegibilidade pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE) por irregularidades na disputa pela prefeitura de São Paulo de 2024, Marçal conseguiu registrar a candidatura no último sábado após obter uma liminar que autorizou sua saída do União Brasil e retorno ao PRTB, mesmo após o prazo para as trocas partidárias, encerrado em 4 de abril.
Na quarta-feira, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que rejeite o registro da candidatura de Marçal.
Também solicitou que, antes mesmo do julgamento definitivo, Marçal seja impedido de usar recursos públicos de campanha, participar do horário eleitoral gratuito e realizar outros atos de propaganda, inclusive debates.
Segundo a colunista do GLOBO Malu Gaspar, O TSE deve dar uma resposta rápida, embora a Corte tenha até 14 de setembro para analisar as postulações dos 13 candidatos à Presidência, decidindo se eles estão aptos a concorrer ou não.
Enquanto isso, Marçal terá o nome testado na próxima rodada da pesquisa Datafolha, prevista para ser divulgada amanhã.
Ele tem tentado aprovar sua participação no debate presidencial da Band no próximo domingo.
Inelegível, Marçal foca ataques em Lula e Renan Santos, e adversários veem jogo para favorecer Flávio
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