O influencer César Gastélum estava fazendo uma live do lado de fora de uma lanchonete em Culiacán, capital de Sinaloa (México), em 4 de agosto, quando um homem de moto surgiu sem levantar suspeita e o executou com um tiro na cabeça.
Ele tinha 25 anos.
Em maio do ano passado, a influenciadora Valeria Márquez, que tinha 23 anos, foi assassinada pelo condutor de uma moto quando fazia uma live no seu salão de beleza em Zapopan, na Grande Guadalajara.
Os dois crimes engrossam uma "tendência" no México: a morte de influenciadores em meio à sangrenta guerra de cartéis do tráfico de drogas no México.
Foram 19 assassinatos de criadores de conteúdo desde 2024.
Oito dessas mortes ocorreram em Sinaloa.
Os influencers estão sendo vistos como apoiadores de grupos criminosos e alvos dos seus rivais.
César Gastélum com o chapéu que é símbolo da facção La Mayiza, no Cartel de Sinaloa
Reprodução
Na execução de Gastélum, suspeita-se que um detalhe tenha tornado o influencer um alvo.
Nos seus últimos vídeos, incluindo a live, Gastélum apareceu usando um chapéu branco e utilizando músicas que faziam alusão direta à facção La Mayiza (liderada por Ismael Zambada, mais conhecido como "El Mayo" e "O Senhor do Sombrero").
Investigadores acreditam que essa postura pode ter tornado o influencer um alvo da facção Los Chapitos, o grupo rival na violenta disputa territorial de Culiacán, de acordo com o jornal "La Jornada".
Eliminar influencers que se mostram mais "simpáticos" a determinados cartéis pode significar um recado de rivais.
"A dinâmica que observamos entre influenciadores e cartéis no México é algo que já vimos antes: atacar aqueles que fornecem recursos ao inimigo", afirmou ao "Sun" David Mora, analista para o México do International Crisis Group.
Especialistas afirmam que essas mortes revelam como influenciadores têm sido arrastados para uma guerra de propaganda em meio a confrontos violentos entre cartéis, tornando-se, cada vez mais, alvos diretos.
"Escolher" um lado pode cobrar um preço bem alto.
Valeria Márquez tinha 23 anos
Reprodução/Instagram
No caso de Valeria, acredita-se que ela também tenha se envolvido com homens de destaque em facções criminosas.
O assassino fingiu ser um entregador de encomenda e disparou contra a jovem.
No fim do julho, Ramón Álvarez Ayala, mais conhecido como R-1, chefe de uma célula criminosa ligada ao Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG), foi preso sob a acusação de ser o mentor da execução.
Valeria havia terminado um relacionamento com o filho do traficante, que não aceitou o fim do romance e pediu retaliação.
Valeria também teria tido envolvimento com Jesús Hernández, que possui ligações com um cartel de drogas hondurenho.
"Assassinatos de influenciadores surgiram paralelamente a essa guerra.
Eles começaram a tomar partido, não diretamente, mas promovendo certas imagens, símbolos ou músicas associadas a um dos grupos", afirmou Mora.
"A propaganda é fundamental para os cartéis, pois ajuda a legitimá-los.
Ter as comunidades locais ao seu lado facilita o controle das atividades criminosas.
Tornar o estilo de vida criminoso atraente também ajuda a recrutar jovens.
A vida de todos passa pelo filtro das redes sociais.
Por isso, elas se tornaram um novo território de disputa", emendou ele.
Influenciadores também podem ajudar a legitimar restaurantes, marcas de roupas ou até mesmo empreendimentos imobiliários que servem de fachada para a lavagem de dinheiro de cartéis.
Quanto mais sucesso as investidas alcançam, mas os influencers ficam em evidência tanto do grupo que "representam" quanto dos seus rivais.
Influencer Claudia Ochoa Félix posa segurando pistola e ao lado de homens armados com fuzis
Reprodução
Claudia Ochoa Félix foi a influenciadora mais notória a promover a narcocultura mexicana em plataformas digitais.
Frequentemente chamada de "Kim Kardashian do México" devido à sua semelhança com a superestrela americana, Claudia costumava compartilhar fotos posando com fuzis personalizados para milhares de seguidores.
Suas postagens ousadas nas redes sociais alimentaram suspeitas de que ela seria uma assassina à frente de um braço armado do cartel de Sinaloa — uma acusação que ela sempre negou.
A influencer morreu em 2019, aos 32 anos, vítima de uma suposta overdose.
