A influenciadora argentina Macarena Distéfano, de 30 anos, foi processada pelo crime de tráfico de entorpecentes na modalidade de posse com finalidade de comercialização.
A decisão foi proferida pelo juiz federal Jorge Rodríguez, que também determinou a prisão preventiva da investigada e o bloqueio de seus bens até o limite de 10 milhões de pesos (cerca de R$ 34 mil na cotação atual).
Com 74,5 mil seguidores no Instagram, Macarena mantinha um perfil com 49 publicações que exibiam viagens para Paris, na França; San Andrés e Medellín, na Colômbia; e Cancún, Playa del Carmen e Tulum, no México, além de imagens em caminhonetes 4x4.
Segundo o processo, o padrão de vida apresentado nas redes sociais foi um dos elementos considerados durante a investigação.
A última publicação foi feita em 17 de março.
Influenciadora que ostentava viagens e carros de luxo é denunciada por tráfico de drogas na Argentina
Reprodução
A informação sobre a investigação foi confirmada ao jornal argentino La Nacion por fontes judiciais.
Juiz aponta indícios de comercialização de drogas
Na decisão, Jorge Rodríguez afirmou que as provas reunidas indicam que a droga apreendida na residência da investigada tinha como destino a venda em pequenas quantidades.
"Distéfano exercia uma atividade ilícita e isso ficou documentado.
Independentemente de não haver uma versão dos fatos apresentada pela acusada, no entendimento deste magistrado e para além da quantidade de alcaloide apreendida em seu poder, as circunstâncias estabelecidas ao longo da investigação, o padrão econômico evidenciado na residência, bem como a quantidade e a qualidade dos veículos encontrados e os indícios reunidos em torno dela demonstram claramente que a droga que possuía tinha como destino a comercialização, em pequenas doses", escreveu o magistrado.
Segundo fontes ouvidas pelo La Nacion, a investigação começou há quase três anos após uma denúncia apresentada pela Subsecretaria de Segurança e Justiça da Prefeitura de Ituzaingó.
O caso foi conduzido pela Promotoria Federal de Hurlingham, sob responsabilidade do promotor federal Santiago Marquevich.
Ao fundamentar a decisão, o juiz afirmou que as provas produzidas durante a investigação sustentam a acusação.
"Assinalei que, em razão das provas reunidas, a investigada é, em princípio, autora penalmente responsável pela posse dos alcaloides encontrados no interior de sua residência e que essa posse tinha como finalidade sua posterior comercialização.
Tal conclusão encontra respaldo nos elementos de prova reunidos ao longo da investigação.
Nesse sentido, cabe destacar que foram as diligências encobertas, os monitoramentos realizados, as medidas investigativas, os relatórios produzidos pelos agentes responsáveis e o conjunto das observações que levaram à expedição do mandado de busca na residência onde morava a acusada", afirmou Rodríguez na decisão, assinada também por Lorena Reynoso, servidora judicial responsável pela Secretaria nº 5 da 2ª Vara Federal de Morón.
Busca encontrou arma e drogas, segundo investigação
O mandado de busca e apreensão foi cumprido em 21 de abril na residência de Macarena Distéfano, localizada em Ituzaingó.
Macarena Distéfano
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Segundo o processo, agentes da Gendarmaria Nacional bateram diversas vezes à porta e ouviram uma voz feminina no interior do imóvel, mas ninguém abriu.
Após entrarem na residência, encontraram a investigada armada.
"Depois que o local foi assegurado e os agentes entraram na residência, encontraram, em um quarto no primeiro andar, uma mulher empunhando uma arma de fogo.
Após desistir da atitude, ela foi identificada como Macarena Patricia Camila Distéfano, que estava de posse de uma pistola Glock, calibre 9 milímetros, com um cartucho na câmara e outro no carregador", registra o processo.
Na decisão, o juiz também afirmou que a forma como os entorpecentes estavam armazenados reforçava a suspeita de comercialização.
"É oportuno destacar que não há dúvida de que o alcaloide estava sob a posse da acusada, já que o quarto é o ambiente de maior privacidade do morador da residência, e a forma como a substância estava distribuída demonstra que estava preparada para ser comercializada em pequenas doses.
Nesse sentido, deve-se recordar que, ao longo da investigação e durante as vigilâncias realizadas pelos agentes, foi constatada a atividade desenvolvida pela investigada", escreveu.
Investigação registrou encontros considerados compatíveis com tráfico
Durante o monitoramento realizado pela Gendarmaria Nacional, os investigadores registraram encontros rápidos entre Macarena Distéfano e diferentes pessoas nas proximidades da residência.
Segundo o processo, tratava-se de "encontros breves com diferentes pessoas nas proximidades da residência, considerados compatíveis com atividades de venda de drogas no varejo".
Em outro episódio citado pelas fontes judiciais ouvidas pelo La Nacion, investigadores acompanharam a suspeita durante a noite.
"Segundo a reconstrução feita pela Gendarmaria Nacional, Distéfano saiu de casa com um saco de lixo e o colocou em uma lixeira próxima.
Ao inspecionar posteriormente o conteúdo, os investigadores encontraram recortes de sacos plásticos de nylon com resíduos de uma substância pulverulenta de cor rosa, material que foi incorporado ao processo como mais um indício."
Quando foi interrogada, Macarena Distéfano exerceu o direito de permanecer em silêncio.
Apesar da decisão que determinou sua prisão preventiva, a investigada permanece em prisão domiciliar.
Segundo fontes judiciais, o benefício foi concedido porque ela é responsável pelos cuidados de um menor de idade.
