Ingrid Guimarães estreia no cinema com Mônica Martelli e fala sobre fases no casamento de 22 anos:

Ingrid Guimarães estreia no cinema com Mônica Martelli e fala sobre fases no casamento de 22 anos: 'Há carências que se encontram'

Fonte: Bandeira da fonte

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Haja militância
Mônica: A militância aqui em casa para desconstruir o mito do “homem salvador” foi tão grande que Julia foi para o outro lado radical.
Tenho também uma influência muito forte que é minha mãe, uma feminista.
A maternidade é pedagógica, a Julia me ensina muito.
Estou feliz com a maneira que ela olha as mulheres e a masculinidade, me orgulha.
Ingrid: Sabe qual é a frase das nossas filhas para a gente? “Mano, começou a militância” (risos).
Clara também é super filha de feminista.
Ela me conta tudo o que acontece.
Bato muito na tecla de ela ser uma pessoa independente e, como observo um movimento nas escolas de bullying entre meninas, estou sempre enfatizando a importância do acolhimento entre as mulheres.
A geração delas já é diferente demais.
Dizem as mães de menino que elas que estão “catando cavaco” para eles correrem atrás do empoderamento delas.
Casal PJ
Mônica: Quando não existe mais encontro amoroso e a pessoa fica ali só para criar o filho, chamamos de Casal PJ.
É comum acontecer, é o que mais tem por aí.
Tem um vídeo meu que viralizou em que falo o que as mulheres suportam em casa para manter um marido.
Estou me referindo a criaturas esclarecidas e independentes financeiramente.
O casamento ainda valida muito a mulher.
Isso está mudando, mas é um processo.
Ingrid: Concordo que tem muito casamento PJ.
Acho que é uma coisa bem brasileira, do patriarcado, da maneira que fomos educadas.
Ao mesmo tempo, pelo fato de ter atravessado várias fases com o Renê, sei que há muitos motivos para se manter casada, não só por causa de filhos ou para mostrar para os outros.
Há carências que se ‘encontram’, e nem por isso as pessoas são infelizes.
Existe um medo na nossa geração de ficar sozinha.
O mundo diz que você está velha para se separar.
Ingrid Guimarães
Hudson Rennan
Tarja preta
Mônica: Uso pouco, já tomei Rivotril quando tive crise de ansiedade, mas foi uma fase, passou.
Utilizo melatonina para dormir.
Eu e Ingrid fazemos acupuntura, terapia, jogamos tarô (risos).
Ingrid: Toda semana recebo Reiki e sou louca por massagem.
Vou indo para tudo o que pode ajudar até chegar ao remédio.
E faço terapia desde os 30 anos.
Mônica: O mundo para mim é dividido por quem trata a cabeça e quem não trata.
A terapia é uma lanterna que ilumina nossos buracos.
Você não vai deixar de cair neles, mas pelo menos sabe onde está pisando.
Ingrid: Também acho que existe preconceito em relação a remédios psiquiátricos.
As pessoas não têm essa questão do pescoço para baixo, né?
Ingrid Guimarães
Hudson Rennan
Joga na fogueira
Mônica: De cara, descartaria minha ansiedade e algumas inseguranças que ainda carrego, o medo do abandono, de um lugar de rejeição em que já estive.
Tenho medo de voltar lá.
Ingrid: Eu dispenso preocupação excessiva, sou muito ‘tensinha’, passei a vida me inquietando e hoje paro e penso: ‘Para quê? Também queimaria na fogueira dar importância para o que os outros pensam e o medo de envelhecer.
De tanto embate com esse assunto, resolvi fazer uma peça.
Perrengue chique
Mônica: Viramos reféns de um homem em alto-mar, em Ibiza, na Espanha, eu, Ingrid e as meninas.
Alugamos uma lancha para irmos a quatro praias.
Chegamos à segunda, e o marinheiro falou que tinha acabado a gasolina...
Lá ficamos e ele foi supergrosseiro o tempo todo.
Quando chegamos em terra firme, desabafei sobre o absurdo da situação.
Falei: “Vocês viram o que esse macho branco fez com a gente?” Ingrid demorou a perceber.
Quando se deu conta, teve um ataque de ódio e mandou alto para o cara: “És moleque” (algo que não existe em espanhol).
E as meninas só falando “mano, mano”.
Ingrid: Teve um perrengue também em Mauá.
Éramos novas, foi nossa primeira viagem juntas.
Alugamos uma pousada com lareira.
Jogamos bolinha de papel, álcool e nada de queimar.
Acabamos botando fogo no chalé, fomos expulsas do local (risos).
O mais louco é que continuamos a viagem.
A gente leva os grandes acontecimentos como corriqueiros e os pequenos, como grandiosos.
Nosso anjo da guarda deve estar exausto.
Mônica: Mas ele, o anjo da guarda, também deve pensar: “Que bom que vocês divertem a gente (risos)”.
Ingrid: Estamos acostumadas a minimizar os perrengues.
Somos emocionadas com a vida.
Ingrid Guimarães
Hudson Rennan
Amizade feminina
Ingrid: A cumplicidade e a intimidade que a gente tem, uma com a filha da outra, como se fossem nossas próprias, é muito bonito e está no filme.
Elas têm uma cumplicidade entre elas, de uma proteger a outra, e as mães também se protegerem.
Isso é real na nossa relação e inspirou o roteiro do longa.
Mônica: A trajetória da amizade de Clara e Julia, personagens do filme, é totalmente inspirada na nossa.
Assim como eu e Ingrid, as duas se amam e se divertem uma com a outra.
Em relação às nossas filhas, no geral, o que é inspirado na vida real é a relação de cumplicidade das quatro, somos realmente próximas.
E a troca entre as mães que são amigas e vivem situações semelhantes com as filhas.
Mas os dilemas do filme são totalmente diferentes dos da nossa vida, até porque as personagens são mais velhas do que as nossas filhas na vida real.
Uma pela outra
Mônica: Ingrid é a pessoa mais engraçada que conheço, é quem mais me faz rir, a mais generosa também.
Além disso, compra a dor do outro, te ouve, acolhe.
Ter essa escuta num mundo em que todo mundo quer ser protagonista é raro.
Ingrid: Mônica é uma incentivadora de mulheres, sempre vê o seu melhor, tem uma visão otimista.
Quando você não acredita mais em você, ela acredita.
Se fosse psicóloga, daria um jeito numa galera (risos).